27.1 C
New York
Wednesday, January 14, 2026
InícioNacionalSociedadeJANEIRO APENAS COBRA O QUE DEZEMBRO PROMETEU

JANEIRO APENAS COBRA O QUE DEZEMBRO PROMETEU

Por: Virgílio Timana

Todos os anos, Janeiro chega pesado. Chamamos-lhe “mês da fome”, culpamos o calendário, “haa, porque os dias não andam, o salário demora cair”, como se o tempo fosse o verdadeiro inimigo. Mas a verdade é mais desconfortável: Janeiro não cria a pobreza, apenas a revela. Durante doze meses trabalha-se, dentro e fora do país, com sacrifício e saudade. Contudo, grande parte desse esforço é consumida em apenas quatro dias: 24, 25, 31 de Dezembro e 1 de Janeiro, entre bebidas, festas e excessos que duram pouco, mas cobram caro.

O resultado é conhecido. Chega Janeiro e instala-se o desespero. Vendem-se electrodomésticos e acessórios comprados a preço alto, agora entregues por valores irrisórios, apenas para sobreviver. Este ciclo repete-se há anos, como se fosse tradição, quando, na verdade, é um sinal claro de falta de educação financeira e de visão de longo prazo.

Robert Kiyosaki, na obra Pai Rico, Pai Pobre, ajuda-nos a compreender este comportamento ao afirmar que “as pessoas ricas compram luxos por último, enquanto a classe média e pobre tende a comprar luxos primeiro”. O que se vê, muitas vezes, é exactamente isso: meses de trabalho árduo são trocados por prazeres imediatos, sem pensar no amanhã. Não se trata de condenar a celebração, mas de questionar a falta de equilíbrio entre o presente e o futuro.

Está na hora de mudar a narrativa. Celebrar é importante, sim, mas planear é essencial. A verdadeira libertação da pobreza começa quando aprendemos a gastar com consciência e a investir no futuro. Janeiro deixará de ser o inimigo quando deixarmos de sabotar o nosso próprio esforço. O mês não precisa mudar; quem precisa mudar somos nós.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, digite seu nome aqui
Por favor digite seu comentário!

- Advertisment -spot_img

Últimas Postagens

Moçambique reposiciona-se como pólo energético e logístico regional: ambição estratégica, escala...

0
Em Abu Dhabi, o Presidente Daniel Chapo apresentou uma carteira de projectos avaliada em cerca de 50 mil milhões de dólares, apostando no gás natural, na hidroelectricidade e nos corredores logísticos como motores de crescimento, industrialização e integração regional.
- Advertisment -spot_img