Moçambique é o quinto país da África oriental e austral com mais deslocados internos, contabilizando 662 mil pessoas forçadas a abandonar as casas devido ao conflito armado em Cabo Delgado e a desastres naturais, segundo relatório do ACNUR.
Deste total de deslocados internos registados em Moçambique até 30 de junho, 438 mil resultam diretamente de conflitos e violência, enquanto 224 mil foram deslocados por desastres naturais, refere-se no mais recente relatório regional do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) para a África Oriental e Austral, a que a Lusa teve esta terça-feira acesso.
Globalmente, o número coloca Moçambique atrás do Sudão, com 8,7 milhões de deslocados, da Somália (3,3 milhões), do Sudão do Sul (dois milhões) e da Etiópia (1,9 milhões), entre os sete países mais afetados da região monitorizados pelo ACNUR.
A maioria dos deslocados por conflitos em Moçambique está associada à insurgência armada que afeta a província de Cabo Delgado, no norte do país, onde grupos armados têm realizado ataques desde 2017, provocando sucessivas vagas de deslocação populacional e uma crise humanitária prolongada.
O país surge igualmente como o quinto mais afetado da região em deslocações motivadas por conflitos, atrás do Sudão (8,7 milhões), da Etiópia (1,7 milhões), da Somália (1,6 milhões) e do Sudão do Sul (945 mil).
Já nas deslocações provocadas por fenómenos naturais, Moçambique ocupa a terceira posição regional, com 224 mil pessoas deslocadas, apenas atrás da Somália, com 1,7 milhões, e do Sudão do Sul, com um milhão.
As deslocações por causas naturais refletem a elevada vulnerabilidade do país a ciclones, tempestades e cheias, que afetam regularmente diversas províncias moçambicanas durante a época chuvosa, de outubro a abril, a última das quais com fortes cheias no sul que afetaram cerca de 750 mil pessoas.
A região da África oriental e austral contabilizava no final de junho 16,8 milhões de deslocados internos, dos quais 13,5 milhões devido a conflitos e violência e 3,4 milhões provocados por desastres naturais.
O relatório do ACNUR assinala ainda que alguns países da região registaram reduções no número de deslocados devido ao aumento dos movimentos de regresso às zonas de origem, embora Moçambique continue entre os países mais afetados simultaneamente por crises de segurança e eventos climáticos extremos.
Os incidentes de segurança no norte de Moçambique, essencialmente envolvendo ataques de insurgentes em Cabo Delgado, aumentaram em junho para 73 casos, com 10 mortos e 72 raptos, segundo um relatório divulgado no final do mês passado pela Organização das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).
Por outro lado, acrescenta-se que a “violência contra civis” neste período “continuou a ser o tipo predominante de incidente”, afetando sobretudo os distritos “com necessidades mais severas, comprometendo a proteção dos civis, restringindo o acesso humanitário e provocando movimentos populacionais”.
De acordo com o documento, 44 incidentes (59%) envolveram violência contra civis, “resultando em 10 mortes de civis e no rapto de 72 pessoas alegadamente para recrutamento forçado, trabalho forçado e pedidos de resgate”.
Segundo dados divulgados anteriormente pela Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED), foram registados 2.408 eventos violentos desde o início da insurgência, dos quais 2.224 envolvendo elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM), e mais de 6.600 mortos.
Fonte: Observador






