Resumo
Em muitas escolas, a pressão financeira afeta o acesso à educação, com relatos de pedidos de pagamentos extras para realizar exames nas 10.ª e 12.ª classes. Esta prática estende-se ao ensino superior, onde estudantes são obrigados a pagar por serviços académicos básicos. Tal cenário revela uma lógica prejudicial, transformando o sucesso escolar em algo comercial. Aqueles com menos recursos enfrentam obstáculos injustos, minando a equidade educativa. Além disso, estas práticas minam a confiança nas instituições e desvalorizam os certificados emitidos. É crucial responsabilizar os docentes que exigem pagamentos, bem como as direções escolares e universitárias pela falta de supervisão. É essencial combater comportamentos que comprometem a ética profissional e a qualidade do sistema educativo.
A escola deveria ser um espaço onde mérito, esforço e aprendizagem definem o futuro do estudante. Contudo, em diversos estabelecimentos de ensino, a realidade segue um caminho bem diferente. À medida que se aproximam os exames finais, surgem cobranças que transformam o direito à educação num produto transacionado.
Na 10.ª e 12.ª classes, etapas decisivas do percurso académico, há relatos de professores que falam com os alunos e pedem valores extras para que estes possam realizar os exames. Quem não paga, arrisca-se a ser excluído. A pressão psicológica recai sobre jovens que deveriam estar concentrados em estudar, e não em negociar o seu acesso à prova.
O cenário não difere muito no ensino superior. Em algumas instituições, estudantes precisam pagar para regularizar avaliações, garantir a revisão de notas ou ter acesso a sala de exame. O processo educativo acaba por converter-se em sucessivas exigências financeiras, como se cada passo académico fosse um serviço adicional.
Estas práticas revelam uma lógica nociva, a ideia de que o sucesso escolar está à venda. Quando a progressão depende da carteira do aluno, e não da sua dedicação, a escola abdica da sua função essencial de promover equidade. Aqueles que vêm de famílias com maiores dificuldades económicas ficam condenados a obstáculos que nada têm a ver com a sua capacidade intelectual.
Além de lesar os estudantes, essas cobranças corroem a confiança nas instituições e fragilizam o valor dos certificados que emitem. Se o dinheiro se torna determinante, o conhecimento perde relevância e a sociedade inteira perde qualidade no seu capital humano.
Por isso, a responsabilização precisa de ser um pilar central. Docentes que usam a sua posição para impor pagamentos devem ser investigados e sujeitos a sanções adequadas, de modo a afastar comportamentos que ferem a ética profissional. Direções escolares e universitárias devem prestar contas pela falta de fiscalização interna. E as entidades governamentais têm o dever de garantir mecanismos de denúncia seguros, protegendo o estudante de retaliações e assegurando que cada caso recebe resposta firme e imparcial. A omissão, neste contexto, não pode ser tolerada.
Educar não é arrecadar. A cada estudante impedido de aprender por falta de dinheiro, perde-se talento, motivação e futuro. E um país que aceita que a educação se transforme num negócio restrito, em vez de um direito universal, acabará por pagar, mais tarde, um preço maior do que qualquer propina cobrada às escondidas.






