Resumo
O dólar norte-americano manteve-se estável na sessão asiática devido ao arrefecimento das tensões na Venezuela e a sinais mais cautelosos da Reserva Federal. A procura por ativos de refúgio diminuiu, com os mercados globais mostrando maior propensão ao risco. O índice do dólar ficou próximo de 98,36 pontos, interrompendo uma sequência de ganhos, refletindo uma fase de consolidação. As declarações de Neel Kashkari, presidente da Reserva Federal de Minneapolis, sobre riscos no mercado de trabalho dos EUA influenciaram o comportamento do dólar. Apesar da inflação controlada, a Reserva Federal pode manter uma postura cautelosa. Os mercados de futuros indicam alta probabilidade de manutenção das taxas de juro na próxima reunião da Fed, equilibrando sinais de abrandamento económico.
Arrefecimento das tensões em torno da Venezuela e sinais mais dovish da Reserva Federal reduzem procura por activos de refúgio, num início de semana marcado por maior propensão ao risco nos mercados globais.
O dólar norte-americano iniciou a sessão asiática desta terça-feira, 6 de Janeiro de 2026, em terreno estável, à medida que os receios geopolíticos associados à Venezuela perderam intensidade e o apetite pelo risco ganhou tracção nos mercados financeiros globais. A combinação entre menor procura por activos de refúgio e sinais mais acomodatícios da política monetária dos Estados Unidos contribuiu para uma dinâmica cambial mais equilibrada no curto prazo .
Alívio geopolítico reduz procura por refúgio
Após a forte volatilidade registada no final da semana anterior, os mercados cambiais reagiram de forma mais contida aos desenvolvimentos na Venezuela. O afastamento do risco imediato de disrupções mais profundas nos mercados de commodities levou a uma redução da procura por moedas consideradas porto seguro, como o dólar e o iene japonês.
O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana face a um cabaz de seis divisas, manteve-se próximo de 98,36 pontos, ligeiramente acima do fecho anterior, interrompendo uma trajectória de ganhos consecutivos e sinalizando uma fase de consolidação.
Política monetária e dados económicos moldam expectativas
O comportamento do dólar foi igualmente influenciado por declarações recentes de Neel Kashkari, presidente da Reserva Federal de Minneapolis, que alertou para riscos de deterioração no mercado de trabalho norte-americano. As declarações reforçaram a percepção de que a Reserva Federal poderá manter uma postura cautelosa nos próximos meses, mesmo perante uma inflação mais controlada.
Apesar disso, os mercados de futuros continuam a atribuir elevada probabilidade à manutenção das taxas de juro na próxima reunião da Fed, agendada para o final de Janeiro, reflectindo um equilíbrio delicado entre sinais de abrandamento económico e a resiliência global da economia norte-americana.
A pressão adicional sobre o dólar veio dos dados mais recentes da actividade industrial, com o índice ISM Manufacturing a recuar para um mínimo de 14 meses, reforçando a narrativa de perda de fôlego no sector transformador dos EUA.
Principais pares cambiais e activos alternativos
No mercado asiático, o dólar registou ganhos marginais face ao iene, negociando em torno de 156,7 ienes, enquanto se manteve praticamente estável face ao yuan chinês offshore. Em contrapartida, o euro e a libra esterlina apresentaram ligeiras desvalorizações face à moeda norte-americana, num ambiente de baixa volatilidade.
As moedas ligadas às commodities, como o dólar australiano e o neozelandês, recuaram modestamente, acompanhando ajustes técnicos após recentes máximos e a estabilização dos preços das matérias-primas. No segmento dos activos digitais, o bitcoin e o ether registaram perdas ligeiras, acompanhando a moderação do sentimento especulativo.
Perspectiva de curto prazo
No curto prazo, a trajectória do dólar deverá continuar dependente de três factores centrais: a evolução do sentimento de risco global, a leitura dos próximos indicadores macroeconómicos dos Estados Unidos — em particular os dados do emprego — e os sinais que emergirem da Reserva Federal quanto ao calendário de política monetária.
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p style="margin-top: 0in;text-align: justify;background-image: initial;background-position: initial;background-size: initial;background-repeat: initial;background-attachment: initial">Com o risco geopolítico a perder intensidade e os investidores a privilegiarem activos de risco, o dólar tende a permanecer num intervalo relativamente estreito, alternando entre movimentos técnicos e reacções pontuais a dados económicos. O cenário dominante é de estabilização com viés defensivo, num mercado ainda sensível a choques externos, mas menos propenso a movimentos abruptos no imediato.
Fonte: O Económico






