Por: Gentil Abel
Moçambique voltou a apresentar-se ao mundo como um destino estratégico para grandes investimentos, desta vez com destaque para os sectores da energia e da logística. A intervenção do Presidente da República, Daniel Chapo, numa reunião de alto nível realizada à margem da Semana de Sustentabilidade de Abu Dhabi, insere-se numa linha de continuidade da diplomacia económica do país, centrada na captação de investimento estrangeiro e na afirmação do seu papel na África Austral.
Ao destacar projectos estruturantes avaliados em cerca de 50 mil milhões de dólares norte-americanos, o Chefe do Estado procurou reforçar a imagem de Moçambique como um pólo energético emergente, ancorado sobretudo no gás natural e na hidroelectricidade. A referência aos grandes projectos liderados por multinacionais como a ENI, TotalEnergies e ExxonMobil evidencia a dimensão do potencial existente, bem como a relevância do país no mapa energético regional e internacional. Estes empreendimentos, a concretizarem-se plenamente, poderão gerar impactos significativos ao nível do crescimento económico, da criação de emprego e do aumento das receitas fiscais.
Ao mesmo tempo, o discurso presidencial sublinhou o compromisso com a transição energética, com destaque para a aposta na energia hidroeléctrica e em fontes renováveis como a solar e a eólica. Projectos como Mphanda Nkuwa e a expansão da Hidroeléctrica de Cahora Bassa são apresentados como peças-chave para reforçar a capacidade energética nacional e responder à procura crescente dos mercados regionais. Esta abordagem procura alinhar o desenvolvimento energético com as exigências globais de sustentabilidade, um factor cada vez mais valorizado pelos investidores internacionais.
No plano logístico, a localização geográfica de Moçambique continua a ser apontada como uma das suas principais vantagens competitivas. Os corredores de Maputo, Beira e Nacala surgem como infra-estruturas estratégicas para a integração regional e o escoamento de mercadorias, reforçando o papel do país como plataforma de ligação entre o interior da África Austral e os mercados globais. A consolidação deste posicionamento dependerá, contudo, da capacidade de transformar essa vantagem geográfica em eficiência logística, investimentos sustentáveis e benefícios concretos para a economia nacional.






