Resumo
Os mercados globais de matérias-primas enfrentaram turbulência devido a um choque geopolítico envolvendo o Irão, levando a fortes oscilações nos preços do petróleo, metais e produtos agrícolas. O petróleo disparou até 29%, aproximando-se dos 100 dólares por barril, devido a receios de interrupção de fornecimento do Médio Oriente. No entanto, parte dos ganhos foi revertida com sinais de possível contenção do conflito. O Brent fechou a subir 6,8%, para 98,96 dólares por barril, e o WTI avançou 4,3%, para 94,77 dólares. Diplomacia entre Trump e Putin aliviou preocupações. Enquanto o petróleo subia, o ouro caiu mais de 1% devido ao dólar forte. O alumínio atingiu o valor mais alto em quatro anos, refletindo preocupações com perturbações nas cadeias logísticas do Médio Oriente.
Choque geopolítico provoca turbulência nas matérias-primas
Os mercados globais de matérias-primas viveram uma sessão de forte volatilidade após a escalada do conflito envolvendo o Irão, que desencadeou reacções imediatas nos preços da energia, metais e produtos agrícolas.
O petróleo chegou a disparar até 29% no início das negociações, atingindo níveis não observados desde meados de 2022, numa reacção directa aos receios de interrupção de fornecimento provenientes do Médio Oriente — região responsável por uma parcela significativa da produção mundial de crude.
No entanto, parte desses ganhos foi posteriormente revertida ao longo do dia, à medida que surgiram sinais de possível contenção do conflito.
Brent aproxima-se dos 100 dólares por barril
No fecho da sessão, os preços mantiveram ainda assim uma valorização significativa.
O Brent, referência internacional, encerrou a subir 6,8%, para 98,96 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) avançou 4,3%, para 94,77 dólares.
O movimento reflecte receios persistentes de perturbações nas rotas marítimas de energia, particularmente no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente.
Alguns produtores do Médio Oriente chegaram mesmo a reduzir fornecimentos por precaução, perante o risco de interrupções prolongadas no transporte marítimo da região.
Diplomacia de última hora alivia mercados
A volatilidade registada ao longo da sessão foi parcialmente atenuada após sinais diplomáticos que sugerem uma eventual descompressão das tensões.
Segundo informações divulgadas durante o dia, uma conversa telefónica entre Donald Trump e Vladimir Putin terá contribuído para aliviar as preocupações imediatas sobre o abastecimento global de energia.
Fontes indicaram ainda que Washington poderá estar a ponderar flexibilizar algumas sanções sobre o petróleo russo, numa tentativa de estabilizar os mercados e evitar uma escalada excessiva dos preços da energia.
Dólar forte penaliza ouro
Enquanto o petróleo subia, o ouro — tradicional activo de refúgio — registou um movimento inesperado de queda.
O metal precioso recuou mais de 1%, pressionado sobretudo pela valorização do dólar e pela subida das yields das obrigações norte-americanas, num contexto em que os investidores começaram a rever em baixa as expectativas de cortes nas taxas de juro nos Estados Unidos.
O fortalecimento da moeda norte-americana tende a tornar o ouro mais caro para investidores que operam noutras moedas, reduzindo a procura global pelo metal.
Alumínio atinge máximo de quatro anos
Entre os metais industriais, o alumínio destacou-se pela forte valorização, atingindo o nível mais elevado desde 2022.
O contrato de referência de três meses negociado na London Metal Exchange chegou a 3.544 dólares por tonelada, reflectindo preocupações com eventuais perturbações nas cadeias logísticas do Médio Oriente.
O aumento dos custos energéticos e as possíveis restrições no transporte marítimo estão entre os factores que sustentam a valorização do metal.
Choque energético reacende riscos inflacionários
Para além da volatilidade imediata nos mercados, analistas alertam que um eventual prolongamento do conflito poderá gerar impactos macroeconómicos mais profundos.
Entre os principais riscos identificados está o aumento sustentado dos preços da energia, que poderá reacender pressões inflacionárias em diversas economias. A subida do custo da energia tende a repercutir-se em toda a cadeia produtiva, pressionando preços no transporte, na indústria e na produção agrícola.
Ao mesmo tempo, a persistência de preços elevados do petróleo poderá intensificar as pressões inflacionárias nas economias avançadas, dificultando o processo de normalização da política monetária. Neste contexto, vários analistas consideram provável um adiamento nos ciclos de redução das taxas de juro por parte dos principais bancos centrais, particularmente nos Estados Unidos.
Segundo analistas de mercado, a ausência de uma saída clara para o conflito mantém os investidores em estado de elevada cautela.
O analista Tony Sycamore, da IG Markets, sublinhou que “o mercado não vê um caminho evidente para desescalar o conflito no Médio Oriente, o que aumenta o risco de danos económicos mais duradouros”.
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Fonte: O Económico






