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Moçambique Tem Combustível Suficiente Até Maio, Mas Governo Prepara Resposta A Eventual Choque Petrolífero

Resumo

Moçambique tem reservas de combustíveis suficientes para manter a economia a funcionar até maio, apesar das preocupações com a escalada do conflito no Médio Oriente. O Governo garante o abastecimento energético a curto prazo, com cerca de 75 mil toneladas de combustíveis líquidos disponíveis. No entanto, a dependência de rotas associadas ao Estreito de Ormuz coloca em risco o abastecimento, caso haja perturbações. Os preços dos combustíveis devem manter-se estáveis até abril, mas podem ser afetados pela evolução do conflito internacional. O Governo está a considerar diferentes cenários económicos perante a possibilidade de aumento dos preços do petróleo.

Executivo garante que stocks actuais permitem assegurar o funcionamento da economia nos próximos meses, mas admite impactos caso o conflito no Médio Oriente provoque uma escalada prolongada dos preços do petróleo

Governo garante abastecimento energético no curto prazo

Moçambique dispõe actualmente de reservas de combustíveis suficientes para assegurar o funcionamento da economia nacional até ao início do mês de Maio, num momento em que a escalada do conflito no Médio Oriente levanta preocupações sobre possíveis perturbações nas cadeias globais de abastecimento energético.

A garantia foi avançada em Maputo pelo Secretário de Estado do Tesouro e Orçamento, Amílcar Tivane, no final de uma sessão do Conselho de Ministros, onde o Governo avaliou os potenciais impactos económicos da actual instabilidade internacional.

Segundo o governante, o país dispõe de cerca de 75 mil toneladas de combustíveis líquidos, volumes que permitem assegurar o abastecimento do mercado interno nos próximos meses.

O responsável explicou que as importações de combustíveis são realizadas com antecedência e envolvem a coordenação entre associações de importadores e empresas distribuidoras, o que tem permitido garantir níveis de abastecimento considerados adequados para o consumo interno.

Estreito de Ormuz permanece factor crítico para o abastecimento

Apesar da relativa tranquilidade no curto prazo, o Executivo reconhece que a evolução do conflito no Médio Oriente poderá influenciar o abastecimento energético nacional.

De acordo com Amílcar Tivane, cerca de 80% das importações de combustíveis de Moçambique transitam por rotas associadas ao Estreito de Ormuz, uma das principais artérias do comércio energético global.

A eventual disrupção desta rota marítima poderá afectar significativamente o fluxo de produtos petrolíferos provenientes do Médio Oriente, região que continua a desempenhar um papel central no abastecimento energético de vários países africanos.

Perante esta realidade, o Governo afirmou estar a acompanhar atentamente a evolução da situação internacional e a avaliar alternativas logísticas para garantir o abastecimento caso a crise se agrave.

Preços dos combustíveis mantêm-se estáveis até Abril

No plano interno, as autoridades indicam que os preços actualmente praticados no mercado nacional deverão manter-se estáveis pelo menos até ao final do mês de Abril.

Segundo o Secretário de Estado do Tesouro e Orçamento, os combustíveis actualmente disponíveis foram importados antes da recente escalada do conflito, o que permite manter os preços vigentes.

Neste momento, a gasolina é comercializada em torno de 85 meticais por litro, enquanto o gasóleo ronda os 80 meticais por litro.

O Governo reconhece, contudo, que a evolução dos preços internacionais poderá vir a influenciar os preços domésticos caso o conflito no Médio Oriente se prolongue.

Governo traça cenários económicos face à subida do petróleo

As autoridades moçambicanas estão igualmente a avaliar diferentes cenários económicos associados à evolução dos preços do petróleo nos mercados internacionais.

Segundo explicou Amílcar Tivane, num cenário moderado em que o preço do barril ultrapasse 120 dólares, os impactos poderão reflectir-se sobretudo na estrutura de custos das micro, pequenas e médias empresas, particularmente em sectores intensivos em transporte e energia.

Caso os preços se aproximem da fasquia dos 140 dólares por barril, o governante admitiu que a economia nacional poderá enfrentar um cenário mais adverso, podendo inclusive registar crescimento económico negativo.

Neste contexto, o Governo considera que a evolução, intensidade e duração do conflito no Médio Oriente serão determinantes para avaliar a magnitude dos impactos económicos.

Executivo avalia instrumentos de estabilização económica

Perante a incerteza internacional, o Executivo moçambicano está a estudar mecanismos de mitigação que possam amortecer eventuais choques no mercado interno.

Entre as medidas em análise encontra-se a eventual activação de um fundo de estabilização, instrumento que poderá ser utilizado para compensar eventuais perdas de rentabilidade das empresas distribuidoras de combustíveis e evitar aumentos abruptos de preços no mercado doméstico.

Segundo o Governo, este tipo de instrumento poderá desempenhar um papel importante na protecção de sectores sensíveis da economia, incluindo transportes, comércio e produção industrial.

As autoridades sublinham, contudo, que todas as projecções permanecem condicionadas à evolução da situação geopolítica no Médio Oriente, cujo impacto nos mercados energéticos globais continua a ser acompanhado de perto pelo Executivo.

Fonte: O Económico

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