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Wednesday, February 4, 2026
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Moçambique Leva Agenda De Transformação Económica À Cimeira Mundial De Governos Em Dubai

Resumo

Moçambique defendeu na Cimeira Mundial de Governos a monetização de ativos soberanos, a credibilidade institucional e a digitalização do Estado para atrair capital global de longo prazo. O país levou a Dubai uma mensagem de ambição económica e pragmatismo estratégico, destacando a importância da transformação de recursos em valor económico sustentável. A Primeira-Ministra, Benvinda Levi, representou o Presidente da República, Daniel Chapo, ausente devido a cheias severas no país, enfatizando a responsabilidade governativa perante emergências climáticas. Moçambique focou-se em ativos estratégicos como reservas de gás natural, portos, hidroelétrica, agronegócio e minerais, visando a atração de investimento e cooperação internacional.

Na Cimeira Mundial de Governos, uma das principais plataformas globais de reflexão estratégica sobre governação e economia, Moçambique defendeu a monetização de activos soberanos, a credibilidade institucional e a digitalização do Estado como pilares para atrair capital global de longo prazo.

Moçambique levou a Dubai uma mensagem de ambição económica e pragmatismo estratégico ao participar na Cimeira Mundial de Governos, um dos mais relevantes fóruns internacionais de reflexão sobre o futuro da governação, políticas públicas e transformação económica, onde governos e líderes globais debatem como adaptar os Estados às exigências de um mundo marcado por volatilidade, competição por capital e aceleração tecnológica.

Uma Plataforma Global De Influência Estratégica

Criada pelo Governo dos Emirados Árabes Unidos, a Cimeira Mundial de Governos reúne anualmente Chefes de Estado e de Governo, ministros, líderes empresariais, decisores financeiros, académicos e representantes de organizações multilaterais, funcionando como um espaço de antecipação de tendências globais e de partilha de modelos de governação.

Mais do que um fórum político, a cimeira posiciona-se como uma plataforma estratégica de soft power, onde se discutem reformas económicas, transformação digital do Estado, modelos de financiamento do desenvolvimento, inovação institucional e novas abordagens à relação entre sector público, sector privado e mercados de capitais globais.

É neste contexto que a participação de Moçambique ganha particular relevância, ao permitir ao país projectar a sua narrativa económica junto de decisores que influenciam fluxos de investimento, políticas de cooperação e financiamento internacional.

Primeira-Ministra Representa O Chefe Do Estado Em Contexto De Emergência Climática

A delegação moçambicana é liderada pela Primeira-Ministra, Benvinda Levi, em representação do Presidente da República, Daniel Chapo, que permaneceu no país devido às cheias severas que afectaram várias regiões.

Na sua intervenção, a governante enquadrou a ausência do Chefe do Estado como um sinal de responsabilidade governativa, sublinhando que a resposta a emergências humanitárias e climáticas faz parte dos desafios estruturais que países como Moçambique enfrentam no seu percurso de desenvolvimento.

Da Abundância De Recursos À Criação De Valor Económico

No centro da mensagem de Moçambique esteve a ideia de que o verdadeiro desafio não reside na escassez de recursos, mas na capacidade de os transformar em valor económico sustentável. A Primeira-Ministra defendeu que África, e Moçambique em particular, já ultrapassaram a fase do discurso sobre potencial, estando agora focados na estruturação de activos de acordo com padrões globais de investimento.

Foram destacados como activos estratégicos as reservas de gás natural, os portos e corredores logísticos de Maputo, Beira e Nacala, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa, o agronegócio, as pescas, os minerais críticos — com destaque para a grafite —, bem como a economia azul e o turismo sustentável, activos que permanecem, em grande medida, subvalorizados devido a constrangimentos institucionais e de governação.

Credibilidade, Governação E Mitigação De Risco Como Factores-Chave

A Primeira-Ministra foi clara ao afirmar que a existência de activos, por si só, não atrai capital. O que atrai investimento é a credibilidade — entendida como estabilidade institucional, previsibilidade regulatória, transparência e capacidade de execução.

Neste quadro, o Governo moçambicano defende uma abordagem disciplinada e orientada pelo mercado, baseada na monetização de activos soberanos através de parcerias transparentes, reforço dos quadros regulatórios e mecanismos específicos de mitigação de risco que respondam às exigências dos investidores institucionais globais.

Projectos Estruturantes Como Sinais De Execução

Para sustentar a narrativa de credibilidade, a governante apresentou exemplos concretos de execução. Entre eles, a retoma do projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, com cerca de 40% da construção concluída e financiamento de aproximadamente 14 mil milhões de dólares.

Foram igualmente referidos o compromisso da ExxonMobil no projecto Rovuma LNG, avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares, dois projectos da ENI estimados em 15 mil milhões de dólares, e uma nova parceria hidroeléctrica com a Electricité de France e a Sumitomo, avaliada em cinco mil milhões de dólares, orientada para a expansão de energia limpa.

Digitalização Do Estado Como Reforma Estrutural

Outro eixo central da intervenção foi a digitalização dos serviços públicos, apresentada como instrumento fundamental para reduzir a burocracia, aumentar a transparência e melhorar a eficiência governativa.

Segundo a visão do Executivo, a adopção de tecnologias digitais e de inteligência artificial deve aproximar o Estado do cidadão e criar um ambiente mais favorável aos negócios, reforçando a confiança dos investidores e a qualidade da governação num contexto de crescente competição global por capital.

Moçambique Num Palco Global De Decisão

Ao participar na Cimeira Mundial de Governos, Moçambique não se limitou a apresentar projectos ou intenções, mas procurou posicionar-se como um actor consciente das exigências do capital global, disposto a alinhar os seus activos soberanos com a disciplina dos mercados financeiros internacionais.

A mensagem final é clara: o país pretende deixar de ser visto apenas como território de recursos e afirmar-se como destino de investimento estruturado, com escala, estabilidade e retornos sustentáveis.

Fonte: O Económico

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