Sou muito honesto, nunca fui fã do Audi A2 original. Um carro extremamente estranho, que parecia uma caixa de fósforos, e que era tudo menos um Audi. Mas, a marca decidiu pegar na plataforma que criou para dar vida ao ID.Polo e Cupra Raval, para criar o Audi A2 e-tron.
No fim do dia, querem ressuscitar o maior “flop” da marca em versão elétrica. Mas… Será que a história se repete?

Provavelmente já não te lembras, mas no final dos anos 90, final do milénio, a Audi lançou o A2 original. Apesar de não ser esteticamente aquilo que se esperava de um Audi, era um carro à frente do seu tempo. Afinal, era leve, com chassis em alumínio, um design hiper-aerodinâmico e consumos absurdamente baixos. O resultado prático? Foi um dos maiores fracassos comerciais da história da marca alemã.
Era demasiado caro para a altura, caro de reparar e o público simplesmente não percebeu a ideia. Mais de duas décadas depois, a Audi decidiu desenterrar a sigla e transformar o clássico incompreendido no novíssimo Audi A2 e-tron.


A ideia agora é lançar um elétrico de entrada de gama focado na máxima eficiência para rivalizar com as futuras propostas elétricas do BMW Série 1 e do Mercedes Classe A. Mas estará o mercado atual pronto para a vingança deste formato?
Ao contrário do antepassado, que tinha um chassis feito à medida que custava os olhos da cara, o novo A2 e-tron recorre à pragmática plataforma MEB+ do Grupo Volkswagen. Ou seja, por baixo do vestido da Audi está a mesma base que dá vida a tantos outros automóveis dentro do mesmo grupo. A diferença é que a Audi afinou o conjunto com um novo motor traseiro, uma caixa revista e uma gestão térmica da bateria aprimorada.
No papel e nos primeiros testes de protótipo, o carro impressiona naquilo em que promete focar-se: a eficiência. O formato “Kammback” na traseira e a frente arredondada garantem um coeficiente aerodinâmico de apenas 0,24 Cd. Com as opções de bateria LFP (50 kWh e 58 kWh) e a topo de gama NMC de 79 kWh, a marca promete bater facilmente a fasquia dos 500 a 600 km de autonomia real.
Por dentro, apesar de partilhar a arquitetura geral com o ID.3, a Audi tratou de colocar o seu carimbo de qualidade. O tablier conta com o painel curvo “Digital Stage” (ecrã central de 12,8 polegadas mais painel de instrumentos de 11,9 polegadas) herdado do novo Q3. O acabamento em tecido entrelaçado no tablier e nas portas substitui aquele plástico preto brilhante que adora colecionar dedadas, o que é um ponto a favor.
No entanto, a silhueta esguia e estreita cobra o seu preço no espaço interno. Apesar de quatro adultos viajarem com bom espaço para a cabeça e pernas no banco traseiro, a sensação no habitáculo é bastante justa na zona dos ombros.
O Audi A2 e-tron tem tudo para ser o elétrico mais acessível da marca dos quatro anéis, devendo ficar cerca de 15.000€ abaixo de um Q4 e-tron. Oferece tecnologia de topo, uma autonomia real excelente e um visual retro-futurista que não deixa ninguém indiferente.
Contudo, a grande questão mantém-se: num mercado completamente obcecado por SUVs compactos, haverá espaço para um hatchback focado estritamente na eficiência aerodinâmica ou a Audi vai voltar a descobrir que estava à frente do seu tempo? Ainda por cima, sendo Audi… Vai ser caro, e isso é uma quase pena de morte nos dias que correm.
Fonte: Zero Zero





