Os preços do petróleo recuaram nos mercados internacionais, pressionados pela expectativa de aumento dos inventários norte-americanos e pelo abrandamento dos receios de uma interrupção prolongada da produção no Cazaquistão, apesar de persistirem riscos geopolíticos relevantes.
Os preços do petróleo recuaram esta quarta-feira nos mercados internacionais, à medida que os investidores reagiram a sinais de alívio do risco de oferta no Cazaquistão e à expectativa de um aumento dos inventários de crude nos Estados Unidos, factores que se sobrepuseram às tensões geopolíticas ainda latentes.
O Brent, referência internacional, caiu 76 cêntimos, ou 1,2%, para 64,16 dólares por barril pelas 04:45 GMT, enquanto o WTI norte-americano perdeu 60 cêntimos, ou cerca de 1,0%, negociando a 59,76 dólares por barril. Na sessão anterior, ambos os contratos tinham encerrado com ganhos próximos de 1,5%, sustentados por receios iniciais de disrupção da oferta.
Oferta: Interrupção no Cazaquistão considerada temporária
O movimento de correcção dos preços surge após a confirmação de que a interrupção da produção em dois grandes campos petrolíferos do Cazaquistão — Tengiz e Korolev — deverá ser temporária, com uma duração estimada entre sete e dez dias, segundo fontes do sector citadas pela Reuters. Os cortes resultam de problemas na distribuição de energia e não são, para já, considerados estruturais.
O campo de Tengiz, um dos maiores do mundo, é um activo estratégico para a oferta global, mas os analistas consideram que a breve interrupção não deverá alterar de forma significativa o equilíbrio do mercado, sobretudo num contexto de produção robusta fora da OPEP+.
Inventários dos EUA pressionam o mercado
Do lado da procura e dos fundamentos de curto prazo, o mercado está focado nos dados de inventários norte-americanos. Um inquérito preliminar da Reuters junto de analistas indica que as reservas de crude dos EUA terão aumentado, em média, 1,7 milhões de barris na semana terminada a 16 de Janeiro, um factor tradicionalmente negativo para os preços.
Os dados semanais do American Petroleum Institute (API) deverão ser divulgados esta quarta-feira, enquanto os números oficiais da Energy Information Administration (EIA) serão publicados na quinta-feira, com um dia de atraso devido a um feriado federal nos Estados Unidos.
Geopolítica e crescimento global continuam no radar
Apesar da correcção, os analistas sublinham que os riscos geopolíticos permanecem elevados. As tensões entre os Estados Unidos e o Irão, bem como as ameaças tarifárias de Washington dirigidas à Europa no contexto do dossiê da Gronelândia, continuam a alimentar receios de um abrandamento do crescimento económico global, com reflexos negativos na procura de energia.
Por outro lado, qualquer agravamento súbito das tensões no Médio Oriente poderá rapidamente reintroduzir um prémio de risco nos preços do crude, limitando quedas mais acentuadas.
Petróleo entre fundamentos frágeis e riscos latentes
O recuo desta sessão ilustra a sensibilidade do mercado petrolífero a dados de curto prazo, em particular aos inventários e às expectativas de procura, num contexto em que os fundamentos globais permanecem frágeis. Com o Brent a oscilar na casa dos 60 dólares por barril e o WTI abaixo desse nível, os investidores continuam divididos entre sinais de excesso de oferta e riscos geopolíticos que podem, a qualquer momento, inverter a tendência.
Nos próximos dias, a trajectória dos preços deverá depender sobretudo da confirmação dos dados de inventários dos EUA, da evolução da situação no Cazaquistão e de novos desenvolvimentos no plano geopolítico e comercial internacional.
Fonte: O Económico






