Resumo
A inflação moderada nos EUA reforça a expectativa de desagravamento monetário a partir de junho, enquanto o crescimento frágil no Japão testa a sustentabilidade do "Buy Japan". O dólar norte-americano manteve-se estável após dados de inflação abaixo do esperado, levando o mercado a reavaliar a política monetária da Reserva Federal. O Yen japonês corrigiu ligeiramente após uma valorização significativa, impulsionada pela vitória eleitoral da primeira-ministra Sanae Takaichi. No entanto, o crescimento económico japonês de apenas 0,2% no último trimestre limita a margem de manobra do Banco do Japão para subir as taxas. A divergência entre as políticas monetárias dos EUA e do Japão coloca o par USD/JPY num ponto estratégico, com o mercado cambial a entrar numa fase de reequilíbrio.
O dólar norte-americano iniciou a semana em terreno estável, após ter registado recuo de 0,8% na semana anterior, num movimento influenciado por dados de inflação mais moderados do que o esperado nos Estados Unidos . O índice DXY manteve-se próximo dos 96,959 pontos, reflectindo um mercado que começa a reavaliar o calendário de política monetária da Reserva Federal .
Os números divulgados na sexta-feira indicaram que os preços ao consumidor cresceram abaixo das projecções em Janeiro, reforçando a percepção de que a Fed poderá iniciar um novo ciclo de cortes a partir de Junho . Os mercados de futuros incorporam actualmente cerca de 62 pontos base de desagravamento adicional até ao final do ano, com a probabilidade de um primeiro corte em Junho situada em torno de 68%.
A descida das yields norte-americanas, particularmente nas maturidades mais curtas, reflecte esta mudança de expectativa. O rendimento das obrigações a dois anos encerrou na sexta-feira no nível mais baixo desde 2022 , sinalizando que os investidores antecipam uma trajectória monetária mais acomodatícia.
Yen Corrige Após Melhor Semana Em 15 Meses
Neste contexto, o Yen japonês iniciou a semana em ligeira correcção, negociando em torno de 153 por dólar, após ter acumulado valorização de quase 3% na semana anterior — o maior ganho semanal em cerca de 15 meses .
A recente recuperação da moeda japonesa foi impulsionada pela redução da incerteza política após a vitória eleitoral expressiva da primeira-ministra Sanae Takaichi, que gerou entrada de capitais em obrigações e acções japonesas . O movimento foi descrito por analistas como parte do chamado “Buy Japan trade”, sustentado na atractividade relativa dos rendimentos domésticos e na estabilização do cenário político.
Contudo, dados divulgados esta segunda-feira revelaram que a economia japonesa cresceu apenas 0,2% em termos anualizados no quarto trimestre , evidenciando fragilidade estrutural. Este desempenho anémico poderá limitar a margem de manobra do Banco do Japão (BOJ) para avançar com novas subidas de taxas.
O mercado atribui apenas 20% de probabilidade a uma subida já na reunião de Março , reflectindo prudência quanto à capacidade da economia absorver condições financeiras mais restritivas.
Divergência Monetária E Equilíbrio Cambial
O par USD/JPY encontra-se, assim, num ponto de inflexão estratégica. De um lado, uma Reserva Federal potencialmente inclinada a reduzir juros; do outro, um Banco do Japão que permanece cauteloso perante sinais de crescimento fraco.
Se a Fed confirmar cortes a partir de Junho, a pressão estrutural sobre o dólar poderá intensificar-se. No entanto, sem um BOJ mais agressivo, o Yen poderá ter dificuldade em sustentar uma valorização prolongada.
Para mercados emergentes, incluindo africanos, a trajectória do dólar continua a ser variável central. Um ciclo de desagravamento monetário nos EUA tende a aliviar pressões cambiais e custos de financiamento externo. Contudo, movimentos abruptos no Yen — frequentemente utilizado como moeda de financiamento em operações de “carry trade” — podem gerar volatilidade adicional nos fluxos globais de capital.
O mercado cambial entra, assim, numa fase de reequilíbrio fino. O dólar mostra sinais de consolidação antes de possível inflexão monetária, enquanto o Yen enfrenta o teste da sustentabilidade macroeconómica. A divergência entre as duas maiores economias desenvolvidas volta a colocar o USD/JPY no centro do radar global.
Fonte: O Económico





