InícioSaúdePanorama da saúde na América do Sul mostra desafio no Brasil e...

Panorama da saúde na América do Sul mostra desafio no Brasil e outros países

O funcionamento dos sistemas de saúde em toda a América do Sul está sob pressão e até ameaças, em alguns casos. Um novo relatório acende o alerta máximo de que, apesar dos saltos tecnológicos, das últimas décadas, e o acesso aos cuidados médicos básicos ainda é ditado pela geografia. 

O documento “Panorama do mercado de trabalho de saúde em nove países sul-americanos", da Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, expõe a realidade onde a localização de um habitante pode determinar sua chance de sobrevivência. A pesquisa mostra que a situação é mais grave em países como Peru, Argentina, Chile e Colômbia.

Desigualdade Geográfica

O Brasil integra a relação. A distribuição de médicos e enfermeiros no país é marcada por contrastes. Enquanto os grandes centros urbanos e a região Sudeste concentram a elite tecnológica e a maioria dos especialistas, as regiões Norte e Nordeste, além das zonas rurais e periferias, enfrentam um vazio deste tipo de assistência.  

Formação médica visa hospitais e casos de alta complexidade, enquanto a maior necessidade no terreno é de cuidados básicos

© PAHO/Joshua E. Cogan
Formação médica visa hospitais e casos de alta complexidade, enquanto a maior necessidade no terreno é de cuidados básicos

Falando à ONU News, de Washington, o diretor da Opas, Jarbas Barbosa, afirmou que a região não alcançará sistemas de saúde justos sem enfrentar as disparidades nas condições de trabalho. 

“Nós estimamos que até 2030 o déficit de profissionais de saúde nas Américas pode chegar de 600 mil até 1 milhão de profissionais que farão falta nesses sistemas. Nós também temos apoiado muito o aperfeiçoamento dos recursos humanos em saúde na região por meio do nosso campus virtual de saúde pública. É um campus virtual que oferece cursos para todos os profissionais de saúde em várias áreas, manejo clínico de caso de dengue, manejo clínico da hipertensão, na atenção primária da saúde, redução da mortalidade materna. Então, esses cursos são gratuitos, nós oferecemos nas quatro línguas oficiais da Opas.”

O estudo defende ainda que a barreira geográfica e social cria bolsões de falta de atenção do setor, que comprometem diretamente a vida de milhões de brasileiros ao manter o país distante da meta de um sistema equitativo.

“Completamos, já no ano passado, 4 milhões de profissionais de saúde que fizeram algum dos cursos que estão disponíveis no campus virtual da Organização Pan-Americana da Saúde. Eu creio que é importante desenvolver carreiras em que os jovens que vão para a área rural, eles sabem que vão para a área rural, mas depois podem ir para uma cidade, ou seja, ter uma perspectiva não só imediata, mas ter uma carreira que possa oferecer possibilidades de realização profissional, capacitação, treinamento, evolução profissional e técnica é fundamental, assim como salários adequados.” 

O cenário se repete com nuances diferentes entre nações vizinhas. No Peru, o déficit de trabalhadores supera a marca de 54 mil profissionais entre o campo e a cidade. 

Emprego e formação em crise

Em toda a sub-região, a densidade de recursos humanos apresenta uma oscilação dramática, variando de menos de 40 a quase 118 profissionais por cada 10 mil habitantes, uma assimetria que revela a fragilidade do planejamento setorial.

Além da falta de braços no interior, o relatório detalha padrões preocupantes em países como Argentina, Chile e Colômbia, onde o “múltiplo emprego” e a migração de profissionais se tornaram a regra para a sobrevivência financeira da categoria.

O acesso aos cuidados médicos básicos ainda é ditado pela geografia

© PAHO/Karen González Abril
O acesso aos cuidados médicos básicos ainda é ditado pela geografia

Há também um descompasso alarmante entre o que se ensina nas universidades e as reais necessidades epidemiológicas da população. A formação médica visa hospitais e casos de alta complexidade, enquanto a maior necessidade no terreno é de cuidados básicos e prevenção nas comunidades mais isoladas.

A solução proposta pela Opas exige que os governos superem a barreira da simples contratação. O apelo urgente é por políticas de retenção sólidas para áreas remotas, melhoria real das condições salariais e um reforço estrutural da atenção primária. 

O relatório conclui que resolver essa crise exige uma coordenação inédita entre os ministérios da Saúde, Educação e Finanças, garantindo que o direito constitucional à saúde deixe de ser um privilégio urbano e se torne uma realidade universal.

Fonte: ONU

- Advertisment -spot_img

Últimas Postagens

Primeira-Dama recebe representantes de instituições do Brasil e Espanha

0
A Primeira-Dama, Gueta Chapo, recebeu, ontem, em audiências separadas, a MANTENEDORA da Faculdade de Agudos do Brasil, Márcia Vazzoler, e a representante do Grupo...
- Advertisment -spot_img