Por: Virgílio Timana
Todos os anos, Janeiro chega pesado. Chamamos-lhe “mês da fome”, culpamos o calendário, “haa, porque os dias não andam, o salário demora cair”, como se o tempo fosse o verdadeiro inimigo. Mas a verdade é mais desconfortável: Janeiro não cria a pobreza, apenas a revela. Durante doze meses trabalha-se, dentro e fora do país, com sacrifício e saudade. Contudo, grande parte desse esforço é consumida em apenas quatro dias: 24, 25, 31 de Dezembro e 1 de Janeiro, entre bebidas, festas e excessos que duram pouco, mas cobram caro.
O resultado é conhecido. Chega Janeiro e instala-se o desespero. Vendem-se electrodomésticos e acessórios comprados a preço alto, agora entregues por valores irrisórios, apenas para sobreviver. Este ciclo repete-se há anos, como se fosse tradição, quando, na verdade, é um sinal claro de falta de educação financeira e de visão de longo prazo.
Robert Kiyosaki, na obra Pai Rico, Pai Pobre, ajuda-nos a compreender este comportamento ao afirmar que “as pessoas ricas compram luxos por último, enquanto a classe média e pobre tende a comprar luxos primeiro”. O que se vê, muitas vezes, é exactamente isso: meses de trabalho árduo são trocados por prazeres imediatos, sem pensar no amanhã. Não se trata de condenar a celebração, mas de questionar a falta de equilíbrio entre o presente e o futuro.
Está na hora de mudar a narrativa. Celebrar é importante, sim, mas planear é essencial. A verdadeira libertação da pobreza começa quando aprendemos a gastar com consciência e a investir no futuro. Janeiro deixará de ser o inimigo quando deixarmos de sabotar o nosso próprio esforço. O mês não precisa mudar; quem precisa mudar somos nós.






