Por: Gentil Abel
O recente alerta das Nações Unidas sobre a possibilidade de até 40% dos centros de saúde moçambicanos ficarem sem alimentos e leite terapêuticos para crianças gravemente desnutridas levanta preocupações sérias sobre a sustentabilidade da resposta nutricional no país. Este aviso, emitido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), vai além de um simples dado estatístico, pois sinaliza o risco concreto de milhares de crianças ficarem privadas de tratamentos essenciais à sobrevivência.
Paralelamente, Moçambique continua a enfrentar níveis elevados de desnutrição crónica infantil. Dados oficiais indicam que 37% das crianças menores de cinco anos vivem nessa condição. Embora a redução de seis pontos percentuais registada na última década revele avanços importantes, este progresso evidencia também a lentidão da resposta face à dimensão e complexidade do problema.
Nesse contexto, o papel da Unicef e de outros parceiros internacionais tem sido determinante. Desde 2020, cerca de 400 mil crianças beneficiaram de assistência nutricional em zonas afectadas por ciclones, como a província de Sofala. Como resultado, programas de resiliência contribuíram para reduzir a desnutrição crónica severa para 35%, demonstrando que intervenções consistentes e bem financiadas produzem impactos reais na vida das crianças mais vulneráveis.
Assim sendo, o alerta agora lançado deve ser interpretado como um apelo à acção coordenada. Garantir o acesso contínuo a alimentos terapêuticos exige não apenas reforço do financiamento, mas também maior articulação entre Governo e parceiros, fortalecimento da capacidade nacional de resposta e investimento sustentado na prevenção da desnutrição, sobretudo nos primeiros anos de vida.
Por fim, assegurar a nutrição infantil não é apenas uma questão de emergência humanitária, mas um compromisso com o futuro do país. A resposta a este alerta determinará se Moçambique conseguirá proteger uma geração inteira de consequências irreversíveis para a saúde, a educação e o desenvolvimento humano.






