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Thursday, February 5, 2026
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Moçambique Define Couro Como Sector Estratégico para Industrialização e Integração Regional

Resumo

O Governo de Moçambique, em parceria com a SADC e a GIZ, iniciou o processo de elaboração do Plano Estratégico do Sector do Couro, com o objetivo de transformar o país num produtor industrial competitivo em vez de exportador de matéria-prima. Esta iniciativa visa impactar o emprego, exportações e substituição de importações, destacando o couro como um produto estratégico a nível nacional, regional e continental. O plano pretende romper com a exportação de peles em bruto, promovendo a produção local de couro curtido e produtos transformados, com maior valor acrescentado e capacidade de gerar emprego. A estratégia inclui a integração regional, alinhada com a SADC, visando reduzir a exportação de matérias-primas em bruto e promover o comércio intra-regional, com potencial para transferência de tecnologia e investimentos transfronteiriços.

O Governo lança o processo de elaboração do Plano Estratégico do Sector do Couro, numa iniciativa com a SADC e a GIZ que visa transformar o país de exportador de matéria-prima em bruto num produtor industrial competitivo, com impacto no emprego, exportações e substituição de importações.

O Governo de Moçambique iniciou, esta semana, o processo de elaboração do Plano Estratégico do Sector do Couro e Produtos de Couro, assumindo esta cadeia de valor como um dos pilares da política de industrialização, da criação de emprego e da redução da dependência de importações. A iniciativa, desenvolvida em parceria com a SADC e com o apoio da cooperação alemã através da GIZ, procura posicionar o couro como um produto estratégico no mercado nacional, regional e continental.

Do potencial pecuário à industrialização efectiva

Na intervenção de abertura do Workshop Nacional de Auscultação sobre o Sector do Couro, a Secretária de Estado da Indústria, Custódia Paúnde, sublinhou que Moçambique dispõe de um efectivo pecuário significativo e de oportunidades claras de mercado, mas continua a registar baixa transformação local, perdas de matérias-primas e fraca ligação entre produtores e indústria.

Este paradoxo — abundância de recursos primários e fraca industrialização — está no centro da estratégia governamental para o sector. O objectivo é romper com o modelo de exportação de peles em bruto e avançar para a produção local de couro curtido e produtos transformados, com maior valor acrescentado e capacidade de gerar emprego

Um plano estratégico orientado para resultados

O Plano Estratégico do Sector do Couro está a ser concebido como um instrumento realista, operacional e orientado para resultados, procurando responder a constrangimentos estruturais como limitações tecnológicas, dificuldades de financiamento, desafios ambientais e concorrência de produtos importados.

Segundo o Governo, o processo de auscultação pretende assegurar que o plano reflicta as necessidades reais do sector privado, dos produtores, da indústria, da academia e dos parceiros de desenvolvimento, criando uma base sólida para futuras intervenções públicas e privadas.

Integração regional como eixo central da estratégia

A iniciativa insere-se no processo de interiorização do Quadro Político Modelo Regional da SADC para o Sector do Couro, aprovado em 2023, e alinhado com a Estratégia e Roteiro de Industrialização da SADC (2015–2063). A abordagem regional é vista como essencial para reduzir a exportação de matérias-primas em bruto, promover cadeias de abastecimento regionais e reforçar o comércio intra-regional.

No contexto da SADC, o couro surge como uma cadeia de valor com elevado potencial de integração produtiva, permitindo articular países produtores de peles com economias que dispõem de maior capacidade de curtimento e manufactura, promovendo transferência de tecnologia e investimentos transfronteiriços.

ZCLCA e acesso a mercados continentais

A nível continental, o desenvolvimento do sector do couro beneficia do enquadramento proporcionado pela Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA), que oferece oportunidades para expansão do comércio africano, harmonização de regras de origem e redução de barreiras não tarifárias.

O Governo defende que cadeias de valor regionais bem estruturadas permitirão aos países africanos competir de forma mais eficaz com produtos importados de fora do continente, reforçando a base industrial africana e a retenção de valor económico.

Emprego, exportações e substituição de importações

O Executivo sublinha que a transformação do sector do couro pode gerar impactos económicos relevantes, nomeadamente no aumento das exportações, na substituição de importações de calçado e artigos de couro e na criação de emprego industrial, particularmente para jovens e mulheres.

Ao deixar de ser um sector marginal, o couro poderá responder às exigências do consumo interno e explorar nichos nos mercados regionais e internacionais, contribuindo para uma industrialização mais diversificada e sustentável.

Cooperação internacional e alinhamento de políticas

O apoio técnico da GIZ e o enquadramento da SADC reforçam a dimensão institucional e regional do processo, assegurando alinhamento com políticas de industrialização, integração económica e desenvolvimento de cadeias de valor.

Experiências de outros Estados-membros da SADC — como a República Democrática do Congo, Malawi, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwe — são apontadas como referências úteis para Moçambique, que procura adaptar boas práticas às suas especificidades produtivas e institucionais.

Do diálogo à implementação

Mais do que um exercício de planeamento, o workshop pretende lançar as bases para uma trajectória de implementação consistente. O Governo apela a uma participação activa e orientada para soluções, sublinhando que os contributos recolhidos irão alimentar directamente o Plano Estratégico e orientar decisões futuras de política industrial e investimento.

Num contexto em que Moçambique procura acelerar a industrialização e reduzir vulnerabilidades externas, o sector do couro emerge como um teste concreto à capacidade de transformar potencial produtivo em valor económico, emprego e competitividade regional.

Fonte: O Económico

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