Resumo
A Missão de Apuração de Fatos sobre o Irã lamenta a falta de acesso ao país para investigar o ataque a uma escola que matou 168 crianças. Max du Plessis revela preocupação com a situação, incluindo bloqueio da internet e impacto humanitário, com 1,3 mil mortos e 9 mil feridos, incluindo 200 crianças e mulheres. A Unicef reporta danos em 20 escolas, enquanto a Unesco destaca ataques a sítios do património cultural. A Acnur menciona 3 milhões de deslocados e confrontos no Líbano entre Hezbollah e forças israelitas. A crise gera 107 crianças mortas e 331 feridas, agravando a insegurança alimentar e pressão nos sistemas de saúde. As agências da ONU intensificam o auxílio de emergência, mas alertam para o colapso iminente dos serviços públicos em Gaza e na Cisjordânia.
Falando a jornalistas, em Genebra, um dos membros da Missão, Max du Plessis, declarou que os especialistas seguem sem acesso ao Irã.
Incerteza e caos gerados pelo conflito
Ele acrescentou que já pediu entrada e continuará a insistir. No entanto, revelou que, à distância, há certamente muita preocupação com as notícias a respeito desse ataque que está sendo avaliado, de forma prioritária.
Max du Plessis contou ainda que o bloqueio da internet também causa apreensão por isolar a população do acesso à informação e à conectividade.
O grupo revelou que outra questão preocupante é a incerteza e o caos gerados pelo conflito.
Em relação ao impacto da guerra sobre os civis e inocentes, Max du Plessis citou dados da Organização Mundial da Saúde, OMS, apontando para a morte de 1,3 mil pessoas.
Entre as vítimas fatais contam-se pelo menos 200 crianças com menos de 12 anos, bem como 200 mulheres. O número confirmado de feridos indica que o total chega a 9 mil. Oito profissionais de saúde perderam à vida enquanto duas mortes de profissionais de saúde foram confirmadas em Israel.
Menores e ataques a sítios do patrimônio cultural
Pelas informações do Fundo da ONU para a Infância, Unicef, pelo menos 20 escolas foram danificadas.
A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, está preocupada em particular com ataques a sítios do patrimônio cultural. Foram danificados quatro dos 29 sítios locais desde o início da guerra do Irã.
A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, fala de grandes prejuízos na vida dos civis após relatos de até 3 milhões de novos deslocados ou pessoas que fugiram dos lares em busca de segurança.
Por todo o vizinho Líbano, continuam acontecendo confrontos entre as milicias Hezbollah e forças israelenses ao mesmo empo em que as necessidades humanitárias se acentuam.
Na terceira semana da crise, estima-se que 830 mil pessoas tenham sido deslocadas no país, incluindo cerca de 290 mil menores. O conflito gerou 107 crianças mortas e 331 gravemente feridas.
Alimentos e pressão sobre sistemas de saúde
Numa situação tida como “extremamente alarmante”, agências da ONU ampliam o auxílio de emergência. Mas pioram o deslocamento, a insegurança alimentar e a pressão sobre sistemas de saúde já sobrecarregados devido ao impacto da guerra em expansão.
Com a equipe posicionada em Gaza e na Cisjordânia, o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos, Unops, alertou que os serviços públicos essenciais estão à beira do colapso.
Nessas áreas é feita a compra de equipamentos essenciais, como clínicas móveis, estações de tratamento de água movidas a energia solar e maquinário para gestão de resíduos.
As interrupções que se observam no espaço aéreo e nos corredores de transporte no Oriente Médio refletem-se nas operações humanitárias e nas cadeias de suprimentos comerciais.
Mercados de energia e transporte marítimo
A situação ameaça prejudicar a entrega de suprimentos básicos, onde já aumentou o risco de alta nos preços dos alimentos e estão ainda mais sobrecarregados os frágeis sistemas de saúde.
A crise em andamento no Oriente Médio interrompe o tráfego marítimo através do Estreito de Ormuz, uma artéria vital para o comércio global, segundo a Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad.
A agência prevê que os efeitos em cascata possam ir muito além da região, impactando os mercados de energia, o transporte marítimo e as cadeias de suprimentos.
Outro potencial é da alta de custos de energia, fertilizantes e transporte virem a fazer aumentar preços de alimentos e intensificar as pressões sobre o custo de vida, particularmente para os mais vulneráveis.
Teme-se que subam os valores de taxas de frete, preços de combustível marítimo e prêmios de seguro.
Fonte: ONU






