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Thursday, February 5, 2026
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Moçambique é pioneiro global na retoma da vacinação contra a cólera após reforço

Resumo

A vacinação global contra a cólera retomou após o fornecimento de vacinas atingir níveis suficientes, sendo liderada por Moçambique, enfrentando desafios como um surto ativo da doença e as consequências das recentes inundações. A distribuição de 20 milhões de doses de vacinas está em curso, com 3,6 milhões já entregues em Moçambique e o restante a caminho da República Democrática do Congo e do Bangladesh. A produção anual global de vacinas contra a cólera duplicou para quase 70 milhões de doses em 2025, financiadas pela Aliança Gavi e distribuídas pelo Unicef. A cólera, transmitida pela água ou alimentos contaminados, continua a ser um desafio, com mais de 600 mil casos e cerca de 6,7 mil mortes notificados em 2024. A OMS destaca a importância da vacinação, juntamente com investimentos em água, saneamento e higiene, tratamento rápido e envolvimento comunitário.

A vacinação preventiva global contra a cólera retomou após o fornecimento internacional de vacinas ter alcançado um nível suficiente para permitir o reinício das campanhas. É a primeira vez em mais de três anos que o processo é realizado.

O anúncio foi feito esta quarta-feira pela Aliança Global para Vacinas, Gavi, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, e pela Organização Mundial da Saúde, OMS.

Contextos desafiantes para a retoma

Moçambique torna-se o primeiro país a retomar a vacinação, após a suspensão das ações em 2022. Na época, a alta global dos casos de cólera levou a uma procura sem precedentes e à escassez de vacinas orais contra a doença.

Em território moçambicano, a campanha retoma em contexto desafiante, marcado por um surto ativo de cólera e pelas consequências das cheias recentes que afetaram mais de 700 mil pessoas e deslocaram milhares.

Em 19 de janeiro de 2026, os moradores caminham por uma rua inundada em Xai Xai, província de Gaza, Moçambique, após chuvas extremas causadas pela mudança climática.

As inundações danificaram sistemas de saúde e de abastecimento de água, aumentando o risco de doenças transmitidas pela água.

O diretor geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, a falta de vacinas obrigou uma resposta reativa, centrada no controlo dos surtos, em vez da prevenção. Ele afirmou que a agência está agora em “posição mais forte para quebrar esse ciclo”.

Distribuição de 20 milhões de doses

A primeira alocação de 20 milhões de doses de imunizantes contra a cólera está a ser utilizada para as campanhas preventivas. Deste total, 3,6 milhões de doses foram entregues em Moçambique, enquanto as restantes devem seguir para a República Democrática do Congo e para o Bangladesh.

A produção anual global de vacinas contra a cólera duplicou, passando de 35 milhões de doses em 2022 para quase 70 milhões em 2025. As vacinas são financiadas pela Aliança Gavi e distribuídas pelo Unicef.

Os países beneficiários foram selecionados com base em critérios definidos pela Força-Tarefa Global para o Controle da Cólera por forma a garantir uma distribuição equitativa e transparente.

Uma mulher deslocada está sentada no chão de uma escola em Xai-Xai, Moçambique, após inundações recentes.
Inundações aumentam o risco de doenças transmitidas pela água

Para a diretora executiva do Unicef, Catherine Russell, o aumento do fornecimento de vacinas permite a prevenção de emergências em grande escala.

Transmissão continua em alta

A cólera é transmitida através da água ou alimentos contaminados, causando diarreia grave e desidratação, podendo ser fatal se não for tratada rapidamente.

Em 2024, mais de 600 mil casos e cerca de 6,7 mil mortes foram notificados à OMS em 33 países, embora estes números sejam subestimados, uma vez que as infeções continuam subnotificadas.

Desde 2021, os casos globais têm aumentado a cada ano. No entanto, foi registrada uma ligeira redução em 2025, mas as mortes continuam a disparar.

A agência reforça que a vacinação é apenas uma das ferramentas de resposta, que inclui também investimentos de longo prazo em água, saneamento e higiene, vigilância, tratamento rápido e envolvimento comunitário.

Fonte: ONU

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