InícioRevistaTecnologiaCarro elétrico em segunda mão: como não ser enganado sobre a bateria?

Carro elétrico em segunda mão: como não ser enganado sobre a bateria?

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Aquando da compra de um carro elétrico em segunda mão, antes de assinar qualquer papel, há um componente que merece toda a sua atenção: a bateria. Por ser um dos principais componentes do carro, é ela que determina se está a fazer um bom negócio ou a comprar problemas.

Ao contrário do que acontece com um automóvel a combustão, num elétrico a bateria de alta tensão não é um simples consumível, é o componente mais valioso de todo o veículo.

Como seria de esperar, é também o que mais dúvidas levanta a quem procura um carro usado: perdeu capacidade? Vale a pena? E se for preciso substituir, quanto custa?

O estado da bateria influencia diretamente quatro aspetos que qualquer comprador deve ter em conta:

Além disso, importa desmontar o mito de que as baterias se "apagam" de um dia para o outro.

Geralmente, a degradação é lenta e gradual, e muitos modelos conseguem manter entre 80% a 90% da capacidade original ao fim de oito a 10 anos de uso. Substituições completas por avaria são, por isso, pouco comuns.

Se há um número a decorar antes de ir ver o carro, é o SoH, sigla para State of Health, ou estado de saúde da bateria.

Esta percentagem compara a capacidade atual com a que a bateria tinha quando saiu de fábrica, e é o indicador mais fiável para perceber o que está realmente a comprar.

Na prática, os valores podem ler-se da seguinte forma:

A maioria das marcas só assume que há um problema coberto por garantia quando o SoH cai abaixo dos 70% a 75%.

O , aprovado em julho de 2023 e aplicável desde fevereiro de 2024, com algumas regras a entrar em vigor de forma faseada, veio estabelecer regras comuns para todas as baterias vendidas na União Europeia (UE), incluindo as dos carros elétricos, trazendo duas novidades particularmente relevantes para quem compra um veículo usado.

A primeira é a obrigatoriedade, em vigor desde agosto de 2024, de dar acesso aos dados do sistema de gestão da bateria (BMS) a oficinas independentes, e não apenas às redes oficiais das marcas.

Na prática, isto significa que, através do sistema de diagnóstico de bordo, qualquer oficina autorizada poderá vir a consultar o SoH, a capacidade remanescente e o tempo de vida estimado da bateria, sem depender da marca ou do vendedor.

A segunda é o chamado Passaporte Digital da Bateria, que se torna obrigatório a partir de 18 de fevereiro de 2027 para todas as baterias de veículos elétricos colocadas no mercado europeu.

Este passaporte funciona como um registo eletrónico único, acessível por QR code, que reúne informação como a química da bateria, a origem de fabrico, a pegada de carbono, o histórico de carregamento e o SoH.

Alguns dados, os mais gerais, sobre o modelo da bateria, serão públicos; outros, mais sensíveis, como o SoH em tempo real de uma bateria específica, ficarão reservados a quem tiver um "interesse legítimo", como compradores, reparadores ou operadores de segunda vida das baterias.

Na prática, isto quer dizer que, dentro de poucos anos, verificar a saúde da bateria de um usado deixará de ser um esforço extra do comprador para passar a ser um direito garantido por lei em toda a UE.

Um detalhe que engana muitos potenciais compradores de carros elétricos usados é que os quilómetros no relógio não contam toda a história.

Um carro com muitos quilómetros pode ter um SoH excelente se tiver sido carregado com cuidado, especialmente em viagens longas.

Já outro com poucos quilómetros pode estar mais degradado se tiver recorrido com frequência a carregamento rápido ou tiver passado longos períodos parado com a bateria a 100%.

Antes de entregar qualquer sinal, há uma checklist que vale a pena seguir:

Além disto, vale ainda a pena questionar o vendedor sobre os hábitos de carregamento do carro, por exemplo, se carregava normalmente até aos 100% ou ficava pelos 80%, se usava muito carregamento rápido em corrente contínua, e se o carro esteve muito tempo parado e em que condições.

As respostas raramente refletem um histórico perfeito, mas ajudam a perceber se a bateria foi sujeita a um uso mais exigente.

Se o vendedor recusar fornecer um relatório de SoH ou não permitir que a bateria seja avaliada numa oficina antes da compra, desconfie.

A generalidade das fabricantes oferece uma garantia própria para a bateria de alta voltagem, separada da garantia geral do carro. O período mais comum ronda os oito anos ou 160.000 km, consoante o que se cumprir primeiro, ainda que existam variações entre marcas.

Normalmente, essa garantia assegura que a bateria mantém pelo menos 70% a 75% da capacidade original durante esse período e, se descer abaixo disso, pode haver direito a reparação ou substituição.

Importa também confirmar se a garantia é transferível para o novo proprietário, o mais habitual, já que está associada ao veículo, e, no caso de carros importados, se continua válida em Portugal.

Comprar um carro elétrico em segunda mão não tem de ser um tiro no escuro, mas exige um cuidado extra que um carro a combustão não pede, nomeadamente perceber a saúde real da bateria.

Assim sendo, entre pedir um relatório de SoH, confirmar a garantia e fazer as perguntas certas ao vendedor, é possível reduzir bastante o risco de surpresas desagradáveis e negociar com muito mais confiança.

 

Fonte: Pplware

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