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Fundo Soberano Fecha 2025 Com Activos de USD 110,2 Milhões e Lucro de USD 210,6 Mil

Resumo

O Fundo Soberano de Moçambique fechou 2025 com ativos de USD 110,2 milhões e um lucro de USD 210,6 mil, mantendo uma estratégia de tesouraria baseada em depósitos overnight no exterior. As demonstrações financeiras revelam ativos de USD 110,2 milhões e passivos de USD 1,3 mil, resultando em capitais próprios de USD 110,1 milhões. Os ganhos provêm principalmente de juros de depósitos overnight no exterior, sem diversificação de investimentos. As taxas de juro variaram entre 3,60% e 3,90% com três contrapartes no exterior. O capital do Fundo deriva da produção de gás natural liquefeito da Bacia do Rovuma. A carteira apresenta predominantemente ratings de A+ e A em termos de risco de crédito.

O Fundo Soberano de Moçambique (FSM) terminou 2025 com activos de USD 110,2 milhões e um resultado líquido positivo de USD 210,6 mil, reflectindo uma estratégia de tesouraria ainda centrada em depósitos overnight no exterior e custos operacionais praticamente inexistentes, num ano em que a arquitectura de governação e investimento do Fundo começa a ganhar forma, à medida que o país procura transformar receitas do gás em poupança intergeracional e num amortecedor para choques orçamentais.

Uma carteira de USD 110 milhões ainda em fase de arranque

As demonstrações financeiras individuais do FSM, relativas ao exercício findo em 31 de Dezembro de 2025, indicam que os activos totalizaram USD 110.184.446,63, enquanto os passivos ficaram por USD 1.311,77, resultando em capitais próprios de USD 110.183.134,86. A estrutura do activo é, por ora, simples e altamente líquida: caixa e equivalentes de caixa de USD 2.545,75, aplicações de liquidez de USD 110.170.550,12 e acréscimos e diferimentos de USD 11.350,76, associados à especialização de juros.

Ganhos vieram de depósitos overnight e não de uma carteira diversificada

O resultado líquido de USD 210.589,11 decorreu essencialmente de “juros e rendimentos equiparados” no montante de USD 211.900,88, compensados por “comissões, custos bancários, variação de preços e juros de mora” de USD 1.311,77. Na prática, o desempenho do primeiro ano reportado resulta de uma actividade financeira de baixa complexidade, com retorno alinhado com taxas de curto prazo, sem que ainda se observe diversificação por instrumentos, maturidades ou classes de activos.

Três contrapartes no exterior e taxas entre 3,60% e 3,90%

O documento explicita que os juros foram gerados por aplicações em depósitos de muito curto prazo (overnight) realizadas no exterior, com início a 12 de Dezembro de 2025, junto do Bred Banque Populaire, The Toronto–Dominion Bank e Sumitomo Mitsui Trust Bank, Ltd. Para estas aplicações, as taxas de juro mínimas e máximas reportadas a 31 de Dezembro de 2025, para horizonte “até 1 mês”, situaram-se entre 3,60% e 3,90%, sinalizando uma gestão de liquidez orientada para preservação de capital e disponibilidade imediata, em detrimento de retorno de longo prazo.

Capital do Fundo nasce do LNG da Bacia do Rovuma

A Nota sobre o capital estabelece que o montante reconhecido — USD 109.972.545,75 — corresponde a receitas provenientes da produção de gás natural liquefeito das Áreas 1 e 4, offshore da Bacia do Rovuma, nos termos da legislação que criou o Fundo. Este dado é central para o debate público: confirma a materialização do mecanismo de canalização de receitas do gás para um veículo patrimonial do Estado, ainda que, nesta etapa, a estratégia financeira permaneça fortemente ancorada em liquidez.

Qualidade de risco: predominância de A+ e A na carteira

Em matéria de risco de crédito, a carteira surge segmentada por rating, com a maior fatia em A+ (USD 75.107.492,41) e a restante componente relevante em A (USD 35.063.057,71), enquanto o montante “sem rating” é residual (USD 2.545,75), correspondente a depósitos à ordem. Este perfil reforça a narrativa de prudência e baixo apetite ao risco no arranque, mas também evidencia a ausência de instrumentos com maior potencial de retorno e maturidade compatível com objectivos intergeracionais.

Banco de Moçambique no centro da gestão operacional

As demonstrações sublinham que foram aprovadas pelo Governador do Banco de Moçambique, enquanto entidade máxima responsável pela gestão operacional do FSM, e que a estrutura de reporte segue IFRS, articulada com a Lei do FSM, o regulamento aprovado por decreto, a Política de Investimentos (referida como Resolução n.º 38/2025, de 7 de Novembro) e um acordo de gestão entre o Banco de Moçambique e o Ministério das Finanças assinado em Novembro de 2025. Este enquadramento institucional é relevante: coloca o Banco Central como eixo de execução operacional, num modelo em que a credibilidade do Fundo dependerá, em grande medida, de regras claras de investimento, mecanismos de prestação de contas e disciplina de objectivos.

Do “parqueamento” de liquidez ao investimento de longo prazo

O retrato de 2025 sugere um Fundo ainda mais próximo de uma conta de liquidez sofisticada do que de uma plataforma de investimento soberano plenamente implementada. A transição para o mandato estrutural — poupança de longo prazo, estabilização e financiamento do desenvolvimento — dependerá da velocidade com que a política de investimentos sair do papel para uma alocação efectivamente diversificada, com horizontes de maturidade, limites de risco e critérios de desempenho coerentes com a natureza soberana do instrumento. A fotografia financeira já revela, contudo, um ponto de partida mensurável: capital identificado, retorno positivo, custos contidos e um primeiro enquadramento institucional de gestão.

Fonte: O Económico

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