Distensão entre EUA e Europa, interrupções produtivas no Cazaquistão e revisão em alta da procura global para 2026 atenuam pressão baixista, apesar de inventários elevados nos Estados Unidos.
Os preços internacionais do petróleo registaram uma valorização moderada esta quinta-feira, reflectindo um conjunto de factores geopolíticos e fundamentais que ajudaram a estabilizar o mercado após semanas de elevada volatilidade. A suavização do discurso do Presidente norte-americano, Donald Trump, relativamente à imposição de tarifas ligadas à Gronelândia, conjugada com interrupções relevantes na produção do Cazaquistão e uma perspectiva mais favorável para a procura global em 2026, trouxe algum suporte às cotações.
Distensão Política Reduz Prémio de Risco nos Mercados Energéticos
No plano geopolítico, o alívio das tensões entre Washington e Bruxelas foi um dos catalisadores imediatos do movimento. A indicação de que um entendimento diplomático com a Dinamarca poderá estar próximo afastou, pelo menos temporariamente, o risco de uma escalada comercial transatlântica, cenário que poderia comprometer seriamente o crescimento económico global e penalizar a procura de energia.
Para os mercados, a redução deste risco traduziu-se numa compressão do prémio geopolítico negativo que vinha a pesar sobre o crude, num momento em que os investidores permanecem particularmente sensíveis a sinais de instabilidade política com potencial impacto macroeconómico.
Interrupções no Cazaquistão Reavivam Sensibilidade do Lado da Oferta
Em paralelo, o mercado reagiu às interrupções temporárias na produção petrolífera do Cazaquistão, produtor relevante no seio da OPEC+. Problemas técnicos relacionados com a distribuição de energia levaram à suspensão das operações nos campos de Tengiz e Korolev, dois dos maiores activos petrolíferos do país.
Embora as autoridades tenham sublinhado o carácter transitório da situação, o episódio reacendeu preocupações quanto à vulnerabilidade da oferta global, num mercado que, apesar de estruturalmente bem abastecido, continua altamente exposto a choques inesperados de produção.
Procura Global Ganha Fôlego nas Projecções de Médio Prazo
Do lado da procura, o mais recente relatório mensal da International Energy Agency introduziu um elemento adicional de suporte. A revisão em alta das previsões de crescimento da procura global de petróleo para 2026 sugere que o excedente esperado poderá ser mais limitado do que anteriormente antecipado.
Esta revisão foi interpretada pelos mercados como um sinal de que a transição energética e os ganhos de eficiência, embora relevantes, não deverão travar de forma abrupta a procura global de crude no médio prazo, sobretudo nas economias emergentes e em sectores ainda fortemente dependentes dos combustíveis fósseis.
Inventários Elevados nos EUA Travam Recuperação Mais Robusta
Apesar destes factores de suporte, os dados provenientes dos Estados Unidos continuam a limitar ganhos mais expressivos. Segundo informações do American Petroleum Institute, os inventários de crude aumentaram em cerca de 3,04 milhões de barris na semana terminada a 16 de Janeiro, enquanto as reservas de gasolina registaram uma subida superior a 6 milhões de barris.
Este aumento dos stocks reforça a percepção de um mercado ainda confortavelmente abastecido, num período em que a procura sazonal se mantém relativamente contida, sobretudo no hemisfério norte.
Mercado Entra em Fase de Equilíbrio Táctico
No balanço geral, os analistas consideram que o mercado petrolífero entrou numa fase de equilíbrio táctico, em que factores de suporte e de contenção se anulam parcialmente. O crude deverá manter-se, no curto prazo, a negociar numa faixa estreita, em torno dos 60 dólares por barril, à espera de maior clareza sobre a trajectória da procura global, a disciplina da OPEC+ e a orientação da política energética norte-americana.
Fonte: O Económico






