Resumo
O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, defendeu em Washington que o investimento privado, aliado à paz e à criação de emprego, é crucial para reduzir fragilidades em países em desenvolvimento. No Fórum sobre Fragilidades 2026 do Grupo Banco Mundial, Chapo destacou a importância de gerar oportunidades económicas duradouras para combater a fragilidade, referindo-se aos impactos das cheias, ciclones e instabilidade em Cabo Delgado. O Presidente sublinhou que o investimento é essencial para atrair investimento privado e financiar a transformação económica do país, alinhando-se com a visão do Banco Mundial de reforçar estratégias de prevenção de riscos. Chapo apresentou uma carteira de oportunidades de mais de 50 mil milhões de dólares, principalmente no setor energético, a investidores norte-americanos durante o evento.
A posição foi apresentada durante o Fórum sobre Fragilidades 2026, promovido pelo Grupo Banco Mundial, onde Daniel Chapo assumiu um papel de destaque ao tornar-se o único Chefe de Estado convidado para integrar o painel de alto nível e co-presidir à sessão inaugural ao lado do presidente do Grupo Banco Mundial, Ajay Banga.
A participação moçambicana no evento assumiu particular relevância numa altura em que os países afectados por conflitos, fenómenos climáticos extremos e vulnerabilidades institucionais concentram uma parcela crescente da pobreza global e enfrentam desafios cada vez mais complexos para mobilizar recursos destinados ao desenvolvimento.
“Fragilidade é uma realidade em Moçambique”, afirmou Daniel Chapo durante o debate, referindo-se aos impactos das cheias, ciclones e da instabilidade em Cabo Delgado. Contudo, para o Presidente da República, a resposta não deve centrar-se apenas na gestão das consequências, mas sobretudo na criação de condições para gerar oportunidades económicas duradouras.
“Para combater a fragilidade, a chave é o investimento”, defendeu o Chefe do Estado, sublinhando que a criação de emprego para a juventude constitui um dos instrumentos mais eficazes para reduzir vulnerabilidades sociais e fortalecer a estabilidade económica.
Investimento Como Pilar Da Resiliência
Durante o diálogo mantido com Ajay Banga, Daniel Chapo destacou que paz e desenvolvimento são condições fundamentais para atrair investimento privado, o qual considera indispensável para financiar a transformação económica do País.
A abordagem defendida por Moçambique converge com a visão actualmente promovida pelo Banco Mundial, que procura reforçar estratégias de prevenção e antecipação de riscos em contextos de fragilidade.
Segundo Ajay Banga, citado durante o encontro, a instituição está a desenvolver um Índice de Fragilidade que permitirá aos países identificar vulnerabilidades de forma antecipada, reduzindo os custos económicos e sociais associados à resposta tardia às crises.
A mensagem central do debate foi clara: investir na prevenção é substancialmente menos oneroso do que financiar a reconstrução após conflitos, desastres naturais ou crises económicas.
Carteira Superior A US$ 50 Mil Milhões Em Destaque
Paralelamente à sua participação no Fórum, Daniel Chapo aproveitou a deslocação a Washington para apresentar a investidores norte-americanos uma carteira de oportunidades avaliada em mais de 50 mil milhões de dólares, concentrada sobretudo no sector energético.
Durante um pequeno-almoço de trabalho realizado à margem do evento, o Presidente destacou os principais projectos de gás natural liquefeito em desenvolvimento na Bacia do Rovuma, incluindo os investimentos liderados pela ExxonMobil, TotalEnergies e ENI.
Entre os projectos apresentados, assume particular destaque o Rovuma LNG, liderado pela norte-americana ExxonMobil, avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares.
Segundo Daniel Chapo, o Governo mantém expectativas positivas relativamente à decisão final de investimento do projecto, cuja aprovação poderá ocorrer entre Agosto e Setembro deste ano.
O Presidente destacou igualmente a retoma operacional do projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, em Afungi, bem como os projectos Coral Sul e Coral Norte, liderados pela ENI, que representam investimentos combinados estimados em cerca de 15 mil milhões de dólares.
Gás Deve Financiar A Diversificação Económica
Apesar da forte aposta nos hidrocarbonetos, Daniel Chapo enfatizou que o gás natural deve ser encarado como um instrumento para financiar a diversificação da economia nacional e não como um fim em si mesmo.
“O gás vai acabar dentro de 20 ou 30 anos”, observou o Presidente, defendendo que as receitas provenientes dos projectos energéticos sejam canalizadas para sectores capazes de assegurar crescimento sustentável de longo prazo.
Neste contexto, o Chefe do Estado apontou a agricultura, a indústria transformadora, a produção de fertilizantes, o turismo, a logística e as infra-estruturas como áreas prioritárias para a aplicação dos recursos gerados pelo sector extractivo.
A estratégia inclui igualmente a expansão da capacidade energética nacional através da Central Norte de Cahora Bassa e do projecto hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa, iniciativas consideradas fundamentais para consolidar Moçambique como hub energético regional.
Moçambique Procura Posicionar-Se Como Plataforma Regional
Além da energia, Daniel Chapo destacou o potencial dos corredores logísticos, dos portos de Maputo, Beira e Nacala e dos instrumentos de parceria entre o sector público e privado para acelerar investimentos.
A aposta passa por utilizar a posição geográfica estratégica do País para transformar Moçambique numa plataforma regional de comércio, energia, logística e serviços, capaz de servir não apenas o mercado interno, mas também os países vizinhos da África Austral.
A mensagem transmitida aos investidores norte-americanos foi acompanhada pela reafirmação do compromisso do Governo com a melhoria do ambiente de negócios, a implementação da Lei de Conteúdo Local e o reforço dos mecanismos de cooperação com o sector privado.
Ao colocar investimento, emprego e paz no centro da estratégia nacional de desenvolvimento, Moçambique procurou afirmar-se em Washington não apenas como um país vulnerável às fragilidades globais, mas como uma economia que pretende transformar desafios estruturais em oportunidades de crescimento, inclusão e prosperidade sustentável.
Fonte: O Económico






