Resumo
Ataques a navios-tanque, evacuação de terminal petrolífero em Omã e ameaça de bloqueio do Estreito de Ormuz elevam tensão nos mercados energéticos globais, levando os preços do petróleo acima dos 100 dólares por barril. O Brent Crude atingiu os 100,51 dólares e o WTI os 94,36 dólares, devido ao aumento do risco geopolítico no Médio Oriente. Omã evacuou o terminal de Mina Al Fahal após ataques com drones, enquanto no Iraque suspenderam operações em terminais devido a ataques a navios-tanque. A libertação de reservas estratégicas pela AIE não acalmou os investidores, que temem interrupções no abastecimento global. A ameaça de bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irão poderá gerar uma crise energética global, com potenciais impactos na inflação e economias importadoras de energia. A evolução da crise no Médio Oriente será crucial para os preços do petróleo.
Os preços do petróleo voltaram a ultrapassar a marca psicológica dos 100 dólares por barril esta quinta-feira, 12 de Março de 2026, impulsionados pelo agravamento das tensões no Médio Oriente e por novas perturbações na infraestrutura energética da região.
Segundo dados citados por agências internacionais como Reuters, Bloomberg e DW, o Brent Crude, referência para os mercados internacionais, registou uma subida de cerca de 9%, atingindo os 100,51 dólares por barril, enquanto o WTI (West Texas Intermediate), referência norte-americana, subiu para aproximadamente 94,36 dólares.
A subida reflecte o aumento do risco geopolítico associado ao conflito em curso entre Estados Unidos, Israel e o Irão, que tem provocado ataques a infra-estruturas energéticas e a rotas estratégicas de transporte de petróleo no Golfo.
Ataques e evacuações alimentam receios de ruptura na oferta
O mercado reagiu particularmente à decisão de Omã de evacuar todos os navios do terminal petrolífero de Mina Al Fahal, uma infraestrutura estratégica localizada no Golfo de Omã.
Segundo informações divulgadas pela Bloomberg, a medida foi adoptada como precaução após ataques com drones que atingiram instalações de armazenamento de combustível no Porto de Salalah, o maior porto do país.
A evacuação de Mina Al Fahal assume especial relevância porque este terminal constitui uma das poucas rotas alternativas de exportação de petróleo fora do Estreito de Ormuz, actualmente sob ameaça de bloqueio.
Em paralelo, a situação agravou-se no Iraque, onde as autoridades suspenderam temporariamente todas as operações nos seus terminais petrolíferos, depois de ataques a dois navios-tanque em águas iraquianas.
Estas perturbações aumentaram significativamente os receios de interrupção do abastecimento global de petróleo.
Mercado ignora libertação de reservas estratégicas
A escalada dos preços ocorre mesmo após a Agência Internacional de Energia (AIE) ter anunciado a libertação de cerca de 400 milhões de barris das reservas estratégicas de petróleo, numa tentativa de estabilizar o mercado.
Apesar desta intervenção, os investidores continuam a reagir com pessimismo, considerando que o impacto da crise geopolítica poderá ser mais profundo do que a capacidade de resposta imediata das reservas estratégicas.
Analistas do sector energético sublinham que o mercado petrolífero está actualmente dominado por factores geopolíticos e riscos de segurança energética, que tendem a amplificar movimentos bruscos nos preços.
Estreito de Ormuz volta ao centro da crise energética
O elemento mais sensível da actual crise é a ameaça do Irão de bloquear totalmente o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo.
Cerca de 20% do consumo mundial de petróleo transita diariamente por esta passagem marítima, que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico.
Especialistas alertam que um bloqueio efectivo desta rota poderá provocar uma disrupção sem precedentes no mercado energético global, com alguns cenários extremos a apontarem para preços que poderiam ultrapassar os 200 dólares por barril caso o conflito se intensifique.
Impactos globais e riscos para a inflação
A subida dos preços do petróleo poderá ter efeitos directos sobre a inflação global, pressionando custos de transporte, produção industrial e preços de combustíveis.
Para países importadores de energia, particularmente economias emergentes e africanas, o aumento do preço do crude poderá traduzir-se em pressões adicionais sobre balanças comerciais, custos de importação e estabilidade macroeconómica.
Num contexto já marcado por tensões geopolíticas e volatilidade nos mercados energéticos, a evolução da crise no Médio Oriente continuará a ser um factor determinante para a trajectória dos preços do petróleo nas próximas semanas.
Fonte: O Económico






