Resumo
O Governo vai avaliar medidas para conter a importação excessiva de produtos de cerâmica em Moçambique, a fim de proteger a produção nacional. A fábrica Safira Mozambique Ceramic encerrou uma linha de produção devido à concorrência das importações, resultando no desemprego de 700 trabalhadores. O secretário de Estado do Comércio, António Grispos, mencionou que a Comissão Consultiva de Importações irá propor medidas ao Governo para reverter a situação, possivelmente aumentando a sobretaxa nas importações. O objetivo é proteger a indústria local e evitar a importação de produtos que poderiam ser produzidos internamente. A criação da Zona Económica Especial em Moamba, onde está localizada a fábrica, está em curso, com um investimento de 124 milhões de dólares.
A informação foi avançada pelo secretário de Estado do Comércio, António Grispos, no final de uma reunião com representantes da Safira Mozambique Ceramic, uma fábrica de tijoleiras e azulejos situada no distrito de Moamba, província de Maputo.
O secretário de Estado do Comércio afirmou que a Safira encerrou uma linha de produção de produtos de cerâmica “devido à concorrência feroz imposta pelas importações desregradas”.
Segundo Grispos, a situação levou ao desemprego de 700 trabalhadores e à perda de tantos outros postos de trabalho indirectos.
“Esta visita hoje à Safira é feita na qualidade de presidente da Comissão Consultiva de Importações, para avaliar o impacto que a Safira esta a enfrentar com a importação desmesurada e desregrada de produtos de cerâmica. Realçar que eles têm uma linha de produção fechada, neste momento, muitos milhões de metros quadrados que deixaram de ser produzidos”, afirmou.
Refereriu que a Comissão Consultiva de Importações vai propor ao Governo medidas para reverter a situação, avançou.
“São factores diversos que têm estado a pôr em causa a sobrevivência de famílias, foi feito aqui investimento e temos que olhar para isto”, enfatizou António Grispos.
Sobre o tipo de medidas que serão propostas ao Governo, para proteger a indústria moçambicana de cerâmica, o secretário de Estado do Comércio não entrou em detalhes, mas adiantou que serão em linha com a política de restrições de importações de produtos que podem ser produzidos localmente.
“Moçambique adoptou já as medidas para restrições temporárias de importações para proteger a produção que existe localmente. São medidas para impulsionar a produção local”, destacou o secretário de Estado do Comércio.
Há uma série de medidas que o Governo pode tomar em conta. […] pode ser através da subida da sobretaxa nas importações, de 7,5% para 20%, admitiu António Grispos.
Grispos sublinhou que a protecção da indústria local também visa impedir que Moçambique importe produtos que podem ser gerados localmente.
Criticou o facto de os moçambicanos terem de comprar no estrangeiro bens como “palitos de dentes ou água”, enquanto é possível produzir localmente.
Sobre o processo de criação da Zona Económica Especial em Moamba, na zona onde está instalada a Safira Mozambique Ceramic, António Grispos frisou que os passos subsequentes para essa transição dependem de outras entidades do Estado.
A Safira Mozambique Ceramic é detida pelo grupo chinês Wang Kang Safira e entrou em funcionamento em Setembro de 2024, tendo sido investidos 124 milhões de dólares para a operacionalização do empreendimento, um dos maiores de África no sector.
A fábrica foi projectada com capacidade de produção diária de 100 mil metros quadros de cerâmica.
Fonte: Jornal Noticias






