Resumo
A escassez de divisas, a procura frágil e os custos elevados continuam a afetar o desempenho das empresas em Portugal. No terceiro trimestre de 2025, o Índice do Ambiente Macroeconómico fixou-se em 52%, refletindo uma ligeira recuperação da procura agregada e a implementação de medidas de recuperação empresarial. Apesar disso, o enquadramento económico permanece frágil, com volatilidade nos preços das commodities e incerteza na política comercial internacional. O Índice de Robustez Empresarial manteve-se inalterado em 26%, indicando uma estagnação na capacidade de resposta das empresas aos desafios. Os custos elevados e a logística prejudicam setores-chave, como a agricultura. A pressão sobre as margens de lucro das empresas continua elevada devido à escassez de divisas e à redução da procura e do investimento.
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p style="margin-top: 0in;text-align: justify;background-image: initial;background-position: initial;background-size: initial;background-repeat: initial;background-attachment: initial">Escassez De Divisas, Procura Frágil E Custos Elevados Continuam A Condicionar O Desempenho Das Empresas
Ambiente Macroeconómico Dá Sinais, Mas Não Desbloqueia A Actividade
No III Trimestre de 2025, o Índice do Ambiente Macroeconómico (IAM) fixou-se em 52%, reflectindo uma ligeira recuperação da procura agregada, associada à reposição gradual do tecido empresarial afectado pelas manifestações pós-eleitorais e à implementação de medidas de recuperação empresarial.
A redução gradual das taxas de juro e a relativa estabilidade de preços contribuíram para este alívio. Ainda assim, o enquadramento permanece frágil, com volatilidade nos preços das commodities, tensões geopolíticas e incerteza quanto à política comercial internacional a continuarem a condicionar expectativas.
Desempenho Empresarial Nacional Continua Pressionado
Apesar de alguns sinais positivos no ambiente macroeconómico, o desempenho empresarial nacional não acompanhou a mesma trajectória. O Índice de Robustez Empresarial (IRE) manteve-se inalterado em 26%, evidenciando uma estagnação da capacidade das empresas em responder de forma consistente aos constrangimentos conjunturais.
As receitas registaram um crescimento residual de 0,06%, enquanto os custos praticamente não variaram. No entanto, o lucro empresarial recuou 0,82%, sinalizando que a pressão sobre margens continua elevada.
A CTA identifica como factores críticos a escassez persistente de divisas, a redução relativa da procura por parte das famílias e o abrandamento do investimento em projectos de expansão empresarial.
Custos E Logística Penalizam Sectores-Chave
A análise sectorial revela que os constrangimentos permanecem heterogéneos.
Na agricultura, o reajuste de preços de alguns produtos permitiu incremento das receitas, mas o ganho foi parcialmente anulado pelo aumento dos custos de insumos.
Na indústria, a manutenção de custos de produção elevados e o agravamento dos custos logísticos limitaram o impacto das medidas de recuperação empresarial. O sector dos transportes continuou pressionado pela degradação das vias de acesso e pelo restabelecimento do pagamento de portagens, apesar da ligeira redução do custo dos combustíveis.
Em contrapartida, a hotelaria e restauração beneficiaram de maior procura, sobretudo nos principais centros urbanos, reflectindo algum dinamismo associado ao turismo.
Emprego Mostra Retoma Frágil E Assimétrica
O Índice de Tendências de Emprego (ITE) revela uma recuperação ténue do mercado de trabalho. O índice de emprego temporário e em tempo parcial fixou-se em 31,5%, beneficiando da retoma de actividades anteriormente paralisadas e do dinamismo do sector do turismo.
Já o índice de disposição das empresas a contratar recuou para 24,6%, após 25,9% no trimestre anterior, evidenciando que a retoma ainda não se traduz em novos investimentos capazes de gerar emprego sustentável.
A nível provincial, os resultados mostram melhorias pontuais em algumas regiões, enquanto noutras se observa estagnação, reflectindo o fraco dinamismo da actividade económica no geral.
Robustez Empresarial Provincial Reforça Leitura De Fragilidade
A leitura provincial do IRE confirma que o sector empresarial continua a enfrentar constrangimentos estruturais, que resultaram num dinamismo económico tímido ao longo do segundo e terceiro trimestres de 2025.
A ausência de uma recuperação mais ampla sugere que os ganhos observados permanecem circunscritos a sectores e regiões específicas, sem efeito multiplicador robusto sobre o conjunto da economia.
Expectativas Apontam Para Melhoria Gradual Em 2026
Segundo a CTA, a economia moçambicana deverá crescer entre 2,1% e 2,8% em 2026, beneficiando de inflação controlada, reformas em curso para melhoria do ambiente de negócios e da retoma dos grandes projectos de Oil & Gas, nomeadamente da TotalEnergies e da ExxonMobil.
A retirada de Moçambique da Lista Cinzenta do GAFI surge como um factor adicional de melhoria do perfil de risco do País, com potencial impacto positivo sobre o investimento.
Ainda assim, o relatório sublinha que a transformação destes factores em robustez empresarial efectiva dependerá da normalização do mercado cambial, do reforço da procura interna e da redução estrutural dos custos de contexto.
Entre Resiliência Conjuntural E Desafios Estruturais
Os resultados do IRE do III Trimestre de 2025 apontam para uma economia que resiste, mas não acelera. A estabilidade macroeconómica emergente tem evitado uma deterioração mais profunda, mas permanece insuficiente para gerar um ciclo consistente de investimento, emprego e crescimento empresarial.
A leitura de fundo é clara: sem resolver os constrangimentos estruturais — divisas, custos logísticos, financiamento e procura — a robustez empresarial continuará limitada, mesmo num cenário de recuperação macroeconómica gradual.
Fonte: O Económico






