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Wednesday, February 4, 2026
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Agora sim, podemos começar a chorar

O «dérbi do ano» passou sem decidir o título nacional, o dérbi do Porto está longe das emoções de outras épocas, mas não é disso que quero falar.

Se levantarmos o olhar da teia de discussões do futebol português e espreitarmos o outro lado da fronteira, reparamos que hoje é dia de «El Clásico».

É o jogo dos jogos, um acontecimento capaz de paralisar não só duas cidades, não só um país, mas de cativar as atenções dos adeptos de futebol em todo o mundo. De arregimentar legiões de fãs, de dividir grupos de amigos entre «merengues» ou «culés». Ainda por cima, o duelo deste domingo pode ser crucial na decisão do título.

A rivalidade Real Madrid – Barcelona, tendo décadas, atingiu patamares estratosféricos nos anos Mourinho – Guardiola e, em especial, Cristiano Ronaldo – Lionel Messi. A cada encontro, não se lutava «apenas» por títulos; discutia-se quem era(m) o(s) melhor(es) do mundo. Jogava-se por taças e pela Bola de Ouro!

Cada «El Clásico» era antecipado durante dias, cada jogo era fervorosamente acompanhado à escala global, cada vitória era orgulhosamente celebrada e exibida.

Mas o tempo passa, o mundo gira e a bola não para de rolar.  Reparamos que há «El Clásico» e sentimos que já não é a mesma coisa.

Sim, há um fenomenal Lamine Yamal em plena afirmação, há Kylian Mbappé à procura dos seus sonhos, há Raphinha e Vinicius, Olmo e Guller. Mas não é a mesma coisa. Por muito que Yamal e Mbappé pareçam ser os herdeiros perfeitos de LM10 e CR7.

E sobre esses senhores, precisamente, o que dizem as notícias? Que o Inter Miami sofreu a derrota mais pesada da era Messi; que a (exageradamente dada como certa há tempos…) renovação de contrato de Cristiano pode estar comprometida depois da modesta temporada do Al-Nassr.

Longe dos maiores palcos, as maiores estrelas futebolísticas dos últimos tempos (de sempre?) caminham para o ocaso.

Quando a eterna discussão sobre «o Melhor do Mundo» dividia o planeta, qual Tratado de Tordesilhas, sempre disse que devíamos apreciar esses tempos mágicos porque um dia teríamos saudades, um dia choraríamos a sua despedida.

Saudades, na verdade, já temos – dos seus melhores tempos, das suas melhores versões; parece que podemos começar a preparar as lágrimas para a despedida.

Ainda assim, «El Clásico» deste domingo deve ser imperdível para quem gosta, mesmo, de futebol. Para quem consegue enxergar para lá das palas impostas por um qualquer emblema.  

É desfrutar. Que atrás dos tempos vêm tempos, mais ou menos faustosos. E há estrelas ansiosas por conquistar o mundo.

«Livre de Letra» é o espaço de opinião de Rui Loura, editor-geral do Maisfutebol.

Fonte: Mais Futebol

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