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OPEP+ Inclina-Se Para Manter Pausa na Produção Com Petróleo Sustentado Por Choques de Oferta

A subida dos preços em Janeiro, impulsionada por quebras temporárias na produção do Cazaquistão e por disrupções climáticas nos EUA, reforça a opção de cautela do cartel antes da reunião de 1 de Fevereiro.

A OPEP+ deverá manter inalterada a sua política de produção em Março, prolongando a pausa nos aumentos mensais acordada no final de 2025, numa altura em que os preços do petróleo recuperam e o equilíbrio do mercado permanece frágil. A decisão deverá ser tomada na reunião de 1 de Fevereiro, num contexto marcado por perturbações temporárias do lado da oferta e por incertezas persistentes sobre a procura global.

O grupo de oito países que lidera esta decisão — entre eles Arábia Saudita, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Cazaquistão, Kuwait, Iraque, Argélia e Omã — representa cerca de metade da produção mundial de crude. Após ter anunciado aumentos acumulados de cerca de 2,9 milhões de barris por dia entre Abril e Dezembro de 2025, o grupo optou por suspender novas subidas entre Janeiro e Março, perante previsões de procura mais débil.

Em Janeiro, os preços do petróleo registaram uma valorização próxima de 8%, com o Brent a ultrapassar os 66 dólares por barril. Um dos principais factores foi a quebra acentuada da produção no Cazaquistão, onde o campo de Tengiz — um dos maiores do país — operou muito abaixo da capacidade normal. Segundo o JPMorgan, a produção cazaque deverá situar-se entre 1,0 e 1,1 milhões de barris por dia em Janeiro, bem abaixo dos cerca de 1,8 milhões habituais.

Apesar de sinais recentes de retoma gradual da produção e do regresso à plena capacidade do principal terminal de exportação do país no Mar Negro, os volumes permanecem limitados, mantendo pressão no mercado físico. Analistas do ING sublinham que a força observada nos diferenciais temporais do Brent ao longo de Janeiro contrasta com as estimativas que apontam para um excedente relevante de oferta nos próximos trimestres.

Do outro lado do Atlântico, uma severa tempestade de Inverno afectou a produção e o refino nos Estados Unidos, levando à perda temporária de até dois milhões de barris por dia, o equivalente a cerca de 15% da produção nacional. As dificuldades em várias refinarias da Costa do Golfo reacenderam preocupações sobre o abastecimento de combustíveis, contribuindo para limitar a recente correcção em baixa dos preços. Segundo ANZ, estes constrangimentos logísticos reforçaram a percepção de risco no curto prazo.

No plano geopolítico, o reforço da presença naval norte-americana no Médio Oriente mantém um prémio de risco latente, num momento em que as tensões regionais continuam a ser um factor relevante para os mercados energéticos globais.

Em síntese, a expectativa de que a OPEP+ mantenha a pausa na produção reflecte um equilíbrio delicado entre a necessidade de evitar nova pressão descendente sobre os preços e o reconhecimento de que os fundamentos de médio prazo apontam para uma oferta potencialmente excedentária. A decisão de Fevereiro será, assim, mais um exercício de gestão fina do mercado do que um sinal de mudança estrutural na estratégia do cartel.

Fonte: O Económico

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