Resumo
Moçambique receberá 250 mil toneladas de arroz até abril para reforçar o abastecimento nacional e colmatar o défice entre produção e consumo. A importação, autorizada recentemente, visa garantir a disponibilidade do cereal no mercado, essencial para a segurança alimentar. Já chegaram 95 mil toneladas, com o restante a ser esperado nas próximas semanas. Estima-se que o país necessite de 350 mil toneladas anuais de arroz. As importações seguem um novo regulamento para aumentar transparência e competitividade, evitando práticas especulativas. O Instituto de Cereais de Moçambique está a digitalizar o setor de importação de cereais, visando melhorar o controlo e transparência, facilitando o acesso a financiamento e garantindo estabilidade no abastecimento alimentar.
Moçambique deverá receber cerca de 250 mil toneladas de arroz até ao início do mês de Abril, numa operação destinada a reforçar o abastecimento do mercado nacional e a responder ao défice estrutural entre a produção interna e o consumo do cereal.
A informação foi avançada pelo Director-Geral do Instituto de Cereais de Moçambique (ICM), Job Fazenda, em declarações ao jornal Notícias, sublinhando que a operação decorre no quadro das novas regras de importação recentemente aprovadas para o sector.
Segundo explicou o responsável, a medida surge da necessidade de garantir a disponibilidade do produto no mercado nacional, num contexto em que a produção doméstica continua aquém das necessidades de consumo.
O arroz é um dos principais produtos da cesta alimentar moçambicana e a sua disponibilidade e estabilidade de preços têm impacto directo sobre o custo de vida e sobre a segurança alimentar das famílias.
Primeiras importações já realizadas
De acordo com o responsável do ICM, uma parte significativa das quantidades previstas já foi autorizada e começou a chegar ao país nas últimas semanas.
Segundo Job Fazenda, cerca de 95 mil toneladas de arroz foram autorizadas para importação, tendo o respectivo desembarque ocorrido entre o final do mês de Fevereiro e a primeira semana de Março.
As restantes quantidades deverão chegar gradualmente ao país nas próximas semanas, permitindo reforçar o abastecimento até ao início de Abril.
Apesar desta operação, o país deverá continuar a recorrer a importações adicionais ao longo do ano para satisfazer as necessidades do mercado.
Estimativas do sector indicam que Moçambique necessita de importar cerca de 350 mil toneladas de arroz por ano para suprir o défice existente entre a produção nacional e o consumo interno.
Novo regulamento procura aumentar transparência
As importações em curso estão a ser realizadas ao abrigo de um novo regulamento de importação de cereais, concebido para tornar o processo mais transparente e competitivo.
Segundo explicou o director-geral do ICM, o novo enquadramento permitirá ao instituto identificar fornecedores com taxas mais competitivas e estabelecer custos de referência para o mercado, contribuindo para evitar práticas especulativas.
O objectivo central da nova abordagem é garantir que o preço final do produto seja compatível com o poder de compra dos consumidores, ao mesmo tempo que se assegura maior organização e previsibilidade no sector.
Digitalização do sector de importação de cereais
Paralelamente às reformas regulatórias, o ICM está a implementar plataformas digitais destinadas a melhorar o controlo e a transparência dos processos de importação de cereais, com particular incidência sobre arroz e trigo.
A primeira fase do processo de registo digital dos importadores foi concluída no mês de Janeiro, tendo permitido o cadastro de cerca de 120 operadores ao nível nacional.
Com este sistema, o instituto poderá acompanhar com maior precisão a dinâmica do sector, incluindo volumes importados, operadores activos e necessidades reais do mercado.
Segundo as autoridades, a digitalização do sector poderá igualmente facilitar o acesso dos operadores a linhas de financiamento, ao permitir uma melhor identificação e caracterização dos agentes económicos envolvidos na cadeia de importação e comercialização de cereais.
Ao reforçar a organização e a transparência do sector, o Governo espera melhorar o funcionamento do mercado e garantir maior estabilidade no abastecimento alimentar do país.
Fonte: O Económico






