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MOÇAMBIQUE ENTRE OS 5 PAÍSES COM MAIS DESLOCADOS INTERNOS NA ÁFRICA ORIENTAL E AUSTRAL

Por: Alfredo Júnior

Moçambique ocupa a quinta posição entre os países da África Oriental e Austral com o maior número de deslocados internos, contabilizando cerca de 662 mil pessoas forçadas a abandonar as suas casas devido ao conflito armado, à violência e aos desastres naturais. Os dados constam do mais recente relatório regional do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), que traça um retrato da deslocação forçada na região.

O relatório destaca que a região da África Oriental, do Corno de África e dos Grandes Lagos continua a enfrentar uma das mais graves crises humanitárias do mundo. Conflitos armados, fenómenos climáticos extremos e insegurança alimentar continuam a provocar movimentos populacionais em larga escala, elevando o número de refugiados e deslocados internos para níveis sem precedentes.

No caso moçambicano, o principal factor de deslocação continua a ser a insurgência armada na província de Cabo Delgado, iniciada em 2017, que obrigou centenas de milhares de pessoas a abandonarem as suas comunidades. Embora parte da população tenha regressado às zonas de origem na sequência da melhoria das condições de segurança em alguns distritos, muitas famílias permanecem deslocadas devido à destruição de infra-estruturas, à falta de serviços básicos e à persistência de ataques esporádicos.

Além do conflito, os eventos climáticos extremos continuam a agravar a situação humanitária. Ciclones tropicais, cheias e secas recorrentes têm provocado novas deslocações em diferentes regiões do país, aumentando a pressão sobre as comunidades de acolhimento e sobre os recursos destinados à assistência humanitária. O ACNUR sublinha que as alterações climáticas estão a tornar os deslocamentos cada vez mais prolongados e complexos.

Segundo o relatório, Moçambique integra um grupo de países da região onde coexistem múltiplos factores de deslocação, tornando a resposta humanitária mais exigente. Para além da assistência de emergência, o ACNUR defende investimentos em soluções duradouras, incluindo o reforço da segurança, a reconstrução de infra-estruturas, o acesso à educação, saúde e meios de subsistência para facilitar o regresso voluntário ou a integração das populações deslocadas.

As Nações Unidas alertam que a persistência dos conflitos e o agravamento dos impactos das alterações climáticas poderão aumentar o número de deslocados na região nos próximos anos, caso não sejam reforçadas as medidas de prevenção, adaptação e resposta humanitária. Em Moçambique, organizações internacionais continuam a defender maior mobilização de recursos para apoiar as centenas de milhares de pessoas que permanecem em situação de vulnerabilidade

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