A previsão e resposta aos desastres naturais poderão melhorar no país com a inauguração, hoje, do centro de previsão e alerta de cheias e secas. A Infra-estrutura inaugurada pelo ministro das Obras Públicas poderá também aumentar o tempo de aviso prévio sobre eventos extremos.
O país debate-se, todos os anos, com eventos climáticos extremos e um dos desafios tem sido a retirada antecipada das populações das zonas de risco, agravando assim os impactos.
“O nosso país tem sido ciclicamente afetado por cheias, secas e ciclones e os impactos são severos e conhecidos, como é o caso de perdas de vidas, destruição de infraestruturas, interrupção de serviços básicos, danos na agricultura e impacto na própria economia. É um país vulnerável a eventos extremos, por isso a prevenção não é apenas uma mera necessidade, mas sim é uma obrigação que devemos cumprir”, explicou Fernando Rafael, ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos.
Com vista a melhorar a previsão de desastres naturais, o governante inaugurou, esta quarta-feira, uma nova sala com equipamento moderno, na cidade de Maputo.
“É aqui onde dados e modelos se transformam em alertas claros, e alertas claros se transformam em medidas de prevenção e evacuação e proteção de infraestruturas críticas. A sala representa um sistema integrado, com estações hidrometeorológicas de transmissão automática, modelos de previsão hidrológica e, onde necessário, componentes complementares como vídeo e monitoria. Esta integração consolida o centro de comando regional como centro, região, sul, centro e norte.
Para o alcance dos obectivos previstos no centro, Rafael deixou recomendações, “primeiro é a questão da disciplina operacional. Que deve ser permanente. A sala tem de funcionar com rigor, 24 horas, 7 dias por semana. Segundo, assegurar a integração efetiva e a coordenação, principalmente entre a Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos, o INAM, o INGD, as Administrações Regionais de Águas, os governos locais. Portanto, temos de assegurar essa integração, esta coordenação com todas as áreas, com todos os atores relevantes, quando estamos numa situação de época chuvosa. Terceiro, apelar para o reforço que a comunicação social tem apresentado. É através da comunicação social que nós temos divulgado todo o trabalho, todo o esforço que o governo vai exercendo para mitigar os efeitos dos danos. E, por fim, assegurar o investimento em sustentabilidade”.
O ministro esclareceu que “este projeto não se limita a esta Sala de Comando que hoje inauguramos. Está igualmente em curso a instalação de mais duas salas, uma em Nampula e outra em Mocuba,e a aquisição de 14 estações pluviométricas, 10 estações hidrométricas, 3 radares e 9 sirenes num investimento de cerca de 7,5 milhões de dólares”.
A instalação do centro foi financiada pela Coreia do Sul.
Quanto a época chuvosa e ciclónica ainda em curso, Fernando Rafael fez saber que encontram-se ainda, em alerta,as bacias do Incomati Limpopo, no sul, no centro, a bacia do Búzi e Punga, e no norte, as bacias do Megarumo, Montepuez e Messalo, com impacto, sobretudo, em zonas ribeirinhas, áreas agrícolas e na transitabilidade rodoviária.
“E face à evolução da precipitação e às projeções de subida de caudais, importa referir aqui que o INGD já ativou ações antecipadas e cheias para a bacia do Rio Salvo, com o reforço de medidas de prontidão, incluindo massificação de avisos às comunidades, preparação de centros de acomodação, mobilização de equipas e orientação para evacuação preventiva, com especial atenção aos grupos mais vulneráveis. Por isso, reiteramos o apelo para que as populações evitem travessias de rios e zonas inundadas”.