A desaceleração prolongada do mercado global de diamantes está a limitar a produção, a pressionar as receitas públicas e a travar a recuperação económica do Botswana.
O Botswana, maior produtor africano de diamantes, enfrenta um agravamento das pressões económicas devido à persistente queda dos preços das gemas, que levou a um acúmulo significativo de stocks e limitações à produção no curto prazo.
Segundo o Ministério das Finanças do país, o stock de diamantes atingiu 12 milhões de quilates no final de Dezembro de 2025, quase o dobro do nível máximo autorizado de 6,5 milhões de quilates, o que impede qualquer aumento imediato da produção enquanto os inventários não forem reduzidos.
Produção travada e impacto no crescimento
Em 2024, o Botswana produziu cerca de 18 milhões de quilates, sendo o segundo maior produtor mundial, atrás apenas da Rússia, de acordo com dados do Kimberley Process Certification Scheme. No entanto, a queda acentuada dos preços, pressionados pela fraca procura global e pela crescente concorrência dos diamantes produzidos em laboratório, levou a empresa Debswana — joint venture entre o Estado e a De Beers, responsável por 90% das vendas de diamantes do país — a suspender temporariamente operações em algumas minas ao longo de 2025.
Este contexto contribuiu para uma trajectória económica negativa: após uma contracção de cerca de 3% em 2024, a economia do Botswana deverá voltar a encolher quase 1% em 2025, reflectindo a forte dependência do sector mineiro.
Receitas públicas sob pressão
Os diamantes continuam a desempenhar um papel central na economia do país, contribuindo, em média, para cerca de 33% das receitas públicas e três quartos das receitas em moeda estrangeira. No entanto, as receitas minerais estão projectadas para cair drasticamente.
Para o exercício 2025/26, o Governo estima receitas minerais de apenas 10,3 mil milhões de pula (aproximadamente 729 milhões de dólares), um valor muito inferior à média histórica anual de 25,3 mil milhões de pula, evidenciando o impacto da actual conjuntura do mercado global de diamantes.
Tarifas e riscos externos
O cenário poderá agravar-se com a introdução de tarifas de 15% sobre exportações para os Estados Unidos, incluindo diamantes, bem como com potenciais aumentos tarifários em mercados-chave de consumo, como a Índia. Segundo o Ministério das Finanças, estas medidas podem prolongar a depressão dos preços, reduzir margens de lucro e provocar efeitos em cadeia sobre a actividade mineira e as finanças públicas.
Dependência estrutural em evidência
A situação actual volta a expor a vulnerabilidade estrutural da economia do Botswana à volatilidade do mercado diamantífero. O Governo reconhece que, enquanto o sector mineiro permanecer condicionado, a recuperação económica dependerá de um desempenho robusto do sector não-mineiro, num esforço de diversificação que continua a enfrentar desafios.
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p style="margin-top: 0in;text-align: justify;background-image: initial;background-position: initial;background-size: initial;background-repeat: initial;background-attachment: initial">Num contexto de transformação do mercado global de gemas, o caso do Botswana ilustra os riscos macroeconómicos associados à dependência excessiva de um único recurso natural, reforçando o debate sobre diversificação económica e resiliência fiscal em África.
Fonte: O Económico





