Em ambiente fúnebre, a missa de corpo presente da antiga Primeira-Ministra, Luísa Diogo teve lugar na Igreja Santo António da Polana, na cidade de Maputo, e foi dirigida pelo Arcebispo Dom João Carlos Nunes.
Coube ao irmão, Lucílio Diogo, apresentar a sua biografia, tendo falado de uma mulher de qualidades ímpares.
“Mana Ginha, como eras carinhosamente tratada na família, eras uma mulher de sólidos valores éticos e morais. Alicerçados na igreja, aliás, à nossa fé, vem do nosso bisavô materno, Gaspar Carloso, que foi um dos primeiros catequistas negros na missão de Broma. Olhando para a sua curta, mas rica e intensa trajetória, desde a sua infância, ensinaste-nos e demonstraste que uma menina simples, nascida de uma machamba de arroz, desde que seja abnegada no trabalho e firme nos seus propósitos, pôde atingir patamares de alto nível, voando sem limite. Luísa é uma ícone de inspiração para a juventude moçambicana e, sobretudo, para a mulher, de fortes convicções, conduziu-se como líder com integridade e transparência, comunicativa, exigente, intransigente, contra práticas dolosas. Com maestria e simplicidade, as suas convicções eram firmes, numa postura de buscar permanentemente o melhor. Reconhecida e habilitada como consultora e mentora para a governação, até a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos da América, uma das prestigiadas do mundo, prestou-se homenagem.”
O representante dos sobrinhos também subiu ao altar e falou de uma tia exemplar, cujos feitos serão eternizados.
“ Foi ela quem cultivou os valores que nos definem como família de Diogo. O nosso avô Diogo, a nossa avó Laura, sempre transmitiram os mesmos valores que a tia Luísa transmitiu para nós. Trabalho, honestidade, generosidade e, acima de tudo, respeito. Lembramos com carinho das noites em que sempre orientou nós, os jovens da família Diogo, sobre a importância da educação, do esforço, das mãos que não podemos hesitar em ajudar perante dificuldades. Sempre deixou bem claro, tia Luísa, esses aspectos. Principalmente, educação e respeito ”, disse Hugo Diogo.
No último adeus, os presentes levantaram-se um por um para fazer vénia à mulher que dedicou grande parte da sua vida à economia e política.
Na paróquia Santo Antonio da Polana, Diogo passou parte do seu tempo em orações e é por isso que foi descrita pela arquidiocese como uma mulher de fé e activa para causas divinas.
“Ela hoje parte e chega com alegria na casa do pai, onde é acolhida pelos anjos. É uma graça, é uma benção, é um favor que Deus lhe concedeu a ela, a sua família e a todos nós que tivemos a graça de a conhecer e privar com ela.”
O momento da despedida foi marcado por mensagens de consolo, reconhecimento e de recordação dos momentos marcantes passados, em vida, pela primeira mulher moçambicana que ocupou o cargo de Primeiro-ministro.
Entre familiares e amigos, a cerimónia contou também com a participação dos antigos presidentes da República, membros do Governo e de corpo diplomático acreditado em Moçambique.
Fonte: O País






