Resumo
A aversão global ao risco impulsiona o dólar norte-americano, com a queda das tecnológicas e a nomeação de Kevin Warsh para a Reserva Federal a reforçarem a moeda. O yen estabiliza antes das eleições no Japão. O dólar mantém-se próximo de máximos de duas semanas, com um desempenho semanal robusto devido à aversão ao risco nos mercados globais. A nomeação de Warsh é interpretada como sinal de política monetária restritiva. O desmonte sincronizado de posições em vários ativos amplifica os movimentos, refletindo um mercado excessivamente posicionado num mesmo sentido. O yen recupera ligeiramente antes das eleições no Japão, enquanto o euro permanece estável após decisão do BCE. O dólar consolida o seu estatuto defensivo, sendo considerado um ativo de refúgio em momentos de stress financeiro.
O dólar norte-americano manteve-se esta sexta-feira próximo de máximos de duas semanas e caminha para o seu melhor desempenho semanal desde Novembro, num contexto de forte aversão ao risco nos mercados globais, marcada por uma venda acentuada de acções tecnológicas e pelo desmonte sincronizado de posições em vários activos, incluindo matérias-primas e criptomoedas
Aversão ao risco reposiciona fluxos para o dólar
O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana face a um cabaz de seis divisas, manteve-se próximo de 97,96 pontos, registando uma valorização semanal próxima de 1%, a mais expressiva desde meados de Novembro.
O movimento reflecte uma rotação defensiva dos investidores, num momento em que o aumento das preocupações com o retorno do investimento em inteligência artificial desencadeou uma forte correcção nas acções tecnológicas, particularmente nos Estados Unidos.
Warsh na Fed reforça leitura de política monetária restritiva
O fortalecimento do dólar ganhou fôlego após o Presidente Donald Trump ter nomeado Kevin Warsh como próximo presidente da Reserva Federal. Os mercados interpretam a escolha como um sinal de menor inclinação para cortes agressivos das taxas de juro, atenuando receios sobre a independência do banco central.
Apesar de dados recentes sugerirem algum abrandamento no mercado de trabalho norte-americano, os investidores continuam a rever posições excessivamente alinhadas com um cenário de flexibilização monetária rápida.
Desmonte de posições sincronizadas amplifica movimentos
Analistas sublinham que a intensidade dos movimentos reflecte um mercado excessivamente posicionado num mesmo sentido. Para Prashant Newnaha, estratega da TD Securities, o actual ambiente evidencia o desmonte de apostas consensuais em acções, matérias-primas, criptomoedas e moedas.
A correcção simultânea em vários mercados sugere uma mudança estrutural no sentimento, com investidores a reduzirem exposição ao risco e a privilegiarem liquidez e activos defensivos.
Yen ganha fôlego antes de eleições no Japão
No mercado cambial asiático, o yen japonês registou uma ligeira recuperação, negociando próximo de 156,7 por dólar, à medida que os investidores aguardam as eleições nacionais no Japão. O escrutínio tem gerado volatilidade adicional, num contexto de crescentes preocupações fiscais e de pressão sobre a dívida pública japonesa.
Apesar da recuperação pontual, o yen permanece próximo de mínimos de 18 meses, mantendo elevada a probabilidade de intervenção por parte das autoridades japonesas caso a desvalorização se intensifique.
Euro estável após decisão do BCE
O euro manteve-se relativamente estável, após o Banco Central Europeu ter mantido as taxas de juro inalteradas, minimizando o impacto dos movimentos do dólar nas suas decisões futuras. A moeda única continua, contudo, condicionada pela divergência de crescimento económico face aos Estados Unidos e pelo ambiente global de maior prudência financeira.
Dólar consolida estatuto defensivo no actual ciclo
O desempenho recente reforça o papel do dólar como activo de refúgio em momentos de stress financeiro, sobretudo num ciclo marcado por elevada incerteza tecnológica, geopolítica e monetária. Para os mercados emergentes, a valorização da moeda norte-americana tende a traduzir-se em pressões adicionais sobre fluxos de capitais, financiamento externo e taxas de câmbio locais.
Fonte: O Económico






