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Paulo Portas: "Salários baixos não incentivam a trabalhar melhor. As pessoas têm que ter esperança que podem subir na vida"

"O que acontece é que a diferença entre o salário mínimo e o salário mediano é muito fraca. E isso não diz bem do elevador social em Portugal". O comentário de Paulo Portas arrancou este domingo com um alerta sobre a compressão salarial em Portugal. Para o comentador, a reduzida distância entre o salário mínimo e o salário mediano constitui um sinal preocupante para a mobilidade social e para a produtividade da economia, ainda que reconheça que os portugueses têm beneficiado de ganhos de rendimento em termos reais nos últimos anos.

Portas começou por sublinhar que o salário mediano não deve ser confundido com o salário médio. "O salário mediano não é o médio. O médio é dividir todos os salários pelo número de trabalhadores e chegar a um valor. Não, o mediano é exatamente o ponto que separa os 50% mais altos, ou melhores, e os 50% mais baixos", explicou.

Na análise do estudo do Banco de Portugal, o comentador salientou que o problema não reside apenas na proximidade entre os dois indicadores salariais, mas também nas consequências que essa realidade pode ter para a progressão profissional dos trabalhadores. "Salários baixos não incentivam a trabalhar melhor. E as pessoas têm que ter esperança que trabalhando legalmente, podem subir na vida", afirmou. Apesar disso, fez questão de assinalar que "em 2023, em 2024, em 2025 e em 2026, esperamos, se não se prolongar a Guerra do Golfo, os portugueses que estão no salário mediano, e também os médios e os mínimos, ganharam rendimento em termos reais".

Para Portas, existem duas explicações principais para a reduzida diferença entre o salário mínimo e o mediano. "O primeiro é o peso que o IRS ainda tem nos salários médios baixos, porque isso retira uma parte do rendimento e aproxima muito do salário mínimo que não paga IRS. O segundo tem a ver com a produtividade", referiu.

A análise passou depois para o Médio Oriente e para o acordo em negociação entre os Estados Unidos e o Irão. Portas defendeu que a concretização rápida desse entendimento é essencial para evitar uma escalada económica global. "O que temos interesse é que o conflito termine, ou seja, o estreito de Hormuz seja aberto, porque há um risco cada vez maior de escassez de fontes de energia essenciais para as nossas vidas quotidianas funcionarem, os nossos rendimentos não serem destruídos pela inflação e as indústrias poderem funcionar."

O comentador destacou ainda o impacto que o conflito está a ter nos preços da energia e, consequentemente, na inflação norte-americana. "A inflação já está em 4,2%. Quer dizer que os preços da energia subiram mais de dois dígitos. São os preços da energia que fazem subir a inflação nos Estados Unidos", afirmou, acrescentando que este contexto dificulta uma redução das taxas de juro e afeta diretamente o rendimento das famílias.

Foi também neste ponto que dirigiu críticas a Donald Trump. "É a razão pela qual eu acho que ele diz tantas vezes que quer assinar o acordo. Devia ter pensado melhor nas operações militares que iniciou. Tem deficiências de planeamento que eu acho quase infantis." Portas foi ainda mais longe ao afirmar que "subestimar Hormuz é uma coisa que não passa pela cabeça de ninguém medianamente conhecedor de História ou de Geoeconomia".

Segundo o comentador, a situação atual cria um paradoxo político entre Washington e Telavive. "Israel, ou por outra, o primeiro-ministro de Israel quer prolongar o conflito porque acha que é a única maneira que tem de ganhar eleições que pode perder. Curiosamente, Donald Trump pode perder as eleições e prolongar o conflito", afirmou.

Na parte final da intervenção, Portas voltou-se para a guerra na Ucrânia e para a duração do conflito. "A Guerra da Ucrânia ultrapassou em longevidade a Primeira Guerra Mundial. E isto mostra-lhe a debilidade em que estão as relações internacionais. Não foi possível encontrar um acordo ou um cessar-fogo durável quando é evidente ao fim de quatro invernos que a Rússia não consegue o que queria."

O comentador sustentou que Moscovo falhou os objetivos estratégicos traçados no início da invasão. "A Rússia achava que tomava Kiev em sete dias e que depois as cidades ucranianas seriam um castelo de cartas. Não tomou nenhuma cidade essencial da Ucrânia." E concluiu apontando outro revés para o Kremlin: "O outro ponto que foi mau para Vladimir Putin nesta semana foi ter perdido as eleições na Arménia. Venceu com 50% dos votos o candidato pró-europeu. E isso em pouco tempo já lá vai a Hungria e já lá vai a Arménia."

 

Fonte: TVI


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