Resumo
O antigo ministro das Finanças de Moçambique, Manuel Chang, será libertado da prisão nos Estados Unidos a 26 de março e deportado para Moçambique, após cumprir pena relacionada com o caso das dívidas ocultas. O seu pedido de libertação antecipada por motivos de saúde foi rejeitado, e Chang, condenado a 102 meses de prisão, beneficiou de créditos administrativos, reduzindo o tempo de pena. Envolvido num esquema de desvio de milhões de dólares em subornos, Chang regressa ao país num momento em que as dívidas ocultas continuam a ter impacto na economia moçambicana, apesar de sempre ter negado benefícios pessoais do esquema. Este regresso assinala o fim de um capítulo que colocou Moçambique sob escrutínio financeiro internacional.
O antigo ministro das Finanças de Moçambique, Manuel Chang, vai deixar a prisão nos Estados Unidos no dia 26 de março e será deportado para Moçambique. Manuel Chang cumpriu pena relacionada ao caso das dívidas ocultas, que envolveram milhões de dólares desviados de empréstimos contratados por empresas públicas.
Antes, o pedido de libertação antecipada por razões de saúde, apresentado pela defesa de Chang, foi rejeitado por tribunal federal em Nova Iorque. Embora o ex-governante alegasse problemas renais, hipertensão e diabetes, os juízes consideraram que não existiam motivos “extraordinários e convincentes” para antecipar a sua saída.
Condenado em janeiro de 2025 a 102 meses de prisão por conspiração para fraude eletrónica e branqueamento de capitais, Chang beneficiou de créditos administrativos do sistema prisional norte-americano. Desta forma, o tempo efectivo da pena foi reduzido, permitindo que a libertação ocorra ainda neste mês de março.
Detido desde dezembro de 2018, primeiro na África do Sul e depois extraditado para os Estados Unidos, Chang esteve ligado a um esquema que desviou mais de 200 milhões de dólares em subornos. No total, as dívidas ocultas estão estimadas em cerca de 2,7 mil milhões de dólares, causando um impacto significativo na economia moçambicana.
As investigações norte-americanas apontaram que os empréstimos secretos, oficialmente destinados a projectos de pesca e segurança marítima, tiveram grande parte dos fundos desviados. No entanto, a defesa de Chang sempre alegou que ele agiu seguindo orientações do Governo e negou qualquer benefício pessoal proveniente do esquema.
Assim sendo, o regresso de Manuel Chang marca o fim de um capítulo que gerou repercussões internacionais e manteve Moçambique sob intenso escrutínio financeiro nos últimos anos.





