Resumo
A UNCTAD alerta que as perturbações no Estreito de Ormuz, um dos principais corredores energéticos do mundo, estão a impulsionar os preços do petróleo, fertilizantes e transporte marítimo. Cerca de um quarto do comércio global de petróleo passa por este estreito, tornando-o crucial para a segurança energética mundial. A escalada das tensões militares na região resultou numa redução de 97% no tráfego marítimo diário, afetando as cadeias de abastecimento globais. Os preços do petróleo subiram significativamente, com o Brent a ultrapassar os US$90 por barril, e os preços do gás natural europeu aumentaram cerca de 74%. A interrupção do transporte de fertilizantes também representa uma ameaça para a segurança alimentar global, afetando países em desenvolvimento como Moçambique. Os custos de transporte e seguros marítimos dispararam devido à crise.
Um dos corredores marítimos mais críticos do mundo
O agravamento das tensões militares no Médio Oriente está a provocar uma disrupção significativa no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do comércio internacional.
Segundo um relatório divulgado pela UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento), cerca de um quarto de todo o comércio marítimo global de petróleo atravessa este estreito, o que o transforma num ponto crítico para a segurança energética mundial.
Em 2024, aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo por dia transitaram por este corredor marítimo, incluindo crude, condensados e produtos refinados, além de volumes significativos de gás natural liquefeito (GNL) e fertilizantes destinados aos mercados globais.
Tráfego marítimo praticamente interrompido
O impacto da escalada militar tem sido imediato no transporte marítimo.
Dados apresentados no relatório mostram que o número de navios que atravessam diariamente o Estreito de Ormuz sofreu uma queda abrupta de 97%, passando de uma média de 141 navios por dia em Fevereiro para apenas algumas unidades após o início da crise.
Esta interrupção tem repercussões directas nas cadeias globais de abastecimento, especialmente no transporte de energia e matérias-primas estratégicas.
Mercados energéticos reagem com forte volatilidade
Os mercados internacionais de energia reagiram rapidamente às tensões.
Entre 27 de Fevereiro e 9 de Março de 2026, os preços do petróleo registaram uma subida significativa, com o Brent a ultrapassar os US$90 por barril, enquanto os preços do gás natural europeu aumentaram cerca de 74% no mesmo período.
O relatório destaca que estas oscilações podem desencadear efeitos em cadeia na economia global, afectando custos de produção, transporte e energia.
Fertilizantes e segurança alimentar também em risco
O impacto não se limita ao sector energético.
Cerca de um terço do comércio marítimo mundial de fertilizantes passa pelo Estreito de Ormuz, o que torna a interrupção do corredor uma ameaça adicional para a segurança alimentar global.
Os fertilizantes exportados a partir do Golfo Pérsico incluem sobretudo ureia (67%), fosfato diamónico (20%) e fosfato monoamónico (9%), insumos essenciais para a produção agrícola em vários países em desenvolvimento.
Algumas economias africanas e asiáticas dependem significativamente destas importações. Entre elas, Moçambique obtém cerca de 22% dos fertilizantes importados por via marítima a partir desta região, segundo os dados compilados pela UNCTAD.
Custos de transporte e seguros disparam
Outro efeito imediato da crise tem sido a escalada dos custos logísticos no transporte marítimo.
Os índices globais de transporte de petróleo registaram aumentos abruptos, com o Baltic Dirty Tanker Index a subir 54% e o Clean Tanker Index 72% desde o início da escalada militar.
Ao mesmo tempo, o preço do combustível marítimo (bunker fuel) duplicou em alguns mercados, enquanto os prémios de seguro de guerra para navios aumentaram drasticamente.
Segundo a UNCTAD, o custo de seguro por viagem para um navio petroleiro avaliado em US$100 milhões pode passar de cerca de US$250 mil para até US$1 milhão, dependendo do nível de risco.
Pressão crescente sobre economias em desenvolvimento
A UNCTAD alerta que os efeitos económicos mais severos poderão recair sobre os países em desenvolvimento.
Muitas destas economias já enfrentam níveis elevados de dívida pública, restrições fiscais e acesso limitado ao financiamento internacional. Neste contexto, o aumento simultâneo dos preços da energia, dos fertilizantes e do transporte poderá intensificar pressões inflacionistas e agravar o custo de vida.
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p style="margin-top: 0in;text-align: justify;background-image: initial;background-position: initial;background-size: initial;background-repeat: initial;background-attachment: initial">O relatório sublinha que a magnitude do impacto dependerá da duração e intensidade da crise, bem como da capacidade da comunidade internacional de preservar corredores marítimos seguros para o comércio global.
Fonte: O Económico






