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Tuesday, January 13, 2026
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Financiamento de transição emerge como peça-chave para destravar investimento climático em economias emergentes

Relatório do OMFIF alerta que metas climáticas globais são inalcançáveis sem mecanismos financeiros que apoiem sectores intensivos em carbono na sua trajectória de transição, com particular incidência nos mercados emergentes.

O cumprimento das metas climáticas globais dependerá, em larga medida, da capacidade de mobilizar financiamento adequado para apoiar sectores intensivos em carbono na sua trajectória de transição. Esta é uma das principais conclusões do Transition Finance Working Group Report 2025, publicado pelo Official Monetary and Financial Institutions Forum, que defende o financiamento de transição como instrumento crítico para economias emergentes e em desenvolvimento.

Sem financiamento de transição, a transição não acontece

O relatório do OMFIF é claro ao afirmar que uma abordagem centrada exclusivamente no financiamento “verde” é insuficiente para responder à realidade das economias emergentes. Sectores como energia, transportes, mineração, cimento e agricultura continuarão a desempenhar um papel central no crescimento económico, exigindo soluções financeiras que permitam reduzir gradualmente a sua intensidade carbónica sem comprometer o desenvolvimento.

Segundo o documento, ignorar estes sectores equivale a excluir uma parte significativa da economia global dos fluxos de capital sustentável, atrasando a transição energética e climática.

Economias emergentes enfrentam défice estrutural de capital

De acordo com o OMFIF, os mercados emergentes concentram a maior parte do crescimento futuro das emissões, mas dispõem de recursos financeiros limitados para investir em tecnologias de transição. O custo de capital mais elevado, a perceção de risco e a fragilidade institucional dificultam o acesso ao financiamento de longo prazo necessário para projectos de descarbonização.

Este desequilíbrio cria um paradoxo estrutural: as economias que mais precisam de financiamento de transição são precisamente as que enfrentam maiores barreiras à sua mobilização.

Quadros regulatórios pouco claros travam investimento privado

O relatório sublinha que a ausência de definições harmonizadas sobre o que constitui financiamento de transição gera incerteza entre investidores. A falta de taxonomias claras, métricas de desempenho e critérios de credibilidade aumenta o risco de greenwashing e limita a escalabilidade deste tipo de instrumentos financeiros.

O OMFIF defende a adopção de quadros regulatórios pragmáticos, adaptados às realidades nacionais, que reconheçam trajectórias diferenciadas de transição e permitam avaliações graduais do progresso ambiental.

Bancos públicos e multilaterais como catalisadores

O documento atribui um papel central aos bancos públicos de desenvolvimento e às instituições financeiras multilaterais na mitigação de riscos e na mobilização de capital privado. Instrumentos como garantias, financiamento concessionário e estruturas de blended finance são apontados como essenciais para reduzir o custo de capital e tornar viáveis projectos de transição em sectores tradicionalmente considerados “castanhos”.

Esta abordagem é particularmente relevante para África, onde o investimento em infra-estruturas energéticas e industriais continua a ser determinante para o crescimento económico.

Mercados de capitais ainda subaproveitados

Apesar do crescimento de obrigações verdes e sustentáveis, o OMFIF destaca que os mercados de capitais permanecem subutilizados no financiamento da transição. A expansão de obrigações de transição e instrumentos ligados a metas de desempenho climático poderá ampliar significativamente a base de investidores e a escala do financiamento disponível.

No entanto, tal expansão depende de maior transparência, credibilidade e alinhamento entre emissores, reguladores e investidores institucionais.

Implicações para África e países como Moçambique

Para países africanos ricos em recursos naturais e com necessidades elevadas de investimento em energia, indústria e infra-estruturas, o financiamento de transição surge como uma oportunidade estratégica. Em vez de uma exclusão do financiamento internacional por razões ambientais, estes países podem beneficiar de mecanismos que apoiem trajectórias realistas de descarbonização, compatíveis com o crescimento económico e a criação de emprego.

O relatório sugere que a integração do financiamento de transição nas estratégias nacionais poderá reforçar a atractividade do investimento estrangeiro e melhorar o acesso ao capital internacional.

Entre pragmatismo económico e ambição climática

A principal mensagem do relatório do OMFIF é que a transição climática global exige pragmatismo financeiro. Sem instrumentos que reconheçam as realidades económicas e energéticas das economias emergentes, a transição corre o risco de se tornar desigual, lenta e socialmente insustentável.

O financiamento de transição surge, assim, como uma ponte necessária entre o presente intensivo em carbono e um futuro de baixo carbono, particularmente nos mercados onde o desenvolvimento económico e a acção climática precisam de avançar em paralelo.

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Fonte: O Económico

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