Resumo
O Unicef alerta para o impacto dramático da guerra na Ucrânia sobre as crianças na região de Kherson, com muitas a viverem com medo constante e a serem forçadas a estudar e dormir em abrigos subterrâneos para se protegerem dos ataques. O conflito, que entra no quinto ano, resultou no aumento do número de crianças deslocadas pela violência, com quase 2,6 milhões de crianças ucranianas deslocadas, incluindo mais de 791.000 internamente e quase 1,8 milhão como refugiadas. A destruição de serviços essenciais, como escolas e infraestruturas energéticas, tem deixado milhões sem acesso à educação, aquecimento, eletricidade e água, aumentando os riscos de doenças e hipotermia, especialmente entre os mais novos. A saúde mental dos adolescentes também está a ser afetada, com um em cada quatro jovens a perder esperança num futuro no país.
Muitas vivem medo constante e sendo obrigadas a estudar e a dormir em abrigos subterrâneos para se proteger dos ataques. O Unicef lembra que o conflito entra, na próxima semana, pelo quinto ano com aumento de crianças deslocadas pela violência.
Vida em Kherson: infância “mudou para o subsolo”
Numa declaração esta terça-feira, o representante da agência na Ucrânia, Munir Mammadzade, contou que a região de Kherson transformou-se num cenário de sobrevivência, onde redes anti-drones cobrem áreas urbanas e a rotina das crianças foi forçada a migrar para abrigos improvisados.
Ele citou o caso de Kateryna, mãe de duas crianças, que numa noite gelada de janeiro fugiu com os filhos para o corredor durante os ataques, quando uma bomba atingiu a casa dela. Os filhos, Daria, 16 anos, e Artem, 8 anos, ficaram feridos por estilhaços, e ela precisou ser operada.
Segundo o Unicef, quase 2.6 milhões de crianças ucranianas continuam deslocadas, incluindo mais de 791.000 dentro do país e quase 1,8 milhão como refugiadas fora da Ucrânia.
Um inquérito recente citado pelo Unicef aponta que um em cada três adolescentes entre 15 e 19 anos deslocados mudou-se pelo menos duas vezes por causa da insegurança.
A diretora regional do Unicef para a Europa e Ásia Central, Regina De Dominicis, lembra que a procura por segurança continua a ser um desafio crescente, com ataques em diferentes partes do território.
Destruição de serviços essenciais
Pelo menos 3.200 crianças morreram ou ficaram feridas nos ataques de longo desde 24 de fevereiro de 2022, quando a Rússia começou a guerra.
Em 2025, o número de vítimas infantis subiu 10%, sendo o terceiro ano consecutivo com crescimento nas baixas verificadas.
No setor da educação, o Unicef relatou que mais de 1.700 escolas e instalações foram danificadas ou destruídas. Com isso, um em cada três alunos perdeu o acesso seguido ao colégio.
O Unicef também destacou que ataques recentes à infraestrutura energética deixaram milhões de famílias sem aquecimento, eletricidade e água em temperaturas negativas extremas, aumentando riscos de doenças respiratórias e hipotermia, especialmente entre bebés e crianças pequenas.
Saúde mental sob pressão e resposta humanitária em larga escala
A agência alertou para o agravamento da saúde mental entre adolescentes, devido ao medo constante, isolamento e longos períodos em abrigos subterrâneos.
Segundo o Unicef, um em cada quatro jovens entre 15 e 19 anos está a perder esperança num futuro na Ucrânia.
Regina De Dominicis reiterou que as obrigações do direito internacional humanitário devem ser respeitadas e que a proteção das crianças e das infraestruturas civis deve ser garantida.
Fonte: ONU






