InícioRevistaNacional30 anos de CPLP: Moçambique aponta mobilidade como uma das principais conquistas

30 anos de CPLP: Moçambique aponta mobilidade como uma das principais conquistas

O Governo moçambicano destacou esta quarta-feira a mobilidade entre cidadãos lusófonos como uma das principais conquistas dos 30 anos da CPLP e defendeu uma comunidade mais próxima, inclusiva, solidária e orientada para o desenvolvimento dos povos.

Numa declaração enviada à Lusa pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e Comunidades, por ocasião do 30.º aniversário da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Moçambique considera que a data representa a “afirmação de uma comunidade alicerçada na história centenária e nos valores da amizade, da solidariedade, da concertação político-diplomática, da cooperação e da promoção da língua portuguesa como património comum dos seus Estados-membros”.

O documento enquadra a efeméride num contexto internacional marcado por “crises, tensões geopolíticas, conflitos, ameaças à paz e segurança internacionais, alterações climáticas, insegurança alimentar, desigualdades socioeconómicas”, bem como pelo imperativo de acelerar a implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Segundo o Governo moçambicano, ao longo de 30 anos a CPLP “consolidou-se como um ator relevante no panorama internacional”, afirmando a sua presença em quatro continentes e registando progressos significativos em diversos domínios.

Entre as conquistas recentes consideradas mais relevantes, o Governo moçambicano aponta a entrada em vigor, em 1 de janeiro de 2022, do Acordo sobre a Mobilidade entre os Estados-membros da CPLP, considerando-o como um “instrumento de grande alcance político e social”, que contribui para o “estreitamento dos vínculos entre os cidadãos da Comunidade” e para a consolidação de “um espaço lusófono mais próximo, dinâmico e inclusivo”.

A declaração recorda alguns dos principais marcos da organização, desde o encontro de alto nível dos países lusófonos promovido em 1983 por iniciativa do então ministro português Jaime Gama, passando pela criação do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), em 1989, até à fundação formal da CPLP, em Lisboa, a 17 de julho de 1996, por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.

Moçambique destaca igualmente a adesão de Timor-Leste, em 2002, e da Guiné Equatorial, em 2014, bem como o aprofundamento da cooperação político-diplomática, cultural, económica, científica e empresarial entre os Estados-membros.

Maputo manifesta ainda apreço pela “institucionalização da cooperação económica como objetivo estratégico da Organização”, pelo reforço da concertação político-diplomática, pela modernização institucional e pelo crescente reconhecimento internacional da CPLP, evidenciado pela integração de 34 observadores associados.

Na declaração, o Governo sublinha que a CPLP constitui “um eixo estratégico da sua política externa e um espaço geoestratégico privilegiado de cooperação solidária”, contribuindo para a promoção do desenvolvimento sustentável, o fortalecimento do multilateralismo, a mobilização de cooperação técnica e financeira e a concertação de posições comuns nos fóruns regionais e internacionais.

Moçambique destaca igualmente o seu papel atual na organização, recordando o exercício da presidência rotativa da Assembleia Parlamentar da CPLP para o período 2025-2027 e a presidência da Associação dos Reguladores de Comunicações e Telecomunicações da CPLP (ACTEL-CPLP), assumida em junho de 2026.

A declaração refere ainda duas figuras moçambicanas ligadas à organização, os antigos dirigentes Joaquim Chissano (antigo Presidente da República) e Leonardo Simão (antigo ministro dos Negócios Estrangeiros), ambos designados embaixadores de boa vontade da CPLP.

Maputo sustenta que o futuro da CPLP dependerá da capacidade coletiva dos seus membros de “transformar a identidade comum, os laços históricos e a solidariedade linguística em instrumentos concretos de paz, prosperidade, inclusão e desenvolvimento sustentável em prol dos seus povos”.

 

Fonte: Observador

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