Resumo
A vacinação global contra a cólera retomou após o fornecimento de vacinas atingir níveis suficientes, sendo liderada por Moçambique, enfrentando desafios como um surto ativo da doença e as consequências das recentes inundações. A distribuição de 20 milhões de doses de vacinas está em curso, com 3,6 milhões já entregues em Moçambique e o restante a caminho da República Democrática do Congo e do Bangladesh. A produção anual global de vacinas contra a cólera duplicou para quase 70 milhões de doses em 2025, financiadas pela Aliança Gavi e distribuídas pelo Unicef. A cólera, transmitida pela água ou alimentos contaminados, continua a ser um desafio, com mais de 600 mil casos e cerca de 6,7 mil mortes notificados em 2024. A OMS destaca a importância da vacinação, juntamente com investimentos em água, saneamento e higiene, tratamento rápido e envolvimento comunitário.
O anúncio foi feito esta quarta-feira pela Aliança Global para Vacinas, Gavi, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, e pela Organização Mundial da Saúde, OMS.
Contextos desafiantes para a retoma
Moçambique torna-se o primeiro país a retomar a vacinação, após a suspensão das ações em 2022. Na época, a alta global dos casos de cólera levou a uma procura sem precedentes e à escassez de vacinas orais contra a doença.
Em território moçambicano, a campanha retoma em contexto desafiante, marcado por um surto ativo de cólera e pelas consequências das cheias recentes que afetaram mais de 700 mil pessoas e deslocaram milhares.
As inundações danificaram sistemas de saúde e de abastecimento de água, aumentando o risco de doenças transmitidas pela água.
O diretor geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, a falta de vacinas obrigou uma resposta reativa, centrada no controlo dos surtos, em vez da prevenção. Ele afirmou que a agência está agora em “posição mais forte para quebrar esse ciclo”.
Distribuição de 20 milhões de doses
A primeira alocação de 20 milhões de doses de imunizantes contra a cólera está a ser utilizada para as campanhas preventivas. Deste total, 3,6 milhões de doses foram entregues em Moçambique, enquanto as restantes devem seguir para a República Democrática do Congo e para o Bangladesh.
A produção anual global de vacinas contra a cólera duplicou, passando de 35 milhões de doses em 2022 para quase 70 milhões em 2025. As vacinas são financiadas pela Aliança Gavi e distribuídas pelo Unicef.
Os países beneficiários foram selecionados com base em critérios definidos pela Força-Tarefa Global para o Controle da Cólera por forma a garantir uma distribuição equitativa e transparente.
Para a diretora executiva do Unicef, Catherine Russell, o aumento do fornecimento de vacinas permite a prevenção de emergências em grande escala.
Transmissão continua em alta
A cólera é transmitida através da água ou alimentos contaminados, causando diarreia grave e desidratação, podendo ser fatal se não for tratada rapidamente.
Em 2024, mais de 600 mil casos e cerca de 6,7 mil mortes foram notificados à OMS em 33 países, embora estes números sejam subestimados, uma vez que as infeções continuam subnotificadas.
Desde 2021, os casos globais têm aumentado a cada ano. No entanto, foi registrada uma ligeira redução em 2025, mas as mortes continuam a disparar.
A agência reforça que a vacinação é apenas uma das ferramentas de resposta, que inclui também investimentos de longo prazo em água, saneamento e higiene, vigilância, tratamento rápido e envolvimento comunitário.
Fonte: ONU





