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Wednesday, January 14, 2026
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Moçambique reposiciona-se como pólo energético e logístico regional: ambição estratégica, escala dos projectos e desafios de materialização

Em Abu Dhabi, o Presidente Daniel Chapo apresentou uma carteira de projectos avaliada em cerca de 50 mil milhões de dólares, apostando no gás natural, na hidroelectricidade e nos corredores logísticos como motores de crescimento, industrialização e integração regional.

A participação de Moçambique na Semana de Sustentabilidade de Abu Dhabi 2026 marcou um momento de afirmação estratégica da diplomacia económica nacional. Perante investidores e decisores internacionais, o Presidente da República, Daniel Chapo, apresentou o país como um dos pólos energéticos e logísticos emergentes da África Austral, ancorando essa narrativa numa carteira de projectos estruturantes avaliada em cerca de 50 mil milhões de dólares. A mensagem central foi clara: num contexto de restrições fiscais internas e crescimento moderado, o futuro económico de Moçambique passa pela mobilização de capital externo, pela exploração eficiente dos seus recursos energéticos e pelo reforço do seu papel como plataforma logística regional.

Gás natural: o eixo estruturante da narrativa económica

No centro da apresentação presidencial esteve o sector do gás natural, considerado o principal motor de transformação económica no horizonte da próxima década. Moçambique dispõe actualmente de quatro grandes projectos estruturantes, liderados por operadores internacionais de referência. A italiana ENI desenvolve os projectos Coral Sul e Coral Norte, em Cabo Delgado, avaliados em cerca de 15 mil milhões de dólares, enquanto a TotalEnergies e a ExxonMobil lideram projectos estimados em aproximadamente 20 mil milhões de dólares cada.
Segundo a Presidência da República, estes empreendimentos deverão gerar uma circulação financeira significativa na economia nacional, com efeitos multiplicadores sobre o emprego, as receitas fiscais, a balança externa e o desenvolvimento de infra-estruturas associadas. O discurso presidencial procurou, assim, reforçar a ideia de previsibilidade e escala, factores críticos para a tomada de decisão de investidores institucionais.

Hidroelectricidade e transição energética: além do gás

Paralelamente ao gás, o Chefe do Estado sublinhou a aposta estratégica na hidroelectricidade como pilar da transição energética e da segurança energética regional. Para além da Barragem de Cahora Bassa, Moçambique prepara-se para avançar com o projecto Mphanda Nkuwa, na província de Tete, com uma capacidade prevista de 1.500 MW, num modelo de parceria com investidores internacionais.
Foi igualmente destacada a construção da central norte da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, que deverá acrescentar cerca de 400 MW à capacidade instalada nacional, com conclusão projectada para 2032. Estes projectos posicionam Moçambique como fornecedor estratégico de electricidade para os mercados da África Austral, num contexto de crescente procura regional e de transição para fontes mais limpas.

Logística e corredores de desenvolvimento: a geografia como activo económico

No plano logístico, o Presidente enfatizou a vantagem comparativa da localização geográfica do país, servida por três grandes corredores de desenvolvimento — Maputo, Beira e Nacala — que ligam o interior da região austral aos mercados internacionais. O Corredor de Maputo, desenvolvido em parceria com a DP World, foi apresentado como exemplo de cooperação público-privada com impacto directo na competitividade regional.
Esta abordagem reforça a narrativa de Moçambique como plataforma logística e energética integrada, capaz de servir economias vizinhas como África do Sul, Malawi, Zimbabwe, Zâmbia e Eswatini, ao mesmo tempo que potencia receitas de serviços, infra-estruturas e logística.

Interesse empresarial e diplomacia económica activa

À margem da conferência, Daniel Chapo recebeu líderes empresariais internacionais, incluindo representantes do CEO Clubs Network e da Averi Finance, que manifestaram interesse em investir em Moçambique em sectores como energia, aviação, infra-estruturas, tecnologia e logística. Foram referidas intenções de investimento privado superiores a 300 milhões de dólares, com prioridade para projectos energéticos, considerados condição-chave para a estabilidade económica e o desenvolvimento de outros sectores.

Entre ambição estratégica e execução económica

A ofensiva diplomática em Abu Dhabi ocorre num momento em que Moçambique enfrenta limitações fiscais, pressão sobre as finanças públicas e expectativas de crescimento contidas. Neste contexto, a aposta na atracção de investimento directo estrangeiro surge não apenas como opção estratégica, mas como necessidade económica.
O desafio central passa agora pela transformação desta narrativa de potencial em investimentos efectivos, com impactos mensuráveis sobre o emprego, a base produtiva nacional e a inclusão do sector empresarial local nas cadeias de valor dos grandes

Ao apresentar-se como pólo energético e logístico emergente, Moçambique procura reposicionar-se no mapa global do investimento num momento crítico do seu ciclo económico. A dimensão dos projectos anunciados confere escala e visibilidade internacional; a questão determinante será a capacidade de execução, coordenação institucional e captura de valor interno, factores que irão definir se esta estratégia se traduzirá num verdadeiro impulso ao desenvolvimento económico sustentável.

Fonte: O Económico

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