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Thursday, January 15, 2026
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Ouro e Prata Prolongam Rally Histórico em Contexto de Incerteza Global

Ouro atinge máximo histórico acima dos 4.640 dólares por onça e prata aproxima-se dos 92 dólares, impulsionados por procura de activos-refúgio, riscos geopolíticos e expectativas de cortes de juros nos EUA.

Os mercados de metais preciosos continuam a registar movimentos históricos, com o ouro e a prata a prolongarem o rally iniciado no final de 2025, num ambiente marcado por elevada incerteza geopolítica, dúvidas quanto à independência da política monetária norte-americana e expectativas crescentes de cortes de juros ao longo de 2026. Na sessão mais recente, o ouro atingiu um novo máximo histórico, enquanto a prata escalou para níveis nunca antes observados, confirmando o reforço da procura por activos-refúgio .

O ouro à vista subiu cerca de 0,9%, negociando próximo de 4.629 dólares por onça, depois de ter tocado um pico histórico de 4.641,40 dólares. Já os futuros do ouro nos EUA encerraram a sessão nos 4.635,70 dólares, reflectindo uma procura sustentada por parte de investidores institucionais e privados.

Prata lidera ganhos e reforça perfil especulativo

A prata destacou-se pela magnitude do movimento, com uma valorização diária superior a 5%, alcançando 92,23 dólares por onça, também um máximo histórico. Analistas sublinham que, além do papel tradicional como activo-refúgio, a prata beneficia adicionalmente da sua componente industrial, num contexto de expectativas de recuperação selectiva em sectores ligados à transição energética e tecnologia.

Segundo analistas de mercado, o actual ciclo apresenta características de um bull market estrutural, sustentado por uma base diversificada de compradores. Projecções de curto prazo apontam para a possibilidade de a prata testar a fasquia dos 100 dólares, com alguns cenários mais optimistas a colocarem o intervalo entre 100 e 144 dólares no curto prazo.

Geopolítica e política monetária alimentam o rally

O contexto internacional continua a favorecer os metais preciosos. As tensões no Médio Oriente, em particular as advertências do Irão relativamente a uma eventual intervenção militar dos Estados Unidos, reforçam o apetite por activos considerados seguros. Em paralelo, novas frentes de tensão diplomática, incluindo disputas políticas envolvendo aliados tradicionais de Washington, contribuem para um ambiente de risco elevado nos mercados financeiros globais.

No plano económico, dados recentes dos Estados Unidos mostraram vendas a retalho acima das expectativas e um índice de preços ao produtor (PPI) superior às previsões em termos anuais, após sinais de moderação da inflação subjacente. Apesar disso, os mercados continuam a antecipar dois cortes de juros pela Reserva Federal em 2026, cenário historicamente favorável ao ouro, que não gera rendimento, mas ganha atractividade em ambientes de taxas mais baixas.

A estas dinâmicas soma-se a crescente preocupação quanto à independência da Reserva Federal, depois de declarações políticas que colocaram pressão adicional sobre a liderança do banco central norte-americano. Este factor institucional tem sido apontado como mais um elemento de suporte à procura por metais preciosos, vistos como reserva de valor em cenários de instabilidade sistémica.

Outros metais acompanham tendência

O movimento não se limitou ao ouro e à prata. O platina avançou cerca de 2,4%, negociando acima dos 2.379 dólares por onça, enquanto o paládio registou ganhos mais moderados, em torno de 1,3%, aproximando-se dos 1.863 dólares. Ainda assim, é o par ouro–prata que concentra a atenção dos investidores, pela velocidade e amplitude da valorização.

Um mercado dominado pelo risco e pela procura de refúgio

O comportamento dos metais preciosos no início de 2026 sugere que os investidores continuam a privilegiar proteção de capital face a um ambiente global incerto, marcado por riscos geopolíticos, dúvidas institucionais e ajustamentos na política monetária das principais economias. Enquanto estes factores persistirem, analistas consideram que o ouro e a prata deverão manter-se em trajectória ascendente, ainda que com episódios de volatilidade no curto prazo.

Num cenário de mercados financeiros cada vez mais sensíveis a choques políticos e macroeconómicos, o rally dos metais preciosos surge como um dos sinais mais claros do reposicionamento defensivo dos investidores globais no arranque de 2026.

Fonte: O Económico

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