InícioSaúdeINS defende abordagens urgentes e inovadoras em relação à TB no país

INS defende abordagens urgentes e inovadoras em relação à TB no país

Resumo

Moçambique acolheu a 3ª Reunião do Consórcio PANGenS, focado na vigilância genómica de doenças relacionadas com a pobreza e patógenos emergentes. O país enfrenta desafios significativos com a tuberculose, com cerca de 48.000 novos casos registados no primeiro semestre de 2025 e estimativas que apontam para 120.000 casos anuais. O evento destacou a importância da abordagem inovadora para lidar com a resistência a medicamentos e a interseção da tuberculose com o HIV. O progresso na capacidade de sequenciamento genómico em África foi realçado, com Moçambique e outros países a investirem na vigilância genómica. O Consórcio PANGenS visa melhorar a saúde da população africana através da inovação na vigilância de doenças, com estudos sobre tuberculose resistente a medicamentos e malária em curso em 12 países africanos.

O país acolheu, há dias, na cidade de Maputo, a 3ª Reunião do Consórcio PANGenS – Pan-Africa Network for Genomic Surveillance of Poverty-Related Diseases and Emerging Pathogens (Rede Pan-Africana para a Vigilância Genómica de Doenças Relacionadas à Pobreza e Patógenos Emergentes).

No acto de abertura do evento, o Director-geral do Instituto Nacional de Saúde (INS), Eduardo Samo Gudo, destacou que, em Moçambique, a tuberculose continua um grande desafio para a saúde pública, e a carga da doença, incluindo resistência a medicamentos, ainda exige abordagens urgentes e inovadoras que vão além das estratégias tradicionais de saúde pública.

Para sustentar o seu posicionamento, o dirigente referiu que, só no primeiro semestre de 2025, o país registou perto de 48.000 novos casos de tuberculose, e as estimativas nacionais sugerem que a carga anual poderá atingir os 120.000 casos, com uma incidência de cerca de 361 casos por cada 100.000 habitantes.

“Estes números reforçam a ideia de que a tuberculose continua sendo uma de nossas prioridades de saúde mais urgentes, especialmente onde a tuberculose se cruza com o HIV, populações vulneráveis e limitações sistémicas na vigilância e no atendimento”, referiu, porém reconhecendo o esforço dos países africanos na área da genómica.

Segundo ele, nos últimos cinco anos, a África testemunhou uma expansão notável na capacidade de sequenciamento genómico, sendo que a maioria dos países, incluindo Moçambique, estabeleceu capacidade de sequenciamento e se encontra a realizar a vigilância genómica.

“Esta expansão sem precedentes das capacidades genómicas está a transformar a saúde pública em África”, vincou.

A reunião em alusão representou uma plataforma essencial para analisar o progresso e os planos de trabalho, partilhar experiências, abordar desafios e aproveitar oportunidades.

A Co-coordenadora e Investigadora Principal do consórcio, Dorothy Yeboah-Manu, apresentou os progressos do consórcio, apontando que uma das principais metas da rede é melhorar a saúde da população africana com inovações na vigilância de doenças.

Com duração de três dias, o evento juntou directores, representantes de instituições académicas e de pesquisa de África e Europa, tais como Research Center Borstel, Germany; University of Ghana, Noguchi Memorial Institute for Medical Research; KNCV Tuberculosis Foundation, Netherlands; University Of Namibia e INS.

Iniciada em Maio de 2023, com o principal objectivo de aumentar a capacidade da África em epidemiologia genómica e realizar estudos epidemiológicos genómicos sobre tuberculose resistente a medicamentos e malária em 12 países africanos, a PANGenS encerra em Abril de 2027 e é composto por seis pacotes de trabalho.

Ao longo dos últimos anos, o consórcio realizou estudos de epidemiologia genómica de cepas de tuberculose resistentes a medicamentos em 12 países africanos e está a desenvolver a capacidade africana em matéria de vigilância genómica.

 

Fonte: INS

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