Declarações de Trump reduzem receios de intervenção militar e levam os mercados a recentrar-se nos fundamentos de oferta e procura.
Os preços internacionais do petróleo prolongaram as perdas esta sexta-feira, 16 de Janeiro de 2026, à medida que os mercados começaram a retirar o prémio de risco geopolítico associado a uma eventual escalada militar entre os Estados Unidos e o Irão.
Segundo dados da Reuters, o Brent recuava 21 cêntimos (-0,3%), para 63,55 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) caía 15 cêntimos (-0,3%), para 59,04 dólares, nas primeiras horas de negociação na Ásia.
Esta evolução surge na sequência de quedas acentuadas na sessão anterior, quando ambos os contratos perderam mais de 3%, depois de declarações do Presidente norte-americano Donald Trump terem reduzido a probabilidade de uma intervenção militar directa no Irão.
Declarações de Trump Dissipam Receios de Choque de Oferta
O movimento descendente dos preços foi desencadeado por sinais de desanuviamento político, após Trump ter indicado que a repressão às manifestações no Irão estaria a abrandar e que não existiriam, para já, planos imediatos de intervenção militar, adoptando uma postura de “wait and see”.
Estas declarações contrastam com o tom mais agressivo observado no início da semana, quando o Presidente norte-americano admitira a possibilidade de ataques, levando o Brent a atingir 66,82 dólares por barril, o valor mais elevado desde Setembro.
De acordo com analistas citados pela Reuters, a reacção do mercado reflecte a rápida eliminação do prémio de risco geopolítico, típico de episódios de tensão no Médio Oriente, sobretudo quando não se materializam disrupções físicas na oferta.
Fundamentais Apontam para Mercado Confortável em 2026
Apesar da volatilidade recente, os fundamentos do mercado continuam a sugerir um quadro de oferta relativamente confortável. A OPEC reiterou esta semana que a oferta e a procura deverão manter-se equilibradas em 2026, com o crescimento da procura em 2027 a acompanhar o ritmo deste ano.
Analistas da BMI sublinham que, embora a instabilidade política no Irão continue a justificar episódios de volatilidade, o mercado carece de catalisadores estruturais que sustentem uma trajectória de subida prolongada dos preços.
“Apesar do ruído geopolítico, o equilíbrio subjacente aponta para ampla disponibilidade de crude, salvo uma recuperação mais robusta da procura chinesa ou estrangulamentos significativos nas cadeias físicas de abastecimento”, refere nota de mercado citada pela Reuters.
Inventários dos EUA e Venezuela Aumentam Pressão Descendente
A pressão adicional sobre os preços foi reforçada por dados da Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA), que indicaram subidas acima do esperado nos inventários de crude e gasolina, sinalizando procura interna menos dinâmica no curto prazo.
Em paralelo, surgiram informações de que a Venezuela começou a reverter cortes de produção, à medida que as exportações de crude retomam algum fôlego, acrescentando mais barris a um mercado já bem abastecido.
Perspectiva de Curto Prazo: Petróleo Sem Direcção Clara
O consenso entre analistas aponta agora para um petróleo a negociar dentro de um intervalo relativamente estreito, com o Brent a oscilar, no curto prazo, entre 57 e 67 dólares por barril, numa dinâmica dominada por manchetes geopolíticas de impacto temporário e por dados macroeconómicos.
<
p style="margin-top: 0in;text-align: justify;background-image: initial;background-position: initial;background-size: initial;background-repeat: initial;background-attachment: initial">Para as economias importadoras líquidas de energia, este contexto oferece algum alívio inflacionista no arranque de 2026. Já para os países exportadores, a estabilidade dos preços, embora positiva, não é suficiente para compensar fragilidades fiscais e externas, sobretudo num ambiente de crescimento global moderado.
Fonte: O Económico






