Por: Gentil Abel
Arrancam esta terça-feira e prolongam-se até sexta-feira os exames de admissão à Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo), num processo que volta a expor a pressão crescente sobre o sistema de ensino superior em Moçambique. Desta feita, mais de 16 mil candidatos disputam pouco mais de quatro mil vagas naquela instituição.
Neste contexto, de acordo com a Comissão de Exames de Admissão, a UP-Maputo disponibiliza 4.235 vagas distribuídas por diferentes regimes de ensino. No regime laboral estão operacionalizados 41 cursos, no pós-laboral 46 e, no ensino à distância, sete cursos. A diversidade de regimes mostra um esforço institucional para responder a perfis distintos de estudantes, incluindo trabalhadores e candidatos que não residem nos grandes centros urbanos. Ainda assim, o número de vagas continua aquém da procura.
Assim sendo, o cenário torna-se ainda mais evidente quando se observa o quadro global. A nível das quatro universidades pedagógicas, UP-Maputo, UniLicungo, UniRovuma e UniPúnguè concorrem 40.178 candidatos para um total de 14.695 vagas.
Por outro lado, entre os 51 cursos oferecidos, a Engenharia Eletrónica de Telecomunicações destaca-se como o mais concorrido. O dado não é irrelevante: revela uma tendência clara de procura por áreas técnicas e tecnológicas, associadas a melhores perspectivas de empregabilidade.
Neste quadro, os exames decorrem em simultâneo nas quatro universidades, com a distribuição de vagas a refletir realidades regionais distintas. A UniRovuma disponibiliza 4.290 vagas, a UniLicungo 3.940, a UP-Maputo 4.235 e a UniPúnguè 2.230. Esta descentralização é, em si, um sinal positivo de expansão do ensino superior para além da capital.
Por fim, a organização do processo também merece atenção. A UP-Maputo apelou à chegada atempada dos candidatos às salas de exame e deixou claro que será implacável no combate à fraude académica.






