Resumo
A venda global de ativos de risco e o fortalecimento do dólar norte-americano anularam os ganhos recentes dos metais preciosos, com a prata a ter uma das piores semanas desde 2011. O ouro e a prata estão a caminhar para uma segunda semana consecutiva de perdas, devido à aversão ao risco nos mercados financeiros globais e ao dólar forte. Enquanto a prata teve uma queda acentuada de 19% numa sessão, o ouro mostrou maior resiliência, com uma queda semanal de cerca de 1,2%. A volatilidade marcou a semana da prata, que teve uma recuperação ligeira no final. O dólar forte torna os ativos denominados na moeda mais caros para investidores estrangeiros, reduzindo a procura por metais preciosos. Analistas acreditam que a procura asiática por ouro durante o Ano Novo Lunar pode limitar as quedas no curto prazo.
O agravamento da aversão ao risco nos mercados financeiros globais, impulsionado pela forte correcção das acções tecnológicas e pelo reforço do dólar norte-americano, está a pressionar os metais preciosos, com o ouro e a prata a caminharem para uma segunda semana consecutiva de perdas, apesar de ligeiros movimentos de recuperação no final da semana.
Volatilidade extrema marca semana da prata
Na sessão de sexta-feira, a prata subiu cerca de 0,4%, negociando em torno dos 71,50 dólares por onça, após uma queda acentuada de mais de 19% na sessão anterior. Ao longo da semana, o metal branco acumulou perdas próximas de 16%, depois de ter registado, na semana passada, a maior queda semanal desde 2011.
A sessão foi marcada por elevada volatilidade, com a prata a recuperar até 3% intradiário, após ter caído para níveis inferiores a 65 dólares, mínimos de mais de um mês, reflectindo um mercado dominado por liquidações rápidas de posições especulativas.
Ouro resiste, mas não escapa à correcção semanal
O ouro apresentou maior resiliência relativa. O metal precioso subiu cerca de 1,1% na sexta-feira, negociando perto dos 4.823 dólares por onça, ainda assim acumulando uma queda semanal de cerca de 1,2%. Os contratos futuros nos Estados Unidos registaram igualmente ligeiras perdas, sinalizando prudência por parte dos investidores.
Segundo Ilya Spivak, responsável de macro global da Tastylive, o enfraquecimento generalizado do apetite pelo risco está a penalizar sobretudo activos mais voláteis, enquanto o ouro consegue “aguentar-se” num ambiente adverso, ao contrário da prata, que reage de forma mais sensível a choques de mercado.
Dólar forte reforça pressão sobre metais
Um dos principais factores de pressão resulta do fortalecimento do dólar norte-americano, que se mantém próximo de um máximo de duas semanas e caminha para o seu melhor desempenho semanal desde Novembro. Um dólar mais forte tende a tornar os activos denominados na moeda norte-americana mais caros para investidores detentores de outras divisas, reduzindo a procura por metais preciosos.
Este movimento ocorre num contexto em que os mercados accionistas globais prolongaram perdas por uma terceira sessão consecutiva, aprofundando a liquidação transversal de activos.
Procura asiática pode limitar quedas no curto prazo
Analistas sublinham, contudo, que a correcção recente poderá abrir espaço para alguma recuperação técnica. Soni Kumari, analista do ANZ, considera que a descida ocorreu num momento oportuno, antecedendo o Ano Novo Lunar, período tradicionalmente associado a um aumento da procura por ouro na China.
Ainda assim, a especialista alerta que a volatilidade deverá manter-se elevada no curto prazo, à medida que posições mais fracas continuam a ser desfeitas num ambiente de liquidez mais restritiva.
Platina e paládio também pressionados
Outros metais do grupo da platina não escaparam à tendência semanal negativa. A platina caiu cerca de 3,6%, negociando em torno dos 1.916 dólares por onça, após ter atingido um máximo histórico em Janeiro, enquanto o paládio subiu marginalmente na sexta-feira, mas manteve perdas no acumulado da semana.
Fonte: O Económico






