A preocupação com a insegurança foi manifestada pela chefe da brigada central de assistência à província, Amélia Muendane, que considera que a situação tem estado a sufocar, não só a população da província de Cabo Delgado, mas também o Governo central.
“As brigadas foram desdobradas em todo o território, e interagimos com os camaradas. Apresentaram como grande preocupação o terrorismo. Tanto que sufoca a província, sufoca a população e impede qualquer acção visando o desenvolvimento, a segurança e a estabilidade da nossa população. Portanto, esta é a maior preocupação”, disse Amélia Muendane.
Ainda assim, e apesar de estar consciente de que o trabalho que está a ser feito pelo Governo está a surtir efeitos, “a população continua bastante preocupada com essa instabilidade que está a acontecer ao nível da província”, disse.
O partido Frelimo afirma estar a trabalhar na busca de uma solução para Cabo Delgado, mas está com dificuldades, devido à suposta falta de abertura do grupo armado que até agora esconde as reais motivações do conflito e não revela publicamente os seus líderes para um eventual diálogo.
“Para se iniciar um diálogo, é necessário primeiro aparecerem as caras dos líderes. E, relativamente ao terrorismo, as caras não aparecem. Nós verificamos apenas que estamos a ser dizimados, e o que nós estamos a fazer é defender a nossa população, que é a primeira prioridade. O diálogo que o camarada Presidente está a promover é com as caras que aparecem”, disse, acrescentando que “neste caso específico, temos partidos políticos que têm os seus ideais, têm as suas ideologias e, para trazer uma visão de soberania nacional tendo presentes os diferentes ideais, era importante que houvesse um diálogo”.
Amélia Muendane disse que é nesta perspectiva que o Presidente da República criou o Diálogo Nacional Inclusivo, ora transformado em lei, como forma de trazer uma visão de soberania.
“Que tipo de Estado é que nós queremos? Que tipo de sociedade é que nós queremos? Que tipo de economia é que nós queremos? Como é que nós queremos que as instituições funcionem? Para responder a essas questões, é necessário que as pessoas se encontrem. Diferentemente do terrorismo, que nós não conseguimos ver as caras, vemos as catanas. Então, é mais difícil haver diálogo, e o trabalho que está a ser feito pelo Governo é visar a defesa da soberania, a defesa das nossas populações e garantir que haja estabilidade a nível nacional”, determinou Muendane.
A visita da brigada central da Frelimo de assistência a Cabo Delgado tinha como principal objectivo o acompanhamento do processo de recenseamento de raiz dos membros do partido ao nível da província.
Fonte: O País






