O lançamento do casco da unidade flutuante Coral Norte FLNG, realizado na Coreia do Sul, surge como um elemento de confirmação do progresso do projecto e da execução do respectivo calendário, reforçando a leitura de continuidade na implementação da estratégia de desenvolvimento do gás natural em Moçambique, com a produção prevista para 2028 a manter-se como horizonte central de impacto económico.
O Coral Norte FLNG constitui o segundo projecto de produção de gás natural liquefeito em águas ultra-profundas na Bacia do Rovuma, na sequência do Coral Sul FLNG, actualmente em operação. A conclusão do casco representa um passo técnico relevante, mas sobretudo um sinal de previsibilidade e disciplina na execução, num contexto em que os mercados valorizam cada vez mais a consistência entre planeamento, decisão e implementação.
Este desenvolvimento ocorre no quadro da aprovação do Plano de Desenvolvimento do projecto, em Abril de 2025, e reflecte a materialização gradual de um processo já conhecido e acompanhado pelos decisores públicos, investidores e parceiros internacionais.
Continuidade Estratégica E Leitura De Mercado
Do ponto de vista estratégico, o progresso do Coral Norte FLNG não altera o enquadramento geral da política energética nacional, mas reforça a credibilidade do calendário e das projecções associadas. Num mercado global de GNL marcado por elevada concorrência e crescente exigência em matéria de fiabilidade dos fornecedores, a previsibilidade dos projectos assume um valor económico tão relevante quanto a própria capacidade instalada.
A unidade Coral Norte FLNG terá uma capacidade de produção estimada em 3,6 milhões de toneladas de GNL por ano, elevando a produção total da Bacia do Rovuma para cerca de 7 milhões de toneladas anuais quando em plena operação. Este patamar consolida Moçambique como um fornecedor de dimensão média relevante no contexto africano e global.
Impacto Económico Projectado Mantém-se No Horizonte
A relevância económica do Coral Norte FLNG reside menos no momento actual de execução técnica e mais no impacto esperado a partir da entrada em produção, prevista para 2028. É nesse horizonte que se concentram as expectativas em termos de receitas fiscais, reforço da balança de pagamentos, geração de divisas e estabilidade macroeconómica.
Para o Estado moçambicano, o projecto continua a ser encarado como um dos pilares do financiamento de médio prazo, com potencial para aliviar constrangimentos estruturais de liquidez externa e apoiar a execução de políticas públicas em sectores prioritários.
Conteúdo Local E Capacidade Institucional
No plano interno, o Coral Norte FLNG mantém-se igualmente relevante como referência para a política de conteúdo local, formação de quadros nacionais e transferência de conhecimento técnico. Embora a fase actual seja predominantemente industrial e internacionalizada, a trajectória do projecto é acompanhada pelas autoridades reguladoras com vista a maximizar benefícios indirectos para a economia nacional.
O acompanhamento regulatório permanece a cargo do Instituto Nacional de Petróleos, enquanto a tutela do sector energético é assegurada pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia, no quadro das políticas definidas para o aproveitamento sustentável dos recursos naturais.
Um Marco Que Reforça Expectativas, Não As Redefine
Em síntese, o lançamento do casco do Coral Norte FLNG deve ser interpretado como um marco de confirmação, e não de redefinição, da trajectória do projecto. O seu principal significado reside na consolidação da narrativa de execução e previsibilidade, elementos essenciais para a credibilidade externa de Moçambique enquanto destino de investimento energético de longo prazo.
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p style="margin-top: 0in;text-align: justify;background-image: initial;background-position: initial;background-size: initial;background-repeat: initial;background-attachment: initial">À medida que o projecto avança para as fases seguintes, o foco desloca-se progressivamente do plano técnico para o debate económico e institucional: como traduzir a produção futura em crescimento inclusivo, estabilidade macroeconómica e desenvolvimento sustentável — o verdadeiro teste à estratégia do gás natural no país.
Fonte: O Económico






