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Wednesday, February 18, 2026
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Unicef: guerra na Ucrânia “segue as crianças” e mantém milhões em deslocação forçada

Resumo

O Unicef alerta para o impacto dramático da guerra na Ucrânia sobre as crianças na região de Kherson, com muitas a viverem com medo constante e a serem forçadas a estudar e dormir em abrigos subterrâneos para se protegerem dos ataques. O conflito, que entra no quinto ano, resultou no aumento do número de crianças deslocadas pela violência, com quase 2,6 milhões de crianças ucranianas deslocadas, incluindo mais de 791.000 internamente e quase 1,8 milhão como refugiadas. A destruição de serviços essenciais, como escolas e infraestruturas energéticas, tem deixado milhões sem acesso à educação, aquecimento, eletricidade e água, aumentando os riscos de doenças e hipotermia, especialmente entre os mais novos. A saúde mental dos adolescentes também está a ser afetada, com um em cada quatro jovens a perder esperança num futuro no país.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, afirma que o impacto diário da guerra na Ucrânia sobre famílias na região de Kherson está a impactar de forma drástica as crianças.

Muitas vivem medo constante e sendo obrigadas a estudar e a dormir em abrigos subterrâneos para se proteger dos ataques. O Unicef lembra que o conflito entra, na próxima semana, pelo quinto ano com aumento de crianças deslocadas pela violência.

Vida em Kherson: infância “mudou para o subsolo”

Numa declaração esta terça-feirao representante da agência na Ucrânia, Munir Mammadzade, contou que a região de Kherson transformou-se num cenário de sobrevivência, onde redes anti-drones cobrem áreas urbanas e a rotina das crianças foi forçada a migrar para abrigos improvisados.

Ele citou o caso de Kateryna, mãe de duas crianças, que numa noite gelada de janeiro fugiu com os filhos para o corredor durante os ataques, quando uma bomba atingiu a casa dela. Os filhos, Daria, 16 anos, e Artem, 8 anos, ficaram feridos por estilhaços, e ela precisou ser operada.

Segundo o Unicef, quase 2.6 milhões de crianças ucranianas continuam deslocadas, incluindo mais de 791.000 dentro do país e quase 1,8 milhão como refugiadas fora da Ucrânia.

Um inquérito recente citado pelo Unicef aponta que um em cada três adolescentes entre 15 e 19 anos deslocados mudou-se pelo menos duas vezes por causa da insegurança.

A diretora regional do Unicef para a Europa e Ásia Central, Regina De Dominicis, lembra que a procura por segurança continua a ser um desafio crescente, com ataques em diferentes partes do território.

Bombeiros em Kiev, Ucrânia, combatem um incêndio em um prédio industrial danificado após um ataque, com a formação de gelo nas superfícies à medida que as temperaturas caem abaixo do ponto de congelamento.
© UNICEF/Ian Dobronosov

Bombeiros respondem a um ataque noturno em Kyiv, na Ucrânia

Destruição de serviços essenciais

Pelo menos 3.200 crianças morreram ou ficaram feridas nos ataques de longo desde 24 de fevereiro de 2022, quando a Rússia começou a guerra.

Em 2025, o número de vítimas infantis subiu 10%, sendo o terceiro ano consecutivo com crescimento nas baixas verificadas.

No setor da educação, o Unicef relatou que mais de 1.700 escolas e instalações foram danificadas ou destruídas. Com isso, um em cada três alunos perdeu o acesso seguido ao colégio. 

O Unicef também destacou que ataques recentes à infraestrutura energética deixaram milhões de famílias sem aquecimento, eletricidade e água em temperaturas negativas extremas, aumentando riscos de doenças respiratórias e hipotermia, especialmente entre bebés e crianças pequenas.

Saúde mental sob pressão e resposta humanitária em larga escala

A agência alertou para o agravamento da saúde mental entre adolescentes, devido ao medo constante, isolamento e longos períodos em abrigos subterrâneos.

Segundo o Unicef, um em cada quatro jovens entre 15 e 19 anos está a perder esperança num futuro na Ucrânia.

Regina De Dominicis reiterou que as obrigações do direito internacional humanitário devem ser respeitadas e que a proteção das crianças e das infraestruturas civis deve ser garantida.

Fonte: ONU

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