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Android deixou o nome das sobremesas nas novas versões. Sabes porquê?

Resumo

O Google abandonou a tradição de nomear as versões do Android com sobremesas em 2019, optando por números devido a desafios de globalização e diversidade cultural. A mudança foi explicada pelo vice-presidente do Android, Sameer Samat, devido à dificuldade de traduzir os nomes de doces para diferentes mercados internacionais, como Japão e Brasil. A tradição de associar cada versão a um doce, como Cupcake, KitKat e Pie, durou mais de uma década, conferindo ao Android uma personalidade distinta. A decisão de abandonar esta abordagem gerou descontentamento entre os utilizadores, que viam nela uma parte da identidade do sistema operativo. A mudança para números visava facilitar a compreensão global das versões do Android, evitando possíveis confusões linguísticas e culturais.

Durante mais de uma década, o Android ficou conhecido pelas suas versões com nomes de sobremesas, desde o Cupcake até ao Pie. No entanto, em 2019, o Google decidiu abandonar esta tradição querida por milhões de utilizadores em todo o mundo. A razão principal prendeu-se com desafios de globalização: muitos doces eram desconhecidos em grandes mercados internacionais, e a convenção alfabética criava confusão em línguas como o japonês. A solução foi simples e pragmática, números, tornando mais fácil para qualquer utilizador saber que versão tem instalada no seu dispositivo. Mas sabes realmente porque o Android deixou o nome das sobremesas?

Se és utilizador de Android há algum tempo, certamente tens memórias afetivas associadas aos nomes de sobremesas que marcaram cada nova versão do sistema operativo da Google. O Cupcake, lançado em abril de 2009, foi o ponto de partida de uma das tradições mais queridas do mundo tecnológico. A partir daí, cada nova versão trazia consigo a antecipação de descobrir qual seria o próximo doce a entrar para a lista e os fãs adoravam especular sobre o assunto.

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Durante mais de dez anos, o Android cresceu e evoluiu com nomes como Donut, Eclair, Froyo, Gingerbread, Honeycomb, Ice Cream Sandwich, Jelly Bean, KitKat, Lollipop, Marshmallow, Nougat, Oreo e, finalmente, Pie. A convenção era simples: cada versão recebia o nome de uma sobremesa, seguindo rigorosamente a ordem alfabética do inglês. Era um sistema charmoso, quase lúdico, que conferia ao Android uma personalidade distinta face à concorrência. Ninguém confundia o Android com o iOS da Apple em parte porque o Android tinha aquela irreverência dos doces estampada em cada atualização.

Mas toda a tradição tem um fim. Em 2019, com o lançamento do Android 10, a Google surpreendeu o mundo ao abandonar abruptamente este sistema de nomenclatura. A decisão gerou uma onda de descontentamento entre os entusiastas da plataforma, que sentiram perder um pedaço da identidade do sistema. Afinal, o que seria de um Android sem o seu doce correspondente?

Android

A razão para esta mudança foi explicada publicamente por Sameer Samat, na altura vice-presidente de gestão de produto para o Android, num post no blogue oficial da empresa. Segundo Samat, o problema era fundamentalmente um de escala global. O Android é utilizado em praticamente todos os países do mundo, por pessoas com culturas, línguas e referências gastronómicas completamente distintas. E aí residia o paradoxo: o que faz sentido para um utilizador norte-americano pode ser completamente absurdo para alguém no Japão, no Brasil ou em qualquer outro mercado emergente.

Pensa nisto: um utilizador em Tóquio ou em Lagos não tem necessariamente qualquer referência cultural para o Gingerbread ou para o Jelly Bean. São doces profundamente enraizados na cultura anglófona ocidental, mas que não têm qualquer eco noutras partes do globo. Lançar uma campanha de marketing global em torno de um nome que metade do planeta desconhece é, no mínimo, uma estratégia questionável.

Há ainda um segundo obstáculo, talvez menos óbvio mas igualmente relevante: as barreiras linguísticas. A convenção alfabética que a Google utilizava para nomear as suas versões Android funciona perfeitamente em inglês. Mas em línguas como o japonês, onde os sons “L” e “R” não são facilmente distinguíveis, a sequência alfabética perde todo o sentido prático. Como é que um utilizador japonês vai perceber intuitivamente que o Lollipop vem depois do KitKat, ou que o Marshmallow sucede ao Lollipop, se os próprios sons das letras iniciais se confundem?

Não era apenas uma questão estética. Era uma questão de funcionalidade e de comunicação clara. Um sistema operativo que serve milhares de milhões de pessoas em todo o mundo precisa de uma linguagem universal e os números são, precisamente, isso.

A transição para o sistema numérico foi, em retrospetiva, uma decisão óbvia. Com o Android 10, o Android 11, o Android 12, e assim sucessivamente, qualquer utilizador, independentemente da sua língua materna ou cultura, consegue perceber imediatamente qual é a versão mais recente, se o seu dispositivo está atualizado, e qual é a distância entre a versão que tem instalada e a versão mais atual disponível. É simples, direto e funciona em qualquer idioma.

Esta lógica faz ainda mais sentido quando se olha para o ritmo acelerado de lançamentos. Estamos atualmente no Android 17, e é difícil imaginar como seria o sistema de nomenclatura de sobremesas neste ponto. O alfabeto inglês tem 26 letras, e a Google já chegou ao “P” com o Pie em 2018. Teria tido de começar uma segunda ronda, criando ainda mais confusão. Os números eliminam esse problema por completo.

Para os mais saudosistas, há uma boa notícia: a Google nunca abandonou completamente o espírito das sobremesas. Internamente, cada versão do Android continua a ter um nome de código doce que os engenheiros e equipas internas utilizam durante o desenvolvimento. O Android 10 foi o Quince Tart, o Android 11 foi o Red Velvet Cake, o Android 12 foi o Snow Cone, e a mais recente versão, o Android 17, atende internamente pelo nome de Cinnamon Bun. É uma tradição preservada nos bastidores, longe dos holofotes mas igualmente querida por quem trabalha no projeto.

Há também outra herança que sobreviveu à mudança: os Easter Eggs escondidos no sistema. Mesmo sem nomes de doces no título, o Android continuou a incluir referências visuais e mini-jogos interativos para os utilizadores mais curiosos. O Android 14, por exemplo, trouxe um mini-jogo interativo com temática espacial, acessível através das definições do sistema. As versões mais recentes seguiram a mesma linha, sugerindo que o Android encontrou uma nova paixão: a exploração do espaço. É como se, depois de abandonar a pastelaria, o sistema operativo tivesse decidido apanhar uma nave e explorar novas fronteiras.

A identidade criativa do Android também não se perdeu com a mudança de nomenclatura. O sistema Material You, que introduziu cores dinâmicas personalizadas com base no papel de parede do utilizador, foi um salto enorme em termos de personalização visual. O Material 3 Expressive foi ainda mais longe, refinando a física de movimento das animações e melhorando a tipografia. São detalhes que, no conjunto, tornam o Android numa plataforma tão reconhecível e distinta como sempre foi com ou sem nomes de sobremesas.

 

Fonte: Zero Zero

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