Impasse no preço da electricidade ameaça um dos maiores projectos industriais do país, com riscos elevados para o PIB, exportações, emprego e estabilidade social.
O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e Energia (SINTEME) alertou para os graves riscos económicos e sociais associados à eventual suspensão das actividades da Mozal, a maior fundição de alumínio de Moçambique, caso não seja alcançada uma solução para o fornecimento de energia eléctrica até ao termo do contrato em Março de 2026.
Em conferência de imprensa, o sindicato defendeu uma resposta urgente e consensual, sublinhando que o dossiê energético da Mozal transcende a esfera laboral e constitui um tema estrutural da economia nacional, com impacto directo no crescimento, no emprego e na estabilidade social.
Energia no Centro de um Impasse Estratégico
Segundo o secretário-geral do SINTEME, Américo Pedro Macamo, o risco de suspensão decorre da ausência de consenso nas negociações sobre o preço da electricidade, num contexto de aumento dos custos de importação de energia da África do Sul, após o término do contrato actual.
A Mozal, operada pela South32, é uma indústria altamente intensiva em energia, pelo que a previsibilidade e competitividade do custo eléctrico são determinantes para a continuidade da produção. O sindicato sublinha que qualquer interrupção teria efeitos sistémicos, afectando cadeias produtivas, fornecedores e a percepção de risco dos investidores.
Peso da Mozal na Estrutura Económica
O SINTEME recorda que a Mozal constitui um pilar da economia moçambicana, sendo responsável por cerca de 30% das exportações nacionais e por uma contribuição anual estimada em 3% do Produto Interno Bruto (PIB).
A empresa emprega directamente cerca de 1.100 trabalhadores e sustenta mais de 4.000 postos de trabalho indirectos, através de uma vasta rede de prestadores de serviços e fornecedores, muitos deles pequenas e médias empresas.
Emprego, PMEs e Estabilidade Social Sob Pressão
O sindicato denuncia sinais que considera preocupantes, incluindo a rescisão unilateral de contratos com cerca de 20 empresas fornecedoras, afectando directamente milhares de trabalhadores. Acrescenta que a não importação de matérias-primas nos últimos meses poderá indiciar preparativos técnicos para uma paragem prolongada.
Para o SINTEME, um eventual encerramento da Mozal poderia desencadear falências em cadeia, aumento do desemprego e instabilidade social, sobretudo na província de Maputo, onde a indústria tem um peso significativo no tecido económico local.
Riscos Fiscais e Impacto Macroeconómico
Para além do impacto laboral, o sindicato alerta para as consequências ao nível das finanças públicas, com perda de receitas fiscais, agravamento do défice orçamental e enfraquecimento do desempenho económico num momento considerado sensível para a consolidação macroeconómica do país.
“A suspensão das actividades colocaria em risco milhares de famílias, reduziria receitas fiscais e comprometeria o crescimento económico”, advertiu Américo Macamo.
Proposta de Solução: Diálogo Alargado e Transição Controlada
Como via de saída, o SINTEME defende o alargamento da mesa negocial, envolvendo todos os accionistas da Mozal — Governo de Moçambique, South32, IDC da África do Sul e Mitsubishi Corporation — bem como a CTA e os sindicatos.
Entre as propostas avançadas está a prorrogação do contrato energético por mais 12 meses, criando espaço para negociações técnicas sustentáveis que salvaguardem simultaneamente a competitividade da Mozal e os interesses estratégicos do país.
Para o sindicato, evitar a suspensão da Mozal deve ser encarado como um objectivo estratégico nacional, alinhado com a agenda de industrialização, emprego e independência económica.
Fonte: O Económico






