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Clima, Crescimento e Emprego: As Três Decisões Económicas Que Vão Moldar o Mundo em 2026

Resumo

O World Resources Institute destaca num ensaio a importância do ano de 2026 para alinhar a política climática com o crescimento económico, custo de vida e emprego, sublinhando que a transição climática deixou de ser apenas ambiental para ser estruturalmente económica. O foco passa a ser uma transição bem gerida, com impacto direto nas decisões sobre energia, indústria, habitação e emprego, redefinindo as economias a curto e médio prazo. O ensaio aponta a China como exemplo de uma abordagem estratégica, onde o setor de energia limpa já representa mais de 10% do PIB. Na União Europeia, o atraso em decisões estruturais começa a afetar a competitividade industrial. A transição climática é vista como uma estratégia económica, ligando clima, inflação e bem-estar social, com a energia renovável a ser considerada uma solução de custo de vida e não um luxo climático.

Um ensaio do World Resources Institute sustenta que 2026 será decisivo para alinhar política climática com crescimento económico, custo de vida e emprego, num momento em que a transição deixou de ser apenas ambiental para se tornar estruturalmente económica.

O maior risco já não é a transição, mas uma transição mal gerida.

Em 2026, a transição climática deixa de ser um debate prospectivo para se afirmar como uma questão imediata de política económica. Num ensaio publicado pelo World Resources Institute, uma das principais instituições globais de análise sobre clima e desenvolvimento, sustenta-se que as decisões tomadas agora sobre energia, indústria, habitação e emprego terão impactos directos sobre crescimento económico, custo de vida e estabilidade social, redefinindo a forma como as economias funcionam no curto e médio prazo.

Quando o clima deixa de ser custo e passa a ser estratégia económica

Segundo o WRI, a questão central já não é se a transição climática vai ocorrer, mas se os governos conseguirão torná-la economicamente benéfica no curto prazo. O ensaio é claro ao afirmar que “the real question for 2026 is no longer whether the world will transition, but whether governments can make that transition economically beneficial in the short term”, deslocando o debate do plano ambiental para o terreno da política económica concreta.

A análise destaca a China como exemplo paradigmático de uma abordagem estratégica. O sector de energia limpa representa já mais de 10% do PIB chinês, cerca de 1,9 biliões de dólares em 2024, resultado de decisões industriais tomadas há mais de uma década. Como sublinha o WRI, “China’s clean energy boom is not a climate experiment; it is an industrial strategy”, contrastando com a hesitação de outras economias avançadas.

Na União Europeia, o atraso em decisões estruturais — nomeadamente na transição automóvel — começa a traduzir-se em perda de competitividade industrial, num contexto em que outros blocos aceleram o investimento em cadeias de valor verdes.

Custo de vida: o ponto de contacto entre clima e economia doméstica

O ensaio do WRI sublinha que o sucesso político da transição dependerá da sua capacidade de aliviar pressões sobre as famílias. “Climate policy will succeed or fail based on whether it lowers household costs, not on how ambitious its long-term targets are”, refere o documento, ligando directamente clima, inflação e bem-estar social.

No sector energético, a evidência empírica mostra que, na maioria dos mercados, a energia renovável é hoje mais barata de instalar e operar do que novas infra-estruturas fósseis. O WRI nota que “renewables are increasingly a cost-of-living solution, not a climate luxury”, sugerindo que a transição pode reduzir a volatilidade das contas de electricidade no médio prazo.

A habitação surge como outro eixo crítico. Responsáveis por cerca de 40% das emissões globais, os edifícios são simultaneamente o maior encargo das famílias. O ensaio sublinha que “housing is where climate economics becomes personal”, defendendo políticas de reabilitação, eficiência energética e resiliência urbana como instrumentos económicos, e não apenas ambientais.

Emprego: onde a transição será politicamente ganha ou perdida

Para o WRI, o emprego é o verdadeiro teste da transição. “The climate transition will not be judged by emissions charts, but by paychecks”, afirma o ensaio, alertando que ganhos ambientais sem benefícios económicos tangíveis gerarão resistência social.

As estimativas indicam um potencial ganho líquido de cerca de 375 milhões de empregos ao longo da próxima década, apesar de aproximadamente 630 milhões de postos de trabalho — cerca de 18% da força laboral global — serem directamente afectados. O desafio central, segundo o instituto, reside na requalificação: “jobs will not automatically move from old sectors to new ones”.

A análise aponta exemplos como a Índia, onde a ausência de programas estruturados de formação ameaça excluir trabalhadores e pequenas empresas das novas cadeias de valor. Dados citados pelo WRI mostram ainda que a procura por competências ligadas à sustentabilidade cresce quase ao dobro da oferta disponível, criando um estrangulamento no mercado de trabalho.

Decisões de política económica com efeitos estruturais

O ensaio do World Resources Institute converge numa ideia central: “climate transition outcomes depend less on technology and more on policy choices made now”. Plataformas nacionais de financiamento climático, políticas industriais verdes, programas de habitação resiliente e estratégias de capacitação laboral são identificadas como determinantes para alinhar clima, crescimento e inclusão social.

Sem estas escolhas, o risco é o de uma transição fragmentada, marcada por ganhos sectoriais e perdas sociais, minando a legitimidade política da agenda climática.

Uma transição que tem de funcionar para as pessoas

O WRI conclui que a transição climática só será sustentável se produzir benefícios económicos visíveis no presente. “People will support climate action only if it improves their lives in tangible ways”, alerta o ensaio.

Em 2026, o clima afirma-se como um teste à capacidade dos sistemas económicos de gerar prosperidade inclusiva. O debate global já não é ambiental, mas profundamente económico: como crescer, como reduzir custos e como criar emprego num mundo em transição inevitável.

Fonte: O Económico

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