InícioDesportoÉ português, casou com uma argentina, anda há três meses em lua...

É português, casou com uma argentina, anda há três meses em lua de mel e vai viver o Mundial até ao fim

Resumo

Pedro, português, e Lupe, argentina, embarcaram numa aventura de lua de mel sem data para acabar, percorrendo África, América do Sul e agora Miami, onde alugaram uma autocaravana para seguir os jogos de Portugal e Argentina. Apelidam a viagem de "Caravana do Golo" e esperam terminar em Nova Iorque a 19 de julho, com Portugal a ganhar o campeonato do mundo. Depois de dormirem em redes durante a viagem, agora têm companhia de um casal. Pedro destaca o calor intenso de Miami, descrevendo a cidade como a capital não-oficial da América Latina, com muita animação e festa. A história do casal é marcada por aventura e entusiasmo, numa jornada que promete ser inesquecível.

Miami ferve. O calor é denso, a humidade cola-se à pele e as ruas são um desfile interminável de sotaques, cores e camisolas de futebol. Uma festa que merece ser vivida.

No meio desta selva urbana que serve de capital não-oficial da América Latina, encontramos Pedro e Lupe. Ele é português, aventureiro, com um dom natural para a conversa e uma energia inesgotável. É daqueles portugueses que se não tivesse mais nada para fazer na vida, podia ser um comercial de sucesso.

Ela é argentina, charmosa e dona de uma paciência sorridente.

Antes de mais, convém esclarecer que encontrar um português na paradisíaca Ocean Drive é pouco menos difícil do que encontrar uma agulha num palheiro. Entre milhares e milhares de adeptos, contam-se pelos dedos de uma mão os compatriotas com quem nos cruzámos.

Camisolas de Portugal, sim, há várias, mas é apenas porque as cores nacionais já não são só nossas: são universais, e muitos estrangeiros gostam de desfilar orgulhosamente com uma.

«Chegámos hoje de manhã da Amazónia e posso garantir que aqui em Miami está mais húmido e mais quente do que na Amazónia. Ainda estou um bocadinho verde, aquela exuberância de vegetação tingiu um bocado o tecido, mas o que é certo é que está um calor absolutamente magnífico aqui», começa por dizer Pedro.

«Por outro lado, e como toda a gente minimamente boa em geografia sabe, Miami é a capital da América Latina. Portanto, é sempre um ambiente muito divertido. Muita animação, pessoas de todos os lados, muita festa. Os países sul-americanos sabem fazer a festa. E, portanto, nós estamos animados. Um bocadinho cansados, algumas olheiras. Mas estamos lá.»

A história de Pedro e Lupe é toda ela digna de ser contada. Casaram em Buenos Aires e decidiram embarcar numa lua de mel sem data para acabar. Começaram por África, Quénia e Tanzânia, passaram para a América do Sul e nunca durante estes três meses dormiram numa cama king size coberta com lençóis de algodão puro.

«Dormíamos em redes e se pudéssemos dar as mãos já era uma sorte, porque estávamos tapados pelas redes mosquiteiras. Portanto, não foi uma lua de mel tradicional, não teve nada a ver com aquele resort de águas turquesas, com praia privada. Foi mais redes de náilon e poliéster.»

Agora estão em Miami, onde alugaram uma autocaravana e preparam-se para correr o país, atrás das seleções de Portugal e da Argentina.

«Chamamos-lhe a Caravana do Golo. Alugámos uma caravana aqui em Miami e vamos rodar o país inteiro, a seguir os jogos de Portugal, e da Argentina também. Espero só terminar no dia 19 de julho, em Nova Iorque, com Portugal a levantar a taça de campeão do mundo. Há várias variáveis que estão em cima da mesa e não vou criar mais conjeturas. Há muitos elementos em movimento, mas estou francamente convencido que este ano podemos chegar longe.»

Depois de terem percorrido dois continentes sozinhos, agora têm companhia.

«Sim, temos aqui um casal mais recente, a minha prima Teresa e o meu grande amigo Alex. Conheceram-se no nosso casamento em Buenos Aires, começaram a namorar entretanto e agora estamos a fazer esta viagem juntos.»

Teresa e Alex pouco intervêm, é quase sempre André que fala e Lupe de vez em quando também acrescenta alguma coisa. O casal mais recente acabou de chegar, aterrou no meio de uma festa imensa e parece ainda estar a habituar-se ao jet-lag.

Pedro e Lupe não, esses vieram parar ao sítio certo, sem dúvida. Falam sem parar.

«Estamos a viver aquilo a que chamamos uma lua longa. A primeira paragem foi África. Quénia, Tanzânia. Depois voltamos para a Argentina, corremos o interior do Brasil e terminámos na Amazónia brasileira, antes de virmos para aqui», atira Lupe.

«Nós queríamos ir a vários lugares na América do Sul, queríamos ir ao Peru, queríamos ir à Bolívia e depois ir ao Brasil. Mas fomos ao concerto do Gilberto Gil, da turnê de despedida, em Buenos Aires. Convidámos os pais da Lupe, que têm mais ou menos a idade do Gilberto Gil. Estávamos no concerto e percebemos: olha, e se fôssemos já para o Brasil? Mudámos os planos da viagem, já não fomos ver o Peru nem a Bolívia, e agora aqui estamos. Por isso, obrigado, Gilberto. Saudades, já.»

Pelo meio, Pedro fala de poliéster, poliéster e mais poliéster. Não dá para perceber se é só humor natural ou se já tem algum álcool à mistura.

Afinal de contas, aquele calor todo não se aguenta sozinho...

«Aliás, o poliéster, só para dar aqui a nota, é um tema que nos move. Neste Mundial temos um desafio que queremos lançar a toda a gente: o Mundial Polyester Challenge», atira.

«E que desafio é este? Queremos desafiar toda a gente a usar todos os dias durante este Mundial uma peça de poliéster da vossa seleção. Valorizem o poliéster. Mais tarde vão ver as imagens deste Mundial e vão lembrar-se que isto foi o paraíso do poliéster. Todos os países do mundo representados em poliéster. É quase poético.»

É, está visto que é no poliéster que o português encontrou o seu grande manifesto de vida. Mas em frente. Têm planos de um dia voltarem a ter um emprego. Ou pelo menos a trabalhar?

«Até o final do Mundial, com certeza que não. Até o final do ano, não sabemos. Imagina que após o Mundial me pedem para abrir uma linha de montagem numa fábrica só de poliéster. Aqui, Miami Beach é um bom exemplo. Praias magníficas, muitos plásticos, um ótimo local para reciclar garrafas colhidas no mar e aproveitá-las para fazer poliéster.»

Siga a festa. Mais cinco cervejas para esta mesa, por favor.

Fonte: CNN Portugal


Descubra mais de Revista Tempo

Inscrever-se para receber as últimas mensagens enviadas para o seu e-mail.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, digite seu nome aqui
Por favor digite seu comentário!

- Advertisment -spot_img

Últimas Postagens

Decorre hoje velório de Dom Osório Citora em Nampula 

0
Na cidade de Nampula, decorre o velório de Dom Osório Citora Afonso, reunindo familiares, membros da Igreja, autoridades e fiéis para a última homenagem ao...
- Advertisment -spot_img